segunda-feira, 16 de setembro de 2013


DEFESA ECONÔMICA E CIBERNÉTICA (1)
JUACY DA SILVA
Tudo leva a crer que a Presidente Dilma, se realmente levar em conta as orientações e sugestões de um grupo íntimo de assessores e conselheiros , onde estão incluídos apenas os seus mais próximos e confiáveis assessores, além de Lula e Franklin Martins, deve  cancelar a visita de “estado” que faria aos EUA, numa clara demonstração de “indignação” com as atividades de espionagem cibernética que a Agência Nacional de Segurança daquele país teria feito, bisbilhotando seus email e até mesmo buscando alguns segredos comerciais na Petrobrás e  em outros setores da vida nacional.
Com certeza, tudo o que éfeito desde há algum tempo por parte do Governo Federal, principalmente por parte do PT, tem relação com as eleições do ano que vem, quando Dilma deverá tentar a reeleição e também  alavancar a escalada de seu partido e de seus aliados no aparelhamento do Estado Brasileiro e nos governos estaduais.
A “indignação”  demonstrada tanto pela Presidente quanto por alguns de seus ministros e também por Lula contra OBAMA, muito se aproxima das diatribes que ao longo de sua permanência no Governo Venezuelano eram feitas por Hugo Chaves e continuam sendo as formas de vociferar de vários governantes na América Latina e em outras partes do mundo.
Em meio aos protestos populares tais governantes se apegam `a figura de um inimigo externo para buscar fortalecer-se internamente e superar as quedas em índices de popularidade como aconteceu nas recentes  manifestações de massa no Brasil quando  Dilma despencou de quase 80%  de aprovação para apenas 30% em questão de dois ou tres meses.
Todos os analistas foram unânimes em afirmar que se este for o clima da época da eleição dificilmente Dilma venceria no primeiro turno e correria até mesmo o risco de ser derrotada, colocando por terra o projeto estratégico de poder do PT e do aparelhamento que o partido tem feito da administração brasileira. O sinal  vermelho chegou a ser ligado e os lulistas não titubearam em iniciar a chamada do “volta Lula”.
Parece que a possibilidade de naufrágio era real e aí,  como nessas situações de desespero,  sempre surge uma tábua de salvação. Esta tábua foi o apelo para o já bem surrado anti-americanismo que pessoas, grupos ideológicos e governos fazem em momentos de crise. Era necessário  criar um inimigo externo para tentar unir novamente a nação em torno de sua líder maxima.
Interessante que esta mesma indignação que o Governo Federal vocifera contra Obama não é percebida quando se trata de combater a corrupção que continua exaurindo os cofres  públicos por pessoas empoleiradas nas estruturas do poder; privilégios dos governantes ou contra a ineficiência e baixa qualidade dos serviços públicos em todas as áreas como saúde, segurança pública, meio ambiente; educação, infraestrutura, ciência e tecnologia, acarretando perdas de competitividade internacional para a economia brasileira.
É neste contexto que devemos inserir a questão da soberania, definida como a capacidade que um país  tem interna e externamente em buscar a conquista e manutenção de seus objetivos nacionais permanents ou fundamentais como estabelece a constituição federal. Soberania deve ser entendida como a capacidade que um país tem para auto-determinar-se, ser dono de seu destino e neste sentido atender as necessidade e aspirações de seu povo por melhores condições e padrão de vida.
Soberania refere-se também a capacidade que um país tem em defender a integridade de seu território, de sua economia, de seus recursos naturais, financeiros e humanos. Para tanto precisa desenvolver meios científicos e tecnológicos autóctenes para não ficar na dependência de outros países e empresas multinacionais.
Muito se tem escrito e debatido nas últimas décadas sobre a necessidade do desenvolvimento da ciência e tecnologia no Brasil, mas para tanto é fundamental melhorar de forma urgente a qualidade do sistema educacional brasileiro, desde o ensino fundamental , médio e superior, sem o que nossa capacidade de criação é quase nula.   O Brasil e o governo se ufanam tanto pelo fato de sermos o quarto ou qinto mercado consumidor de tecnologia e um grande exportador de matérias primas brutas, com baixo valor agregado, enquanto os países centrais e alguns emergentes lutam para agregar valor `as sua  exportações.  Nossa participação no comércio internacional há décadas não consegue atingir sequer 3% do total. Como um país assim pode desejar se contrapor a uma potência hegemônica? Apenas com discursos inflamados? com  bravatas? Algo mais concreto deve se feito, como aconteceu na China que em quatro décadas deu um salto qualitativo que a transformou em uma potência econômica, científica, tecnológica e militar de peso!
JUACY DA SILVA, professor universitário , titular e aposentado  UFMT, mestre em sociologia, Twitter@profjuacy Email professor.juacy@yahoo.com.br Blog www.professorjuacy.blogspot.com

quarta-feira, 11 de setembro de 2013


PARANOIA GOVERNAMENTAL

JUACY DA SILVA

Ao longo da história nos deparamos com comportamentos que somente a psicologia consegue explicar. São formas de pensar, sentir e agir que escapam ao que consideramos racional ou correto em determinadas situações.

Antes de falar sobre a questão da “espionagem”  que o governo brasileiro vem fazendo um “cavalo de batalha”, seria bom voltarmos ao conceito de paranoia  que ajuda muito no entendimento do que está acontecendo no governo Dilma e já se espalhou pelo senado e corre-se o risco de contagiar a nação inteira, a menos que pessoas que ainda permitem um raio de luz vindo da racionalidade possam apontar os riscos que tal comportamento pode acarretar.

Paranoia é um processo de elaboração do pensamento altamente influenciado por ansiedade e medo, podendo chegar a um ponto de total irracionalidade ou ilusionismo e desconectar a pessoa, o grupo ou organização que tenha este comportamento da realidade imediata. Neste caso,  exige tratamento sério. Se não for tratado pode acarretar sérios riscos a quem tem este comportamento e a outras pessoas, grupos, instituições ou até mesmo nações  inteiras.

O quadro de paranoia inclui mania de perseguição, idéias de conspiração  relativas a ameaças, geralmente infundadas, falsas acusações, um certo delírio de grandeza, desconfiança generalizada  nas demais pessoas.

A paranoia é a base das chamadas teorias da conspiração. Neste contexto essas teorias  representam um conjunto de proposições, aparentemente lógicas e corretas, mas que acabam enveredando para comportamentos irracionais e altamente destrutivos e acabam alimentando um certo sadismo.

As teorias da cospiração geralmente acusam pessoas, grupos econômicos, sociais, culturais, religiosos, políticos ou até mesmo nações e governos estrangeiros de agirem deliberada e sistematicamente para minar, realizar operações secretas e ardilosas contra os interesses do grupo, governo ou nação considerada.  Neste sentido o resultado é a criação de um inimigo externo com o propósito de fortalecer e dar maior coesão ao grupo, seja ele de qualquer natureza, podendo  a paranoia chegar até a nivel nacional, quando verdadeiros atos insanos são cometidos contra o inimigo externo. A paranoia e as teorias da conspiração alimentam-se do ódio, o etnocentrismo, da idéia de que o inimigo tem que ser humilhado, destruido até que ocorre uma verdadeira catarse ou um verdadeiro circo de horror.

A paranoia governamental e as teorias conspiratórias sempre estiveram presentes na história humana. Durante o império romano o inimigo externo que estava minando o governo e a grandeza de Roma eram os cristões; em determinado momento eram os mouros, dai as guerras santas para dizima-los; durante o nazismo eram os judeus, ciganos, negros e outras minorias; para Getúlio ao se suicidar eram as famosas “forças ponderosas que se abateram sobre mim”que o levaram ao suicídio; para Jânio ao renunciar eram as “forças ocultas”; para os aiatolás iranianos é a conspiração sionista; para Bush era o “eixo do mal”, para Jim Jones era a busca do paraiso; para Obama é o terrorismo e as armas de destruição em massa. E agora, para Dilma, seus ministros e o Senado, é a espionagem norte-americana.

Algém precisa dizer ao governo brasileiro que espionagem política, militar, econômica, industrial, científica e tecnológica é uma realidade das relações internacinais há séculos, cabe a cada governo desenvolver seus próprios sistemas de segurança para resguardar seus intereesses, sua soberania, seus objetivos nacionais interna e externamente.  Exigir que quem espiona siga regras, dê  satisfação de seus atos, avise o que está buscando parece uma certa infantilidade, como  quando Lenin escreveu que o esquerdismo é a  doença infantil  do  comunismo!

Até quando nosso governo vai saber das coisas pela imprensa? Onde estão os serviços de inteligência e contra-inteligência?

JUACY DA SILVA, professor universitário, mestre em sociologia, articulista de A Gazeta.Twitter@profjuacy Email professorjuacy@yahoo.com.br Blog www.professorjuacy.blogspot.com

 

segunda-feira, 9 de setembro de 2013


QUESTÃO DE MÁSCARAS!

JUACY  DA SILVA

Há meses as manifestações de massa que vem ocorrendo no Brasil estão possibilitando a participação de alguns grupos, os chamados “black bloc”, de caráter anarquista, no sentido politico e filosófico do termo, tem merecido destaque tanto por parte da opinião pública, quanto do aparato de repressão do chamado “estado democrático de direito”, onde estão incluidas forças policiais e até mesmo a justiça.

Apenas para esclarecer, este e outros grupos que se lhes assemelham nas formas de ação, tem como princípio básico de que é possível viver em uma sociedade sem governo e sem organismos de repressão, suas origens remontam a mais de um século. Demonstrações semelhantes tem ocorrido ou ja ocorreram em diversos países, na Europa, nos EUA e de uma forma indireta nos países árabes.

Tais grupos e outros que se inspiram nos princípios do socialism, do marxismo, do leninismo, do trotskismo acreditam piamente que o uso da violência é um instrumento de luta política e social e disso não abrem mão, pouco importando o nível  de repressão praticado pelo Estado contra tais manifestações.

Outro aspecto que merece atenção é a idéia de que o Estado, pouco importa se democrático de direito, como imaginam muitos que o Brasil esteja vivendo ou o Estado totalitário ou ditatorial,  como também já experimentamos em diversos períodos de nossa história, capitaneado por civis ou militares, tem o chamado monopólio da violência e neste sentido pode usar todas as formas de violência tanto contra sua própria população quanto contra outras nações.

Vários dos partidos que fazem parte da base de apoio do governo federal atualmente tem em suas bases doutrinárias , ideológicas e filosóficas em termos de resquícios ou abertamente princípios bem próximos desta forma de agir do anarquismo e neste sentido são fruto do mesmo expectro ideológico.

É comum tanto para os agentes do Estado quanto para os “black blocs” o uso de mascaras para encobrir os seus rostos e suas identidades. Por inúmeras vezes policiais civis ou militares costumam subir morro, adentrar favelas usando toucas ninjas e deixando de portar crachás de identificação de nomes. É também comum torturadores em dependências policiais ou outras masmorras usarem tais toucas para cometerem toda sorte de violência física e psicológica para extrair falsas confissões, sejam presos políticos ou os chamados presos comuns. É também  comum soldados de forças armadas em treinamento ou operações nos teatros de Guerra também terem seus rostos pintados de preto para dificultar a identificação por parte do inimigo.  Também é comum em festas tanto religiosas  quanto profanas, onde o carnval é o símbolo maior, usarem todo tipo de mascaras, principalmente para ridicularizar autoridades e figuras famosas. Quem não se lembra dos bailes de carnaval em salões majestosos onde se reune ou reunia a elite dominantes  também portarem máscaras?

Enfim, o uso de máscaras em diversas situações é comum e normal em várias sociedades e uma forma de livre manifestação cultural, política e social. O problema então passa a ser o uso da violência, tanto por parte dos manifestantes quanto por parte das forças de repressão, quando usam balas mortíferas, balas de borracha, spray de pimenta ou armas químicas como está acontecendo na guerra civil na Síria ou pedras, estilingues, coqeteis Molotov, pistolas que dão choque paralizante e outros instrumentos de intimidação. A repressão, nesses casos, é uma forma do Estado e do governo tentando dizer que continua senhores da situação.

Mesmo as decisões judiciais proibindo o uso de máscaras em manifestações pacíficas tem sido contraditórias. No Rio de Janeiro o governo conseguiu extrair quase que a “forceps” por parte da justiça estadual uma liminar proibindo o uso de mascaras e dando autorização de revista e prisão de quem se recusa a retirar a máscara e a se identificar. Diferente foi a interpretação em Pernambuco e em São Paulo. Parece que este caso vai acabar no STF, para que de uma vez “por todas” interprete a Constituição e defina se o uso de mascara é um direito civil e em que extensão ou se deve ser criminalizado e banido do cenário politico brasileiro. Talvez esta questão acabe se inserindo no contexto da liberdade de rebelião de um povo contra governantes corruptos e prepotentes, ou da desobediência civil pacífica que tanto tem sido usada ao longo da história para promoverem mudanças que as elites e governantes de plantão não desejam ou permitam.

Enquanto os black bloc usam máscaras que tanta celeuma tem causado ultimamente, também as elites governantes usam as suas máscaras para dificultarem suas identificações por parte dos eleitores e contribintes como a corrupçao, a demagogia, a desonestidade, a incompetência, a falta de ética e de escrúpulos no trato da coisa pública, a mentira, o egoism, os privilégios, a intolerância, o uso da violência contra populações excluídas e indefesas, a incúria, a dissimulação e o engodo. Talvez essas mascaras que escodem a verdadeira face da ação política e a identidade de nossas elites também devessem ser  proibidas, principalmente em períodos eleitorias!  Vale a pena refletir sobre tudo o que está ocorrendo na atualidade brasileira, antes que seja tarde demais!

JUACY DA SILVA,  professor  universitário, titular e  aposentado UFMT, mestre em sociologia.  Blog www.professorjuacy.blogspot.com Email professor.juacy@yahoo.com.br Twitter@profjuacy