quinta-feira, 13 de setembro de 2018


ELEIÇÕES, UM PAÍS DIVIDIDO

JUACY DA SILVA

Estamos praticamente `as vesperas das eleições gerais de 2018. Em tres semanas mais de 147 milhões de eleitores irão escolher quem ocupará o Palácio do Planalto, os governos estaduais, dois terços do Senado, a Câmara Federal e as Assembléias Legislativas, enfim, definir quem serão os “novos” e futuros donos do poder no Brasil.

Nosso país está vivendo uma das fases mais complicadas de sua história, onde uma crise permanente, que vem de longa data, décadas, quase século, aprofunda cada dia mais os conflitos sociais, econômicos, politicos, ideológicos e culturais, além da dimensão ética, representada pela corrupção que passou a ser escancarada.

Pela primeira vez em nossa história, parcela dos donos do poder ou uma fração ou facção das elites do poder, representada por empresários, integrantes dos poderes Legilsativo e Executivo Federal, Estaduais e municipais, foram, estão ou serão investigados, condenados e presos por roubarem os cofres públicos.

Todavia, boa parte ou talvez a maior parte desses gatunos estão escapando dos tentáculos da Justiça, representados ultimamente pela LAVA JATO e suas co-irmãs em diversos estados. Nunca tantos politicos e empresários de prestígio foram presos e condenados, pouco importa se em primeira, segunda, terceira ou “quarta” instância.

Em decorrência, a pauta que definiu o clima pré-eleitoral foi o combate `a corrupcao. Mas como não se pode esperar que vampiro administre banco de sangue e nem que raposa cuide do galinheiro, parece que esta pauta não está mais como primeira na ordem do dia.

Para o povo, já acostumado com a roubalheira acobertada pelo manto da impunidade, do “foro privilegiado” e também em boa parte pela morosidade do Sistema judiciario, este será um eterno problema na sociedade brasileira, um cancer incurável.

Diante disso, outros problemas que mais de perto angustiam o povo passaram a ocupar a agenda dos candidatos, com destaque para a saúde pública, a educação, o meio ambiente, a segurança pública, o desemprego, os desníveis sociais, o endividamento das familias e outros mais. Todos, tratados com extrema superficialidade, propostas incoerentes ou impraticáveis. Em cada lugar os discursos dos candidatos atendem interesses de uma determinada platéia, falta, de fato um plano coerente, com propostas mais claras e detalhadas de como tirar o Brasil desta crise.

Para completar, as pesquisas de opinião, dos vários institutos tem demonstrado que com as decisões judiciais que impediram a candidatura de Lula, preferido da maioria dos eleitores, por estar condenado em segunda instância e preso, o candidato de extrema direita Bolsonaro, está praticamente consolidado na preferência de pouco mais de um quarto dos eleitores, com “passaporte” para o segundo turno.

Em segundo lugar aparecem embolados quatro candidatos, dois competindo para de fato chegar ao segundo turno e disputar com o capitão quem será o próximo presidente, que representam as esquerdas (Fernando Hadad e Ciro Gomes), e dois ojutros que representam posições mais de centro, e que estão sendo esmagados pelo radicalismo que parece, levará as eleições para no segundo turno, a serem definidas muito mais em termos ideológicos, irreconciliáveis, entre esquerda e direita, do que pode resultar uma eleição sem grande legitimidade.

Com certeza, em minha modesta opinião, independente dos resultados das urnas no primeiro  e segundo turnos, o Brasil vai iniciar 2019 muito mais dividido do que se encontra hoje, com uma crise muito pior do que estamos presenciando. Uma verdadeira bomba relógio está armada.

Nenhum dos Candidatos consegue pacificar o pais e como nenhum presidente eleito terá maioria no Congresso Nacional, pela prolifereção de partidos, a dispersão de votos em candidatos de partidos diferentes dos partidos que apoiam cada candidato, o resultado levará a necessidade do novo presidente "barganhar", enfim, montar seu balcão de negócios para definir seu ministério e conseguir apoio para as medidas que precisará tomar nos primeiros dias ou meses de governo e implementar seu plano de governo.

Para complicar, muitos deputados e senadores que estão sendo investigados por suspeitas de corrupção e também vários candidatos 'novos" que atualmente são deputados estaduais e ex governadores, que também estão neste grupo, inclusive um que acabou de ser preso esta semana, deverão ser eleitos e/ou reeleitos. Resultado, o novo presidente vai ter que 'negociar' com esta banda podre da politica e do Congresso Nacional, onde a corrupção e o fisiologisma são as marcas registradas desta vergonha nacional que é a politica suja, por maiores loas que alguns tecem a respeito de nossa democracia, bastante corroida pela corrupção, diga-se de passagem.

Enfim, não podemos depositar nossas fichas ou nossas esperanças em nenhum candidato como o SALVADOR DA PÁTRIA e nem acreditar nas promessas/propostas dos candidatos, pois uma coisa são os discursos e promessas de campanha e "planos" de governo, outra coisa é a realidade concreta, complexa, cheia de desafios e contradições, enfrentamentos e muitos conflitos, onde, por exemplo, as questões de raça, de genero, meio ambiente e econômicas são apenas alguns desses "fronts".
JUACY DA SILVA, professor universitário, aposentado UFMT,  mestre em sociologia. Colaborador e articulista de diversos veiculos de comunicação. Twitter@profjuacy Email professor.juacy@yahoo.com.br Blog www.professorjuacy.blogspot.com

sábado, 8 de setembro de 2018


ELEIÇÕES E A GRANDE ESTRATÉGIA

JUACY DA SILVA



Já está mais do que na hora dos candidatos  a  Presidente da República, irem mais a fundo em suas propostas, discutirem outros temas, como A QUESTãO DA DIVIDA PÚBLICA, matéria que saiu no G1 Globo de hoje, 07/09/2018,  informando, segundo dados do Governo Federal ao enviar o orcamento de 2019 ao Congresso Nacional que em 2020 a DÍVIDA PÚBLICA brasileira vai chegar a 80% do PIB, mas que, segundo os dados do FMI , na verdade já no ano que vem deve chegar a 92% do PIB.



Sobre este assunto e tantos outros temas super importantes como a questão ambiental, a educação, a saúde publica, a retomada do crescimento, o desemprego, a infra estrutura e logística nacional, a modernização da máquina pública, a indsutrialização, o desenvolvimento científico e tecnológico, uma nova matriz energética que dê ênfase para as fontes alternativas como energia solar, eólica e bio-massa e tantos outros, inclusive a própria segurança pública, os candidatos não falam nada ou apresentam apenas idéias vagas, desconexas, superficiais e simplistas, jamais dignas de um verdadeiro plano de govenro e de uma GRANDE ESTRATÉGIA e agora com este atentado contra um dos candidatos, parece que essas questões fundamentais que o pais está enfrentando vai para a lata do lixo. Se os debates já eram pobres a partir de agora vão se tornar mais medíocres.



Nenhum candidato e nenhum partido tem um planejamento estratégico, uma visão moderna e arrojada para o Brasil, a chamada GRANDE ESTRATÉGIA de longo prazo. O mesmo acontece quanto `as eleições para governador, onde as questões discutidas são extremamente vagas e, as vezes, substituidas por discursos de baixo nível, resvalando para ofensas pessoais e nada mais.



O Brasil e todos os Estados só  vão chegar a  um pais, estados, regiões desenvolvidos com sustentabilidade, mais justiça e melhor distribuição de renda e oportunidades , com maior peso geopolítico e estratégico a nivel mundial quando sucessivos governso buscarem a realizacao de uma GRANDE ESTRATÉGIA, que leve a um NOVO MODELO DE DESENVOLVIMENTO, como outros paises, como a China, os EUA, a Rússia, a Coréia do Sul, Índia,  Alemanha, o Japão e outros mais fizeram quando deram um salto qualitativo e atingiram novos patamares no contexto internacional.



Se continuarmos  com as mesmas mediocridades, em termos de “classe politica” e governantes, nenhum Salvador da pátria vai dar conta do recado, quando muito vai acertar a vida de uma minoria que está em seu redor ou `a camada social a que pertence, enfim, os marajás da República, enquistados nos tres poderes, nos estados e municipios.



“Independência ou morte”, assim bradou D. Pedro I, há 196 anos. Ante tanta violência que campeia abertamente e presenciamos em nosso país, estamos muito mais longe da independência  e mais pertos da morte, lamentavelmente. Talvez este possa ser um novo olhar para o que de fato entendermos por INDEPENDÊNCIA, comemorada pálidamente, nesta data de 07 de setembro de 2018.



JUACY DA SILVA, professor universitário, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia, articulista e colaborador de diversos veículos de comunicação. Email professor.juacy@yahoo.com.br Twitter@profjuacy Blog www.professorjuacy.blogspot.com



EDUCAÇÃO, VERGONHA NACIONAL

JUACY DA SILVA

Estamos há menos de um mês para a realização das eleições gerais quando 147,3 milhões de eleitores estarão aptos a escolherem quem irá dirigir os destinos do Brasil no plano federal e em todos os Estados e o Distrito Federal. Desses 147,3 milhões de eleitores, para vergonha de nossa tão propalada democracia corroida pela corrupção e pela mediocridade de nossos governantes, estão tambem incluidos 11,8 milhões de analfabetos e mais 38 milhões de analfabetos funcionais, que totalizam 33,8% de eleitores que ou não sabem ler e escrever ou mesmo tendo frequentado alguns anos de escola não conseguem entender um simples parágrafo.

Na 14a. Sessão da UNESCO em 26 de outubro de 1966, foi criado e aprovado o DIA INTERNACIONAL DA ALFABETIZAÇÃO, a ser “comemorando” , lembrado e relembrado por todos os países, no DIA 08 DE SETEMBRO DE CADA ANO, incluindo organizações governamentais e não governamentais de que a educação é o fundamento do desenvolvimento nacional e mundial, sem a qual bilhões de pessoas estarão sempre excluidas dos frutos deste desenvolvimento.

Se a educação é o fundamento ou condição básica para que um país rompa as amarras do atraso, da miséria, da desigualdade e possa dar um salto qualitativo que promova melhores condicçõs de vida, melhores oportunidades de trabalho e melhores salários no plano individual, a base da educação é a ALFABETIZAÇÃO, tanto no inicio do processo educacional quanto para atingir e possibilitar a inclusão de milhões de jovens, adultos e idosos, que com 15 anos ou mais são analfabetos ou analfabetos funcionais.

De acordo com dados recentes da UNESCO, no mundo existem 758 milhões de analfabetos, mas que devido a subnotificação de dados nacionais e a baixa qualidade das estatísticas em inúmeros países, este total pode ser aproximar a mais de 850 milhões de pessoas. China, Índia, diversos outros países na Ásia, Africa e América Latina, apesar dos “esforços” que vem sendo realizados para extirpar esta chaga que denigre em muito a imagem desses países, inclusive do Brasil, ainda estão muito longe de atingirem a meta de ALFABETIZAÇÃO Universal e ANALFABETISMO ZERO.

O progresso tanto em alfabetização de crianças quanto de adultos é a base de todo o processo educacional e, se não for feito corretamente ou se for negligenciado, afetará negativamente a vida do estudante, trazendo sérias consequências tanto em sua vida acadêmica quanto para sua inserção produtiva no Mercado de trabalho e para o desenvolvimento do país, principalmente nas áreas da ciência e tecnologia; do preparo da mão-de-obra, nos niveis de remuneração e distribuição de renda, enfim, será uma das causas do atraso em todas as áreas, que tão bem caracterizam os países sub desenvolvidos ou emergentes.

O analfabetismo no Brasil tem sido reduzindo ao longo das últimas decadas, mas de forma extremamente lenta e já foi objeto de inúmeros programas de governo como o MOBRAL e ultimamente o EJA – Educação de jovens e adultos. Nos anos que antecederam a intervenção militar, ou seja, governos Jânio Quadros e João Goulart, inúmeras iniciativas foram colocadas em prática, incluindo o Método PAULO FREIRE, que além da alfabetização se propunha a estimular o despertar da conscientização do alfabetizando, no caso, alfabetização de adultos. Em decorrência da controvérsia ideológica envolvendo não apenas o método em si, mas principalmente seu idealizador (Paulo Freire), que chegou a ser preso durante os primeiros anos dos governos militares e depois viveu muitos anos no exílio, os esforços governamentais foram reduzidos neste sentido. 

Na mesma época também houve uma experiência no âmbito estadual, no Rio Grande do Norte e também em Recife, com Aluísio Alves e Jarbas Maranhão, respectivamente, mas foram paralizados com a troca de governo e sua substituição pelo MOBRAL, programa idealizado pelos governos militares para dar conta deste desafio.

O Brasil em seu último plano nacional de educação estabeleceu que a taxa de analfabetismo em 2015 deveria ser de 6,5% e que a meta de ANALFABETISMO ZERO deveria ser alcançada em 2024. Todavia, as taxas de analfabetismo estão “congeladas” ou tem caido muito pouco nos ultimos anos. Em 2015 foi de 7,7%; 2016 caiu para 7,2% e no último ano chegou a 7,9%; isto significa que em tres anos a queda foi de apenas 0,7% ou uma queda anual de 0,23%.

Se este for o rítimo pelos proximos anos, o Brasil vai precisar de mais 30,4 anos para atingir a meta de analfabetismo zero, ou seja, apenas 2047, desde que todas as criancas em idade de inicio escolar estejam na escola e sejam, de fato, alfabetizadas, o que jamais acontecerá, considerando o descalabro em que se encontra a educacao brasileira, em todas as suas  fases ou niveis, descalabro este reconhecido até por diversos ministros da educação, como o atual.

A falta de valorização do corpo docente e demais trabalhadores em educação; a falta de investimento em infra-estrutura e recursos pedagógicos, em atividades de suporte a uma boa educação, incluindo alimentação escolar, transporte escolar, bibliotecas, laboratórios, além da corrupção que tem dominado esta área, praticamente em todos os Estados, sempre sujeita ao fisiologismo politico e o aparelhamento da adminisrração pública, indicam que vamos ter que “comemorar” por muitas e muitas decadas o DIA MUNDIAL DE COMBATE AO ANALFABETISMO.

Esta realidade é triste, é vergonhosa. Só existe uma certeza, com os governantes que temos em todos os niveis, do plano federal, passando pelos estados até chagar aos municipios, nosso pais esta fadado a estar sempre na “rabeira” dos rankings da UNESCO e outras organizações internacionais. Segundo a UNESCO, em 2016 entre 127 países o Brasil ficou em 88a posição, atraz até da Bolivia e que na mesma ocasião existiam mais de 700 mil crianças, em idade escolar, fora da escola e as taxas de analfabetismo em algumas regioões do Brasil e na área rural é superior a 28% da população com 15 anos e mais.

Sobre isto é o que devemos refletir neste 08 DE SETEMBRO de 2018, mais um DIA INTERNACIONAL DE COMBATE AO ANALFABETISMO, oxalá a população e os candidatos possam debater um pouco mais sobre esta realidade e buscarem um novo caminho que transforme esta realidade.

JUACY DA SILVA, professor universitário, titular, aposentado UFMT, mestre em sociologia, colaborador e articulista de diversos veiculos de comunicação. Email, professor.juacy@yahoo.com.br Twitter@profjuacy Blog www.professorjuacy.blogspot.com




quarta-feira, 5 de setembro de 2018


AS  ELEIÇÕES E A CRISE BRASILEIRA

JUACY DA SILVA

Muita gente imagina que eleições resolvem os problemas que afligem o país ao longo de décadas ou séculos ou que um Salvador da pátria deverá emergir das urnas e, como em um passe de mágica tudo estará resolvido. Isto é uma grande mistificação, uma falácia, um grande engodo que precisa ser analisado, debatido para que o povo não caia em verdadeiras armadilhas que favorecem apenas os donos do poder, como tem acontecido ao longo da história de nosso país.

Eleições em uma “democracia” corroida pela corrupção das elites governantes e empresariais, pelo fisiologismo, pelo nepotismo e pelos privilegios dos marajás da Repúbica enquistados nos tres poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário, em todos os estados e municipios jamais será a chave para que o país encontre seu verdadeiro destino que abra espaço para que as camadas excluidos possam também terem o seu quinhão nos frutos do desenvolvimento.

Precisamos de reformas e transformações profundas das estruturas que favorecem a concentração de renda, riqueza, privilégios e oportunidades, que alterrem radicalmente as estruturas politicas, econômicas e sociais; sem isso, cada eleição nada mais é do que um momento do despertar das esperanças do povo e, logo a seguir, voltar `as frustrações como temos vivido ao longo de tantas decadas. Por isso, precisamos refletir e conhecer melhor nossa história para deixarmos de ser enganados e manipulados por um marketing falacioso e oportunista.

A crise pela qual o Brasil vem passando e que a cada dia, cada ano se torna mais grave e quase insolúvel vem de longe. Basta olharmos para nossa história e vamos perceber que a mesma é pontuada por diversos momentos críticos e extremamente grave como o atual.

Dentro de pouco mais de uma década estaremos “comemorando” um século da chegada de Getúlio Vargas ao poder  e, desde entao, nosso país vem vivendo “crises em cima de crises” ou “crises dentro da crise”. Se assim acontece podemos identificar, por exemplo, a constituinte de 1934 com uma constituição liberal, rompendo com as amarras da República Velha, da politica do café com leite; seguida de uma grande frustração nacional quando da decretação do Estado Novo, a ditadura civil, com apoio das Forças Armadas, que vigorou de 1937 até 1945, com a queda de Getúlio Vargas.

A seguir, o Brasil vive um periodo de relativa estabibilidade politica com o governo do GENERAL/MARECHAL Dutra e o retorno de Vargas nos braços do povo, com sua eleição “democrática” e um novo periodo populista do antigo ditador, cujo governo acabou sendo fustigado pelas acusações de corrupção, cuja crise que levou o velho ditador e o tão aclamado “pai dos pobres”  ao suicidio, em 24 de Agosto de 1954, seguindo-se um arremedo de crise que foi “pacificada” com a eleição de JK e seu governo desenvolvimentista e toda a farra/corrupção quando da construção de Brasília.

O Governo JK, apesar de sua característica pessoal de um presidente extremamente habilidoso e conciliador, não evitou algumas tentativas de golpe por parte dos militares, como aconteceu com as “rebeliões” de Aragarças e Jacareacanga.

Empunhando a Bandeira do combate `a corrupcao, cujo símbolo era a vassoura, demonstrando a vontade de varrer todas as safadezeas, mau uso do dinheiro público, enfim, a corrupção que corria solta pelo Brasil afora, como nos dias de hoje, Jânio Quadros saiu-se vitorioso em sua cruzada, muito parecida com a atual, em tempos de LAVA JATO.

Como mais um politico populista, moralista e extremamente demagogo Jânio Quadros foi eleito, recebendo votos de todos os espectros do eleitorado e, como naquela época os eleitores votavam tanto para presidente quanto para vice presidente da República separadamente, foram eleitos Jânio com apoio da UDN  e João Goulart, herdeiro politico de Getúlio Vargas, representando o movimento trabalhista/sindical ligado ao PTB e tambem as velhas oligarquias rurais/latifundiários que eram representada pelo PSD, antecessoras do atual agronegócio. Um casamento bastante extranho que todo mundo sabia que não iria dar certo, como de fato não deu.

Com menos de oito meses de governo, de forma repentina, enquanto o vice Joao Goulart estava visitando a China, no dia 25 de Agosto de 1961, DIA DO SOLDADO, Jânio Quadros abalou o Brasil com sua renúnica, abrindo novamente uma crise politica-militar com a tentativa das forcas conservadoras de impedirem a posse do vice presidente, acusado de comunista, levando o país `a beira da Guerra civil.

Como soe acontecer, a superação temporária da crise se deu por um pacto entre as elites do poder, atraves da castração dos poderes do vice- presidente com a “aprovação” do parlamentarismo, que só ajudou a prolongar por alguns anos a crise.

João Goulart recuperou seus plenos poderes presidenciais atraves de um plebiscite que revogou o regime parlamentarista, retornando o Brasil, novamente ao regime presidencialista, só que o conflito ideológico a cada dia se apresentava de forma mais aguda, culminando com a derrubada de Goulart e o a intervenção militar em 31 de março de 1964, cuja história e estorias são bem mais conhecidas pela população.

Depois de 21 anos no poder, desgastados por uma série de problemas politicos, economicos,  institucionais, internos e internacionais e a pressão das massas que lutavam pelo  fim do regime militar, o país deu um passo com vistas `a superacao de sua crise permanente, isto ocorreu através da eleição indireta de Tancredo Neves e José Sarney, antigo presidente do PDS, aliado dos militares.

Com a morte de Tancredo Neves, assume o poder o agora democraca Sarney que aceita convocar uma Assembléia Nacional Constituinte, abrindo “mão” de um ano de seu mandato que era de seis anos, em nome da “pacificação nacional”, que, muitos imaginavam viria com a nova Constituição cidadã, como a denominava Ulysses Guimarães, ao lado de inúmeras figuras de renome e das massas populares que clamava nas ruas por DIRETAS JÁ, cujo símbolo tambem é identificado em Dante de Oliveira.

Voltarei  sobre este assunto proximamente.

JUACY DA SILVA, professor universitario, aposentado UFMT, mestre em sociologia. Articulista e colaborador de diversos veiculos de comunicacao. Email professor.juacy@yahoo.com.br Twitter@profjuacy Blog www.professorjuacy.blogspot.com

quinta-feira, 30 de agosto de 2018


PROMESSAS ELEITORAIS E “FAKE NEWS”

JUACY DA SILVA

Há alguns meses a Justiça Eleitoral vem martelando em um tema, na verdade muito importante, mas que corre o risco de desviar a atenção dos eleitores, que é a questão das noticias falsas ou na versão em inglês, “fake news”, que tem como objetivos de lançar dúvidas ou fatos inverídicos, imputando-os a outros candidatos, denegrindo ou desconstruindo suas imagens.

Todavia, existe um outro tipo de “fake news” que sempre, de longa data, por décadas a fio; fazem parte das campanhas eleitorais, são as falsas promessas, as meias verdades ou mentiras com o intuito de enganar o eleitor e conseguir os votos necessários para serem eleitos. Costuma-se dizer que durante as campanhas eleitorais se conseguirmos “contabilizar” quanto custa realmente para realizar todas as promessas de cada candidato ou de todos, o PIB do Brasil e os orçamentos federal, estaduais e municipais deveriam ser dezenas de vezes o que realmente são, Talvez maior do que a economia chinesa, da uniao européia ou dos EUA.

Prometer o que na verdade todo mundo sabe que jamais irá ser realizado, além de estar revestido de muita demagogia, deveria ser considerado crime eleitoral, pois esta forma de conseguir o apoio e o voto da população, principalmente da grande maioria que vive na miséria, em meio ao caos de todos os serviços públicos, em um país com mais de 14 milhões de desempregados; mais de 15 milhões de subempregados; mais de 63,5 milhões de pessoas endividadas, com nome sujo na praça;  com mais de 62 mil assassinatos  e mais de 150 mil estupros por ano, com uma emenda constitucional que limita os gastos públicos por quase dez anos no futuro, com o objetivos de “equilibrar” os orçamentos públicos; com uma divida pública federal que em julho último atingiu R$3,75 trilhões, praticamente 75% do PIB e que apenas para sua rolagem são necessários 44% do orcamento da União, além de que há tres anos e por mais tres o Governo Federal trabalha com um deficit que tem variando entre R$139 bilhões a uma previsao de mais de R$220 bilhões de reais para 2019, é algo semelhante ao que fez o comandante do Titanic, determinando que a banda tocasse bem alto para “entreter” os passageiros enquanto aquele gigante transatlantico naufragava, ia para o fundo do mar. Em 2018 o Governo federal irá gastar R$1,6 trilhões com juros, amortização e “rolagem” da divida publica federal, além do gigantestco deficit pública, sobra o que para todos os demais setores?

O Brasil, devido `as diversas crises que vem enfrentando há anos, com destaque para a crise econômica, financeira, politica, social, ética e moral passa por um momento crucial de sua história. Boa parte da chamada classe politica, dirigentes partidários, gestores públicos e empresários de peso, são investigados por corrupção, alguns poucos estão presos e a grande maioria continua no poder, protegidos pela impunidade, pela morosidade do Sistema judiciário e por um Sistema de controle que além de lento,  tambem tem em seus quadros o virus da corrupção, como acontece com vários tribunais de contas estaduais como de MT e RJ  e da União.

Ao ouvirmos os candidatos apresentarem seus “planos” de governo ou lermos suas “propostas” e confrontarmos tais promessas de campanha com a realidade fiscal, orçamentária, economica e social do pais, a grande maioria dessas propostas carecem de um detalhamento mais profundo, incluindo, dizer aos eleitores quanto custa para a realização das mesmas, quais são as prioridades , em quanto tempo irao ser realizadas e de onde virá o dinheiro/recursos para a sua concretização.

É um desrespeito `a inteligencia dos eleitores dizer que “ vamlos investir pesado” em infra estrutura ou outros setores, quando existem centenas de obras federais, estaduais e municipais paralisadas há anos no país, onde centenas de bilhões de reais ou dólares foram “enterrados” e não tem como sair desta situação, a não ser investindo muitos outros bilhões, como acontecem com o VLT em Cuiabá, a transposição do Rio São Francisco ou as obras dos complexos petroquímcos do Rio de Janeiro ou de Pernambuco, para destacarmos apenas algumas dessas obras, quando constatamos que no Orçamento Geral da União foram destinados menos de 1% do referido orcamento para obras de infra estrutura em anos recentes.

Nem tapa buraco, sinalização, fiscalização , balanças nas suas rodvias o Governo Federal e os governos estaduais conseguem fazer. Em 2018, com o “congelamento” dos gastos públicos o OGU – orcamento geral da união destina 44% para pagamento de juros, amortização e rolagem da divida publica federal; 22,5% para a previdência; 10,2%  para transferências aos estados e municipios; apenas e tão somente 3,3% para a educação; 4,2% para a saúde; 2,2% para o trabalho; 0,4% para a SEGURANÇA PÚBLICA; 1,7% para a defesa nacional; 3,2% para assistência social; 0,04% para SANEAMENTO; 0,1% para organização e REFORMA AGRÁRIA; 0,1% para gestão ambiental; 0,3% para ciência e tecnologia; 0,1% para habitação; o,05% para cultura e 0,04% para a “garantia dos direitos dos cidadãos”.

Nenhum candidato fala como realmente vai cumprir suas promessas quando todos sabemos que os orcamentos para 2019 e anos seguintes já estao engessados e definidos, sujeitos a crise que estamos vivendo, mas que nos discursos dos candidatos tudo parece ser simples de se resolver. Estamos muito mais proximos de uma Venezuela do que de uma China. Nossos politicos e camada dirigente, enfim, os verdadeiros donos do poder, são exínimos na arte da mentira, da demagogia, da incompetência em termos de gestão pública, enfim, se isto tudo não é “fake news”, precisamos buscar outro nome para esta verdadeira arte de enganar o povo durante os períodos eleitorais.

Ai surge a pergunta, de onde esses candidatos irão “tirar” o dinheiro para cumprirem suas promessas? Com certeza essas promessas e “planos” de governo não passam de uma grande enganação e por isso, uma desmoralização para o que imaginamos seja uma democracia.

JUACY DA SILVA, professor universitario, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia. Articulista e colaborador de diversos veiculos de comunicacao. Email professor.juacy@yahoo.com.br Twitter@profjuacy Blog www.professorjuacy.blogspot.com

domingo, 26 de agosto de 2018


A SOCIEDADE DO BEM VIVER !

JUACY DA SILVA

Bom dia minha amiga, meu amigo, parentes e familiares.

Desejo a cada um ou uma de voces um domingo radiante, não importa se com sol ou com chuva, com calor ou com frio, com paz e alegria, o importante é que todos passamos saber que a cada dia as esperanças de uma vida melhor, mais digna, de um país melhor, enfim, de um mundo melhor possam brotar em cada coração ao redor deste planeta.

Com certeza a vida, para alguns/algumas, é uma longa caminhada, em que o “peso” da idade ou das doenças, do sofrimento nos acompanham. Para outros esta caminhada pode ser bem mais curta, mas mesmo assim, com muitos ensinamentos e muita ternura.

Nesta caminhada, ao nascermos, chegamos sozinhos ou sozinhas neste planeta, que está sendo destruido de forma impiedosa pelas ações humanas ou desumanas, mas encontramos tantas pessoas maravilhosas, sejam nossos pais, familiares, amigos/as. Ao longo da jornada `as vezes ou qusse sempre nos separamos, em cada encruzilhada tomamos caminhos diferentes, pode ser algum dia que vamos nos encontrar novamente ou nunca mais, aí, restam apenas as lembranças. Afinal, a vida é a “arte” dos encontros e desencontros, das alegrias e das tristezas, das descobertas e das perdas, mas existe uma única certeza: a vida continua e por isso não podemos deixar de lutar e agradecer a Deus, aos santos, aos anjos e arcanjos ou a qualquer outra divindade que cada um tem a liberdade e o direito de acreditar, por tudo o que temos, que somos e que realizamos.

Para que a vida tenha sentido e seja plena, precisamos cultivar sentimentos nobres como o amor ao próximo/a; a gratidão pela vida e pelas pessoas que temos ao nosso redor, o perdão a quem, um dia, possa ter nos ofendido, a solidariedade e  a fraternidade em relacão `as pessoas que, as vezes, estão sofrendo muito mais do que a gente, acometidas por doenças incuráveis, degenerativas, em um leito ou corredor de hospital, em uma prisão; “perdidadas” na solidão e no isolamento físico ou emocional; no fundo do poço atraves do uso e abuso de drogas ou prestes a cometerem suicídio, a compreensão, a tolerância em relação `as pessoas que são diferentes de nós, que pensam, sentem ou agem de forma diferente, enfim, devemos e podemos fazer a nossa parte para que o mundo seja melhor, menos violento, menos preconceituoso, menos materialista, onde alguns tem tudo e milhões ou bilhões de pessoas nada tem, nem mesmo um trapo para cobrir sua nudez, um abrigo contra as intempéries do tempo ou um prato de comida para saciar a fome, precisamos, com urgência, ser menos egoistas, só assim podemos devolver a alegria de viver a quem já tenha perdido todas as esperancas.

Ao longo de nossa jornada precisamos ser mais samaritanos e socorrer as pessoas que estão `a margem do caminho (da sociedade) implorando por nossa compreensão, nossa atencao, nossa solidariedade e nosso apoio concreto!

Por tudo isso, precisamos agir para que, de fato, o amor, a justiça, a compaixão, o altruismo e a solidariedade/fraternidade sejam nossos fundamentos para, juntos, construirmos a SOCIEDADE DO BEM VIVER e do BEM COMUM.

QUE NESTE DIA VOCE POSSA ESTAR MUITO FELIZ, MERECIDAMENTE
Gaittersburg, M

quarta-feira, 22 de agosto de 2018


LULA É O PREFERIDO DOS BRASILEIROS

JUACY DA SILVA

Impressionante. Mesmo estando preso há varios meses, sem poder aparecer na mídia, sem poder se comunicar diretamente com os eleitores, mesmo tendo sido condenado em segunda instância por acusação, ainda sem provas cabais, segundo sua defesa, o ex presidente Lula tem aparecido na dianteira em todas as pesquisas de opinião pública, de todos os institutos que se dedicam ao mister de sondar o que vai na cabeça dos eleitores.

Com certeza, todas as pesquisas de opiniao pública, quando bem feitas, com o devido rigor metodológico, estatístico e científico serve de base, como uma amosta, para que sejam feitas deduções do universo total, no caso, o número total de eleitores no Brasil.

Para que a amostra das pesquisas sirvam de base para essas conclusões, a mesma deve ter idêntica proporcionalidade que as características do universo para o qual se pretende concluir. Este rigor metodológico precisa, deve e é acompanhado pela Justiça Eleitoral para evitar que instituições fajutas e a serviço deste ou daquele candidato possam usar dados mentirosos para manipular o inconsciente coletivo do eleitorado.

Feitas essas ressalvas, a pesquisa feita pelo IBOPE, um conceituado instituto de pesquisa nacional, ao lado de outros que, com certeza, já estao em campo coletando dados e dentro de poucos dias ou semanas devem também apresentar seus resultados, constata-se o que todo mundo sabe de cor e salteado, os brasileiros, de norte a sul, de leste a oeste, de ambos os sexos, de diferentes estratos econômicos e sociais, com excessão das elites e da classe media alta, de todos os niveis de escolaridade, com excessão da minoria que tem curso superior, enfim, as massas já decidiram que seu candidato a Presidente da República é LULA.

Com excessão de Bolsonaro que já atingiu seu patamar superior de preferência, nunca tem passado de 20% ou 22%, mesmo quando Lula não faz parte da sondagem/pesquisa, os demais candidatos, de grandes partidos como o PSDB, com apoio do DEM e outros mais; do MDB, da Rede de Marina Silva, ou os demais nanicos, tem um desemprenho mediocre, todos abaixo de 10% da preferência dos eleitores e pelo menos seis ou sete com apenas 1% ou praticamente zero.

Na última pesquisa divulgada pelo IBOPE em 28 de junho, antes de os partidos e colegações escolherem e registrarem seus candidatos, Lula tinha 33%, Bolsonaro 15% e Marina Silva 7%. Na atual pesquisa, onde aparecem apenas os candidatos com pedidos de registro no TSE, Lula sobe para 37%, um ponto a mais do que o dobro da soma dos cinco seguintes, pela ordem Bolsonaro 18%; Marina Silva 6%;  Ciro Gomes e Alkmin com 5% cada e Álvaro Dias com apenas 3%.

Dos demais, apenas tres tiverem 1% cada e outros tres não pontuaram, ou seja, zero %. A soma de quem disse que votaria em branco, nulo, não sabia ou não respondeu foi de 22%, maior do que Bolsonaro que há meses esta “estacionado” em segundo lugar e com índices de rejeição aumentando e elevados.

A preferência dos entrevistados pelo IBOPE por LULA é clara em todos os segmentos considerados: Homens 35%; mulheres 39%; todas as faixas etárias de eleitores: 16 a 24 anos 45%; 25/34 anos 37%; 35/44 anos 35%; 45/54 anos 35% e acima de 55 anos 33%. Quando a variável é renda Lula tem a prefêrencia disparada em todos os extratos, com excessão de quem ganha mais de 5 salários mínimos; o mesmo acontece nos diferentes niveis educacionais, entre as pessoas que tem apenas até 4 anos de escolaridade Lula é o preferido por 51% dos entrevistados, 44% por quem tem até 8 anos de escolaridade e 35% entre os que tem nível médio e empata com o segundo colocado entre os eleitores de nível superior com 23%, com o destaque de que apenas 12% da população brasileira tem nível superior e apenas 15% da populacao ganha mais de 5 salários mínimos, no Nordeste Lula é o preferido de 60% dos entrevistados, continua em primeiro lugar no sudeste, norte e centro-oeste, so fica em segundo lugar na região sul.

Como o espaco deste artigo é limitado, citarei apenas tres outras variáveis: Religião, entre os catolicos Lula é o preferido por 45%, o triplo de Bolsonaro; evangélicos 31%; outras religiões 35%. Entre negros e pardos Lula chega a 44% e entre Brancos 26%, sempre á frente dos demais candidatos

Quando o nome de Lula fica fora da pesquisa, os demais candidatos não sobem muito nas escolhas. Bolsonaro ganha 2%; Marina dobra e vai para 12% e os demais aumentam entre 1% e 4%. E os entrevistados que irão votar em branco, nulo ou não irao votar sobe de 22% para 38%.

Pelos resultados desta pesquisa, pode-se notar que se em uma democracia a voz do povo é a voz de Deus e que cabe a maioria decidir quem deva ser escolhido livremente, impedir que Lula seja candidato será na verdade um golpe contra a vontade popular e uma aberração jurídica, ante, por exemplo, a última decisão da primeira turma do STF de manter José Dirceu e Genu livres da prisão até que o STJ ou o STF julgue em definitivo o caso do ex presidente.

Este tema ainda vai dar muito pano para mangas!

JUACY DA SILVA, professor universitario, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia, articulista e colaborador de diversos veiculos de comunicacao. Email professor.juacy@yahoo.com.br Blog www.professorjuacy.blogspot.com Twitter@profjuacy