terça-feira, 16 de outubro de 2018


DIREITA, VOLVER!

JUACY DA SILVA

Os resultados do primeiro turno das eleições gerais de 2018 tem deixado analistas, institutos de pesquisas, dirigentes partidários, acadêmicos, enfim, estudiosos da dinâmica politica brasileira um tanto estupefactos ou atarantados.

Alguns analistas e profissionais da mídia falam em um verdadeiro “tsunami” na politica brasileira, com a derrota de velhos caciques que durante decadas, alguns com quase meio século de vida pública, verdadeiros donos de currais eleitorias e de cadeiras cativas no Senado, na Câmara Federal e nas Assmelbéias Legislativas foram vergonhosamente derrotados nas urnas.

Parece que os eleitores, de forma anônima, deram cartão vermelho para velhas raposas,  boa parte ou talvez a maioria desses politicos e de outros que escaparam por pouco da guilhotina eleitoral, fazem parte de suspeitos e investigados por corrupção ou pertencem a grupos que são acusados de corrupção ativa e passiva, enriquecimento ilícito, formação de quadrilha e com alta probabilidade, ao perderem a impunidade e o foro privilegiado, poderão ter o mesmo destino de outros politicos que estão trancafiados, longe do convívio politico, social e econômico da vida nacional.

Outro aspecto desta onda foram as derrotadas dos chamados partidos de centro ou o “centrão”, incluindo os tucanos (PSDB), MDB, DEM e alguns outros de seus satélites. Comparados os desempenhos, por exemplo, da ex presidente Dilma, do atual senador e futuro deputado federal Aécio Neves nas últimas eleições em 2014, tanto a derrota de Dilma para o Senado em Minas Gerais quanto a pífia votação de Geraldo Alkmin quanto de Henrique Meireles, foi possivel perceber que os mesmos foram deixados `a propria sorte por seus correligionários, traidos como se chegou a dizer de forma aberta.

Outra particularidade deste primeiro turno foi o derretimento de Marina Silva, que passou de mais de 20 milhões de votos há quatro anos quando quase  chegou ao segundo turno contra seus poucos mais de um milhão de votos, metade da votação de Janaina Paschoal, do PSL,  eleita como a deputada estadual em São Paulo, com mais de dois milhoes de votos, a mais votada na história do Brasil.

A busca de um consenso como alternativa de centro para evitar a radicalização entre esquerda e direita, mesmo com o empenho de Ciro Gomes, de Geraldo Alkmin, Meirelles e outros candidatos fracassou de forma clara. Os eleitores preferiram os extremos, com Bolsonaro representando as forças de direita, os conservadores como a opção mais provável no segundo turno, a não ser que ocorra outro tsunami no segundo turno e Fernando Hadad, que representa a esquerda,venha a ser o vitorioso, realidade pouco provável.

Além do DEM, MDB e PSDB, que em passado recente eram os partidos que representavam os interesses do mercado, das forcas conservadoras, também o PT e alguns de seus aliados, principalmente o PCdoB, perderam espaço no Congresso Nacional. O espaco antes ocupado pelos partidos de centro deverão ser ocupados  de forma avassaladora pelo PSL um partido nanico até a presente legislatura e que a partir de 2019 deve ser a segunda força na Câmara Federal.

Com o advendo da cláusula de barreira diversos partidos nanicos devem desaparecer e ou seus parlamentares eleitos deverão migrar para outros partidos. As perspectivas, devido ao fisiologismo que é a marca registrada da politica brasileira, a maioria desses parlamentares devem aumentar as fileiras do PSL, partido de Bolsonaro e outros que deverão ser seus aliados no Congresso.

Dificilmente os partidos de esquerda, mesmo com o bom desempenho do PSB, deverão ter número de deputados e senadores para barrarem o rolo compressor da direita tanto no Congresso Nacional quanto nas Assesmbléias Legislativas, incluindo a de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Nota-se perfeitamente não apenas uma polarização entre esquerda e direita na politica brasileira a partir deste segundo turno e com mais ênfase a partir de 2019, mas sim, uma guinada avassaladora das forças de direita, incluindo empresários e a classe media, servidores públicos graduados e os marajás da República nos tres poderes, no MPF/MPE que, com excessão do Nordeste e do Pará e da populacao pobre, deverão mudar as pautas da vida nacional, estimulando, ainda mais não apenas os conflitos ideológicos, mas principalmente a violência politica nos próximos anos, incluindo as eleições municipais de 2020, onde esquerda e direita voltarão a se enfrentar em verdadeiras lutas fratricidas.

Quem viver verá.

JUACY DA SILVA, professor universitário, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia, articulista e colaborador de diversos veiculos de comunicação. Email professor.juacy@yahoo.com.br Twitter@profjuacy Blog www.professorjuacy.blogspot.com

segunda-feira, 1 de outubro de 2018


IDOSOS E DIREITOS HUMANOS

JUACY DA SILVA

Existe uma parcela bem grande de pessoas, no Brasil, inclusive um certo candidato que defende posturas conservadoras e de extrema direita, que confundem direitos humanos com a defesa pura e simples de bandidos. Esta é uma visão equivocada de quem não estuda as questões politicas, sociais e econômicas e não sabe que a ONU tem um setor o Conselho dos Direitos Humanos, para cuidar exatamente dos direitos fundamentais das pessoas e que existe um documento aprovado quando do surgimento da ONU em 1948, denomiando de Declaração Universal dos Direitos Humanos,  e que o Brasil, além de ser signatário da Carta da ONU  tem por obrigação cumprir tratados internacionais aprovadas pela referida organização, inclusive tratados sobre direitos humanos. Ninguém que aspira a ser presidente do Brasil deveria falar que, se eleito, vai acabar com os direitos humanos, isto é uma ofensa ao ordenamento jurídico internacional e um total desrespeito `a dignidade e direitos fundamentais das pessoas.

No dia 14 de dezembro de 1990 a Assembléia Geral da ONU, com o voto favorável do Brasil, aprovou uma resolução estabelecendo que todos os anos, a partir daquela data, 01 DE OUTUBRO passaria a ser considerado o DIA INTERNACIONAL DA PESSOA IDOSA, a ser “comemorando” por todos os paises e estados-membros da ONU e também por outras organizações internacionais, nacionais, incluindo ONGs e entidades representativas da sociedade civil organizada.

A cada ano é escolhido um tema para que sirva de reflexão sobre a importância das contribuições que as pessoas idosas já fizeram ou ainda continuam fazendo para seus países, suas familias e para a sociedade em geral e que, ao se encaminharem para a etapa final da vida, precisam ser respeitadas, reconhecidas em sua dignidade e terem seus direitos básicos e fundamentais respeitados por todos, inclusive seus governantes, direitos esses que devem servir de base para a definição de politicas públicas, programas, projetos e ações de governo.

Entre os direitos básicos e fundamentais das pessoas idosas podemos destacar: o direito `a vida, o direito `a saúde, o direito a cuidados especiais quando as condições físicas, mentais e emocionais impedem que as pessoas idosas cuidem sozinhas de sua sobrevivência e as rotinas do dia-a-dia; direito `a proteção social e econômica representada pela aposentadoria e pensão, que garantam uma renda minima para viverem, direito ao transporte coletivo, direito a uma alimentação saudável; direito ao lazer compatível com a faixa etária e condições físicas e mentais, direito de serem felizes, apesar do processo de envelhecimento.

O tema do DIA INTERNACIONAL DA PESSOA IDOSA em 2018 reflete esta dimensão da necessidade de se respeitar e reconhecer as contribuições que os idosos fizeram e continuam a fazer na defesa dos direitos humanos em geral e dos próprios idosos em particular. Este tema indica o alcance desta luta: “Celebremos os mais idosos, campeões lutadores pelos direitos humanos”, ou em ingês “ Celebrating  older human rights champions”.

Só para termos uma ideia do abandono e descaso que os países, inclusive o Brasil, tem em relação aos idosos. De acordo com dados da OIT – Organização Internacional do Trabalho, organismo da ONU responsável por cuidar da questão do trabalho, emprego, desemprego e temas correlatos, em 2015 apenas 27% dos idosos no mundo, com 65 anos e mais tinham alguma cobertura previdenciária.

No Brasil em 2005 apenas37,3% dos idosos não tinham nenhuma cobertura previdenciária. Esta parcela aumentou para 46,8% em 2015 e as previsões indicam que em 2030, pouco mais de 60% dos idosos não estarão cobertos pela previdência. Para uma população idosa de 42,8 milhões de pessoas, estaremos diante de uma parcela consideravel de idosos, 25,7 milhões que estarão vivendo na pobreza e pelo menos 30% (7,7 milhões ) dos idosos que estarão na condição de pobreza absoluta ou extrema pobreza, esses serão os idosos miseráveis propriamente ditto, totalmente excluidos, vivendo no abandono total.

Com certeza a situação atual dos idosos no Brasil e as projeções indicam que uma parcela considerável da população, milhões de pessoas que não gozam de condições mínimas de vida e não tem sua dignidade, enquanto pessoas humanas respeitada, vale dizer, os direitos humanos dos idosos tanto no mundo quanto e, principalmente, no Brasil não tem sido respeitados.

Ainda temos uma grande caminhada pela frente e só com muita luta vamos conseguir que os direitos básicos e fundamentais das pessoas idosas sejam respeitados em sua integralidade, aqui vale tambem a assertiva “nenhum direito a menos”.

Esta deve ser a reflexão que devemos fazer neste 01 de Outubro de 2018, DIA INTERNACIONAL DA PESSOA IDOSA. Vamos pensar nisso, principalmente neste momento em que estamos indo `as urnas para escolher Presidente da República, Governadores, Senadores, Deputados Federais e Estaduais.

Apenas “uma pergunta quer não calar”, será que esses candidatos tem propostas concretas para a definição de politicas públicas voltadas para a pessoa idosa e que garantam a defesa dos direitos humanos desta parcela tão esquecida da populacao brasileira? Ou apenas idéias vagas, superficiais, demagógicas, abraços e tapinhas nas costas das pessoas idosas que ainda são eleitores e eleitoras? Se voce, mesmo não sendo idoso/idosa, mas se preocupa com o presente e futura de nossa gente, pense nisso quando for apertar as teclas da urna eletrônica.

JUACY DA SILVA, professor univeresitário, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia, articulista e colaborador de diversos veiculos de comunicacao. Email professor.juacy@yahoo.com.br Twitter@profjuacy Blog www.professorjuacy.blogspot.com

quinta-feira, 27 de setembro de 2018


O AVANÇO DA DIREITA NO BRASIL

JUACY DA SILVA

Estamos `as vésperadas da tão aclamada “maior festa da democracia”, quando depositamos muitas esperanças nas eleições de 07 e 28 de Outubro próximo, quando mais de 147 milhões de eleitores, talvez bem menos, devido `as abstenções, votos brancos/nulos, irão eleger o novo Presidente da República, Governadores de Estados, dois terços dos Senadores, todos os Deputados Federais e Estaduais, enfim, a nova configuração dos donos do poder e dos marajás da República.

As eleições de 2018 devem marcar e já estão marcando uma nova configuração politica, muito diferente do que foram as eleições de 2002; 2006; 2010 e 2014, quando o embate foi sempre entre a social democracia (PSDB) e seus aliados do centro e da direita, contra o PT e seus aliados de centro-esquerda, trabalhismo e esquerda, propriamente dita.

Em 2018, desde antes da condenação e Prisão de Lula, ou mais precisamente, quando o PMDB rompeu com o governo de coalização de Dilma Roussef e contribuiu decisivamente para seu impeachment, possibilitando a chegada de Michel Temer ao Planlto, o outrora todo poderoso dono do PMDB, hoje MDB, cujo governo, aos olhos do povo tem sido muito pior do que de sua antiga aliada e antcessora tanto em termos de corrupção quanto da mediocridade de gestão, principalmente nos aspectos macro econômicos. A prova disso é que o candidato do MDB a presidente da República, banqueiro Henrique Meirelles, que deixou um mandato de deputado federal eleito pelo PSDB de Goiás, para  ser o todo poderoso Presidente do Banco Central durante 8 anos do Governo Lula, o mesmo governo que tantos partidos de centro, direita e trabalhistas mamaram e hoje execram de forma desavergonhada, não passa de 2% ou 3% nas pesquisas eleitorais.

Devido ao rompimento da aliança PT/PMDB e o impeachment de Dilma, abriu-se um espaço para que na recomposição do novo Governo, o PSDB voltasse a participar do poder com a indicação de diversos ministros e outros cargos, ou seja, a mesma aliança que sustentou o famigerado governo FHC, PSDB/PMDB  e outros partidos satélites do centro e da direita, acabaram se corporificando no governo fraco e desacreditado de Temer, levando de roldão, ladeira abaixo tanto o PSDB quanto MDB, DEM, PP, PR e outros aliados do governo.

Não é sem razao que a candidatura de Geraldo Alkmin, que já governou por tres vezes o Estado de São Paulo, que tem o maior peso politico, eleitoral e econômico do Brasil, onde os tucanos reinam há quase 30 anos; tem tido um desempenho ridículo, pífio nas pesquisas, inclusive em seu proprio estado. Os eleitores do PSDB, do PMDB, DEM e outros partidos de centro simplesmente “migraram” para o candidato de extrema direita Bolsonaro, que é líder das pesquisas e que, se Alkmin não crescer e retomar seus eleitores do passado,  jamais chegará ao segundo turno, podendo pendurar a chuteira definitivamente.

O avanço da direita só não tem sido maior devido as declarações estapafúrdias, autoritárias e preconceituosas de Bolsonaro, o que poderiam ser denominadas de “direita chulcra”, ou burra, por não conseguir polir com um certo verniz propostas tresloucadas; razão pela qual nas últimas semanas o crescimento dos índices de rejeição do candidato da extrema direita tem sido maiores do que seus índices de preferência  entre os eleitores.

Enquanto isso, o candidato do PT, que tem o apoio declarado de LULA, que mesmo preso e impedido de se comunicar pessoalmente com os eleitores é o maior cabo eleitoral de Fernando Hadad, que tem crescido de forma avassaladora no Nordeste e também de forma consistente em todas as demais regiões, todos os estratos sociais e demográficos, razão pela qual passou a ser alvo de ataques ferozes tanto por parte de Bolsonaro, quanto de Alkimin, Ciro Gomes e até da combalida Marina Silva.

Com a desindratação e esvaziamento da candidatura de Marina Silva, que há quatro anos quase chegou ao segundo turno, só cedendo este lugar a Aécio Neves na última semana que antecedeu o pleito de 2014, deve terminar a corrida eleitoral talvez com menos de 5%, o mesmo que poderá acontecer com Ciro Gomes, que no periodo de pré-campanha cortejou Lula na vã esperança de herdar seu espólio, que acabou ficando mesmo com Fernando Hadad.

O que a última pesquisa do IBOPE desta semana (24/09/2018) indica é que Bolsonaro está empacado há tres semanas, Hadad cresce aceleradamente nesta reta final,  Ciro Gomes e Alkimin continuam patinando; Marina Silva já foi para o Espaço, só ela não percebe e os demais candidatos continuam na categoria de azarões, mas nanicos. Todos esses deverão aproveitar o balcão de negócio eleitoral e “vendererm” o apoio para os candidatos que chegarem ao segundo turno. Cabe a pergunta, será que esses candidatos tem domínio ou propriedade sobre as escolhas de seus eleitores do primeiro turno?

Em 2014, Marina Silva, antes uma petista de primeira grandeza  não titubeou em apoiar Aécio e hoje recebe o troco de seus eleitores que consideraram que aquele apoio foi mais uma vingança ou traição `as suas origens.

Assim, o embate nessas eleições, principalmente ou talvez exclusivamente para Presidente da República, deverá ficar entre esquerda x direita, com os dois lados afirmando piamente que serão vitoriosos. Como a escolha é excludente, resta apenas aguardar os resultados das urnas e ver para que lado os ventos da democracia irão soprar, se para a esquerda ou pra a direita e a partir daí qual o futuro que nos espera.

Em minha modesta opinião, pela gravidade e complexidade da crise brasileira, em todas as suas dimensões, nenhum SALVADOR DA PÁTRIA, vai tirar o Brasil desta enrascada e dependendo do estado de ânimo, da radicalização politica e ideológica, poderemos inicar em 2019 uma nova etapa, talvez com extrrema violência, inclusive violência politica ou até mesmo um golpe de estado, com sérias e nefastas consequências para nosso país e para a população. Quem viver verá.

JUACY DA SILVA, professor universitário, aposentado UFMT, mestre em sociologia, articulista e colaborador de diversos veiculos de comunicação. Email professor.juacy@yahoo.com.br Twitter@profjuacy  Blog www.professorjuacy.blogspot.com


segunda-feira, 24 de setembro de 2018


COMO NASCEM AS DITADURAS E OS REGIMES TOTALITÁRIOS

JUACY DA SILVA

Mais uma reflexão sobre o que acontecia na Europa nos anos trinta do século passado, no alvorecer do nazi-facismo, quando Hitler e Mussolini faziam dos discursos de ódio, do preconceito, do anti-semitismo, do racismo, da intolerância, da nacionalismo e da VIOLÊNCIA POLÍTICA, primeiro nas palavras, depois nas ações.

Os resultados todos sabemos, mais de 30 milhões de pessoas mortas, a destruição de um continente, os horrores da Guerra, os campos de concentração e a omissão de quem poderia ter barrado o avanço dessas idéias tresloucadas, que, apesar de tudo isso, ainda hoje tem seus seguidores mundo afora, inclusive no Brasil.

O importante tambem é lembrar que Hitler chegou ao poder na esteira do caos economico na Alemanha e através de eleições, consideradas então livres, mas conduzidas no calor das emoções e bem longe da razao, ou seja, apesar de louco Hitler foi escolhido pelo povo. Isto pode ser objeto de nossa reflexão a cada momento sobre as “excelências” da democracia e dos processos eleitorias, nem sempre a gente imagina o que os eleitos podem fazer depois de vitoriosos.

As vezes estamos mais preocupados e mais maravilhados com a tecnologia empregada nas eleicoes do que com os fundamentos de nossas escolhas ao apertarmos o botãozinho das famosas urnas eletrônicas ou máquinas de votar. Estamos trocando o fundamento pela forma.

No caso da Alemanha, o interessante é que tudo aquilo era camuflado em idéias e ideais nobres como defesa da Pátria, da Família, da Religião, do mercado e tantos outros ideais que eram caros e importantes para os europeus, mas que apenas escondiam uma agenda occulta de totalitarismo, xenofobismo, racismo, intransigência e ódio. Isto é a base do que passou a ser denominado de extrema direita, que também tem um verniz de socialismo, dai o nome do partido de Hitler NACIONAL SOCIALISMO.

Aqui na América do Sul também estamos assistindo os resultados desta forma de alcançar o poder, com o CORONEL DO EXÉRCITO HUGO CHAVES, que assumiu o Governo na Venezuela como o SALVADOR DA PÁTRIA, mudou a Constituição várias vezes e deixou como herança ao morrer o seu pupilo NICOLÁS MADURO que continuou sua obra de destruição do país, chegando ao  nível que hoje bem conhecemos.

Sempre é bom lembrarmos que nunca é tarde para interromper a marcha de pessoas com idéias tresloucadas, extremadas de intolerância, preconceitos, racismo, xenofobismo. Os resultados com certeza podem ser a destruição da democracia, das liberdades individcuais e coletivas e o aumento da violência de toda ordem, principalmente da VIOLÊ NCIA POLÍTICA, na forma de VIOLÊNCIA DO ESTADO, com métodos e práticas que bem conhecemos.

Sempre é bom ouvirmos os candidatos, suas idéias, seus discursos, como tratam as mulheres, os negros, os desempregados, as minorias, as mães solteiras, os idosos, os deficientes, os trabalhadores, os empresários, as religiões e tantas outras questões que afligem o povo brasileiro, como a corrupção, a violência, o Estado, a democracia, os privilegios dass elites e marajás da República, as desigualdades sociais e econômicas, as questões ambientais, afinal, em cada eleição estamos passando uma procuração para alguém nos representar ao chegarem ao poder e nos defender, e este ato não pode ser simplesmente uma “procuração em branco”, com todos os poderes que no futuro podem se voltar contra a democracia e o próprio povo.

Esta reflexão escrita há quase 90 anos para descrever o que acontecia na Europa, também pode ser bem atual para o Brasil `as vesperas das Eleições de 07 de Outubro proximo. Primeiro levaram os negros, mas não me importei com isso, eu não era negro. Em seguida levaram alguns operários, mas não me importei com isso, eu também não era operário Depois prenderam os miseráveis, mas não me importei com isso porque eu não sou miserável Depois agarraram uns desempregados, mas como tenho meu emprego, também não me importei Agora estão me levando, mas já é tarde.

JUACY DA SILVA, professor universitario, aposentado UFMT, mestre em sociologia, articulista e colaborador de diversos veiculos de comunicacao. Email professor.juacy@yahoo.com.br Blog www.professorjuacy.blogspot.com twitter@profjuacy

quarta-feira, 19 de setembro de 2018


PESQUISAS ELEITORAIS: PARA QUE SERVEM?

JUACY DA SILVA

A presença de pesquisas eleitorais é um fato existente em todos os países democráticos, onde as eleições são realizadas de forma periódica para possibilitar que os eleitores possam melhor  escolher seus governantes.

Essas pesquisas, para que sejam verdadeiras, devem obedecer a metodologia própria das ciências humanas e sociais, sejam elas quantitativas ou qualitativas e tem por objetivos possibilitar aos partidos, coligações ou equipes dos candidatos conhecerem as intenções dos eleitores e, a partir desse conhecimento da realidade, permitir aos mesmos traçarem suas estratégias de convenciamento dos eleitores e/ou desconstruirem a imagem de seus adversários.

Enquanto alguns institutos de pesquisas divulgam de forma ampla seus resultados, para que também os eleitores possam definir suas escolhas, mudando, inclusive de opção de voto no futuro, os partidos e equipes de campanha de candidatos realizam as chamadas pesquisas qualitativas, ouvindo pessoas que possam indicar como captam a realidade e quais os fatos ou fenômenos que podem interfeier nas preferências dos eleitores.

No Brasil existem alguns institutos de pesquisa de opinião que gozam de credibilidade por parte da sociedade, principalmente pelos “acertos” que conseguem em suas previsões, a partir das tendências observadas ao longo de uma série histórica, geralmente diversos meses ou semanas antes dos pleitos e tambem a chamada “pesquisa de boca de urna”.

Os principais institutos de pesquisas eleitorais no Brasil são o Datafolha; o IBOPE, o Vox Populi, o CNT/MDA que, `a medida que as eleições se aproximam passam a ter uma periodicidade semanal, ajudando, assim tanto os eleitores quanto os candidatos, partidos e suas equipes de coordenação e também seus marqueteiros, procurando reforçar ou mudar algumas estratégias para conseguir alavancar melhores  índices ou evitar falhas que possam comprometer uma possivel vitória.

É importante salientar que não se pode comparar numericamente ou aritiméticamente pesquisas de diferentes institutos, os numeros são diferentes a cada momento, afinal, as pesquisas representam uma fotografia da cabeca do eleitor, caso a eleição fosse realizada no dia da entrevista. Mas mesmo assim, pode-se captar as tendências, que acabam sendo bem parecidas independente dos institutos, desde que a metodologia seja científica, ou seja, que a amostra/pesquisa represente fielmente os diversos estratos sociais, econômicos, demográficos ou regiões do país.

Ao longo do periodo da pré campanha tivemos alguns fatos significativos, os chamados “fatos portadores de futuro”, que, ao acontecerem podem mudar, as vezes radicalmente o ânimo dos eleitores e alterar não apenas os resultados das pesquisas mas também os resultados das eleições propriamente ditas.

O primeiro fato foi a prisão do ex presidente Lula, considerado um verdadeiro mito, quase imbativel em todas as pesquisa realizadas antes de abril. Coube ao PT traçar e colocar em curso uma estratégia, que alguns já sabiam era impossivel, visto que a candidatura do mesmo seria barrada pela Justiça eleitoral, por ter sido condenado e “enquadrado” na Lei da Ficha Limpa, sendo susbtituido na úndecima hora pelo candidato a vice escolhido na convenção do partido.

Antes disso, as pesquisas perscrutavam para quem iria o espólio de Lula, se para Marina, Ciro Gomes ou para Fernando Hadad que todos sabiam seria o candidato real do PT. Como Marina apoiou Aécio Neves no segundo turno da última eleição presidencial em 2014 e depois apoiou  o impeachment de Dilma e disse várias vezes que a prisão de Lula era justa, jamais iria receber votos de petistas ou simpatizantes de Lula, apesar de ter sido do PT, ministra de Lula e já ter participado de campanhas presidenciais anteriormente.

Ao longo do último mes, em todas as pesquisas de todos os institutos Marina Silva simplesmente “desindratou” como alguns dizem e os ultimos resultados de pesquisas do Datafolha e IBOPE desta semana demonstram que ela está em queda livre e deverá, com alta probabilidade, terminar no grupo de candidatos que chegam ao máximo a 5% ou 6% dos votos. Cabe apenas a indagação, para quem irão os votos de Marina no segundo turno? E os de Ciro Gomes?

Outro fato “portador” de futuro foi a facada, atentado, contra o candidato de extrema direita  Bolsonaro, de forma bastante açodada muitas pessoas, inclusive jornalistas e analistas politicos falaram abertamente que a facada iria projetar o candidato na condição de vítima e ele poderia até vencer no primeiro turno. Ledo engano, o seu crescimento foi pífio e além disso sua rejeição continua alta e subindo bastante em algumas regiões e segmentos.

O terceiro fato foi a definição de Fernando Hadad como candidato do PT a Presidente da República, em poucos dias, praticamente uma semana o mesmo disparou na preferência de largas camadas de eleitores indicando que está em asccensão, herdou os votos de Lula e deverá chegar ao segundo turno, deixando para traz Ciro Gomes e Geraldo Alkmin, que também estao “estáveis” com tendência de queda acentuada nas próximas pesquisas.

Em decorrência, tanto a equipe de Fernando Hadad quanto de Bolsonaro  já começam a refletir e traçar  estratégias voltadas ao segundo turno, a busca de apoio e alianças com outros partidos e candidatos que ficarão pelo caminho. Para isso as próximas pesquisas serão fundamentais.

Vislumbra-se, para o segundo turno, um embate entre extrema direita e esquerda, onde os eleitores de centro devem ser o fiel da balança.

JUACY DA SILVA, professor universitario, aposentado UFMT, mestre em sociologia, colaborador de diversos veiculos de comunicacao. Email professor.juacy@yahoo.com.br Twitter@profjuacy Blog www.professorjuacy.blogspot.com

quinta-feira, 13 de setembro de 2018


ELEIÇÕES, UM PAÍS DIVIDIDO

JUACY DA SILVA

Estamos praticamente `as vesperas das eleições gerais de 2018. Em tres semanas mais de 147 milhões de eleitores irão escolher quem ocupará o Palácio do Planalto, os governos estaduais, dois terços do Senado, a Câmara Federal e as Assembléias Legislativas, enfim, definir quem serão os “novos” e futuros donos do poder no Brasil.

Nosso país está vivendo uma das fases mais complicadas de sua história, onde uma crise permanente, que vem de longa data, décadas, quase século, aprofunda cada dia mais os conflitos sociais, econômicos, politicos, ideológicos e culturais, além da dimensão ética, representada pela corrupção que passou a ser escancarada.

Pela primeira vez em nossa história, parcela dos donos do poder ou uma fração ou facção das elites do poder, representada por empresários, integrantes dos poderes Legilsativo e Executivo Federal, Estaduais e municipais, foram, estão ou serão investigados, condenados e presos por roubarem os cofres públicos.

Todavia, boa parte ou talvez a maior parte desses gatunos estão escapando dos tentáculos da Justiça, representados ultimamente pela LAVA JATO e suas co-irmãs em diversos estados. Nunca tantos politicos e empresários de prestígio foram presos e condenados, pouco importa se em primeira, segunda, terceira ou “quarta” instância.

Em decorrência, a pauta que definiu o clima pré-eleitoral foi o combate `a corrupcao. Mas como não se pode esperar que vampiro administre banco de sangue e nem que raposa cuide do galinheiro, parece que esta pauta não está mais como primeira na ordem do dia.

Para o povo, já acostumado com a roubalheira acobertada pelo manto da impunidade, do “foro privilegiado” e também em boa parte pela morosidade do Sistema judiciario, este será um eterno problema na sociedade brasileira, um cancer incurável.

Diante disso, outros problemas que mais de perto angustiam o povo passaram a ocupar a agenda dos candidatos, com destaque para a saúde pública, a educação, o meio ambiente, a segurança pública, o desemprego, os desníveis sociais, o endividamento das familias e outros mais. Todos, tratados com extrema superficialidade, propostas incoerentes ou impraticáveis. Em cada lugar os discursos dos candidatos atendem interesses de uma determinada platéia, falta, de fato um plano coerente, com propostas mais claras e detalhadas de como tirar o Brasil desta crise.

Para completar, as pesquisas de opinião, dos vários institutos tem demonstrado que com as decisões judiciais que impediram a candidatura de Lula, preferido da maioria dos eleitores, por estar condenado em segunda instância e preso, o candidato de extrema direita Bolsonaro, está praticamente consolidado na preferência de pouco mais de um quarto dos eleitores, com “passaporte” para o segundo turno.

Em segundo lugar aparecem embolados quatro candidatos, dois competindo para de fato chegar ao segundo turno e disputar com o capitão quem será o próximo presidente, que representam as esquerdas (Fernando Hadad e Ciro Gomes), e dois ojutros que representam posições mais de centro, e que estão sendo esmagados pelo radicalismo que parece, levará as eleições para no segundo turno, a serem definidas muito mais em termos ideológicos, irreconciliáveis, entre esquerda e direita, do que pode resultar uma eleição sem grande legitimidade.

Com certeza, em minha modesta opinião, independente dos resultados das urnas no primeiro  e segundo turnos, o Brasil vai iniciar 2019 muito mais dividido do que se encontra hoje, com uma crise muito pior do que estamos presenciando. Uma verdadeira bomba relógio está armada.

Nenhum dos Candidatos consegue pacificar o pais e como nenhum presidente eleito terá maioria no Congresso Nacional, pela prolifereção de partidos, a dispersão de votos em candidatos de partidos diferentes dos partidos que apoiam cada candidato, o resultado levará a necessidade do novo presidente "barganhar", enfim, montar seu balcão de negócios para definir seu ministério e conseguir apoio para as medidas que precisará tomar nos primeiros dias ou meses de governo e implementar seu plano de governo.

Para complicar, muitos deputados e senadores que estão sendo investigados por suspeitas de corrupção e também vários candidatos 'novos" que atualmente são deputados estaduais e ex governadores, que também estão neste grupo, inclusive um que acabou de ser preso esta semana, deverão ser eleitos e/ou reeleitos. Resultado, o novo presidente vai ter que 'negociar' com esta banda podre da politica e do Congresso Nacional, onde a corrupção e o fisiologisma são as marcas registradas desta vergonha nacional que é a politica suja, por maiores loas que alguns tecem a respeito de nossa democracia, bastante corroida pela corrupção, diga-se de passagem.

Enfim, não podemos depositar nossas fichas ou nossas esperanças em nenhum candidato como o SALVADOR DA PÁTRIA e nem acreditar nas promessas/propostas dos candidatos, pois uma coisa são os discursos e promessas de campanha e "planos" de governo, outra coisa é a realidade concreta, complexa, cheia de desafios e contradições, enfrentamentos e muitos conflitos, onde, por exemplo, as questões de raça, de genero, meio ambiente e econômicas são apenas alguns desses "fronts".
JUACY DA SILVA, professor universitário, aposentado UFMT,  mestre em sociologia. Colaborador e articulista de diversos veiculos de comunicação. Twitter@profjuacy Email professor.juacy@yahoo.com.br Blog www.professorjuacy.blogspot.com