segunda-feira, 15 de janeiro de 2018


AS MÚLTIPLAS FORMAS DA VIOLÊNCIA:

1. A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

JUACY DA SILVA

Dando continuidade `as reflexões sobre o tema da Campanha da Fraternidade deste ano que é a superação da violência, é importante e fundamental que se possa perceber a violência como um fato social complexo, cujas origens, manifestações, formas, causas e consequências diferem historica, cultural, temporal, econômica, politica e socialmente.

Diante de uma realidade tão complexa, não se pode ter a ingenuidade de que existe uma fórmula mágica para resolver o problema em todas as suas dimensões. É importante que se faça uma análise a partir de cada dimensão e que as ações também sejam realizados de forma coerente, integradas e jamais compartimentadas, isoladas ou de forma descontínua.

Podemos também identificar os espaços ou territórios, para usar uma linguagem atual e muito em voga, onde a violência se manifesta e como esses espaços estão interrelacionados ou superpostos tornando o problema mais complexo ainda, principalmemnte pelos atores ou agentes envolvidos. Muitas vezes a vítima de uma forma de violência também é agente  que pratica outros atos de violência contra outras pessoas e, desta maneira, se forma uma teia que facilita a reprodução da violência de forma generalizada, o que caracteriza a chamada “cultura da violência”, onde todos estamos inseridos, sem  excessão.

O primeiro espaço onde a violência está presente e , muitas vezes de forma oculta e dissimulada , é a familia. Estudos indicam que os índices de violência doméstica é muito maior do que as denúncias feitas perante organismos públicos, principalmente junto aos organismos de saúde, policiais e de defesa dos direitos humanos.

Aqui cabe um destaque, tem muita gente que confunde o conceito de direitos humanos com a defesa pura e simples de bandidos, quando na verdade direitos humanos são os direitos fundamentais de todas as pessoas, incluindo a vida, a liberdade de ir e vir, liberdade de expressão, liberdade de opção sexual, liberdade de crença, liberdade para ter uma vida digna, liberdade de a  pessoa não sofrer discriminação, ser maltratada, liberdade para buscar ser feliz, sem que isto prejudique o próximo. A superação da violência pressupõe a garantia e a defesa integral dos direitos humanos.

Pois bem, a violência doméstica se manifesta na forma como os pais tratam, cuidam e criam seus filhos e filhas. É comum, não apenas no Brasil como também em diversas países, que pais espanquem filhos/as, sejam extremamente autoritários, violentos em suas relações. Existe muita violência tanto dos pais quanto das mães em relação aos filhos, inclusive uma forma dissimulada de violência que é o abandono, a negligência ou até mesmo atos de violência fisica e psicológica, incluindo assassinatos.

Tais práticas irão moldar o caráter e a personalidade da criança  e adolescente e acompanha-las pelo resto da vida, vários estudos indicam que crianças e adolescentes que sofrem maus tratos, sofrem violência doméstica se tornam adultos também violentos e irão reproduzir os memos modelos ou padrões de relações familiares quando adultos; é o que podemos dizer como “reprodução da violência”, culturalmente, geração após geração.

De forma semelhante as noticias e estudos indicam que, no caso brasileiro, por exemplo, existe um alto grau de violência contra a mulher, a chamada violência de gênero, onde boa parte desta violência tem suas raizes históricas e culturais, pelo machismo que está na base da formação cultural de nosso país, onde ao homem, ao marido, companheiro, amante, namorado é dado o direito de posse em  relação `a mulher, inclusive seu corpo. Por muitas décadas ou séculos a sociedade brasileira e ainda isto está presente nos dias de hoje, tolera inúmeros crimes contra a mulher em nome da “defensa da honra”, tanto em relação `a esposa quanto `as filhas.

Essas são as raizes do feminicidio, dos estupros, das agressões, dos assassinatos com requinte de crueldade contra mulheres e meninas indefesas, tanto na dimensão da violência doméstica quanto na violência contra as mulheres em espaços publicos, que é o círculo ampliado do universo da violência.

No contexto da violência domética existe também a violência sexual, que não pode e nem deve ser negligenciada, principalmente de pais, padrastos, parentes próximos contra criancas e adolescdentes, principalmente contra meninas, as vezes com tenra idade. Há casos de volência sexual até mesmo contra bebes e criancas com menos de quatro ou cinco anos, uma verdadeira aberração em se tratando de violência contra seres humanos indefesos.

Outra forma de violência doméstica muito frequente são as agressões, por vezes até fatais, de irmãos e irmãs entre si ou de filhos e filhas contra pais e mães, inclusive quando esses são idosos e acabam sendo vitimas indefesas de seus próprios familiares, em um ambiente que deveria primar pelo amor, carinho e compreensão mútua entre seus membros.

Portanto, se desejarmos superar a violência precisamos repensar as nossas relações familiares e subsituir a brutalidade, o autoritarismo, a perversidade, os maus tratos, as agressões físicas, verbais ou psicológicas pelo diálogo, pela solidariedade, pela compreensão mútua, pelo amor, pelo perdão e pela reconciliação, ensinamentos sagrados constanets, principalmente, do Novo Testamemento da Bíblia Sagrada, fonte única da fé cristã.
Não existe sociedade que busque a paz se no seio das famílias existe uma verdadeira guerra que é a violência doméstica, que se manifesta nas formas de violência de gênero

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018


CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2018

JUACY DA SILVA

Este ano a Campanha da Fraternidade, realizada pela Igreja Católica, aprofundará a reflexão e discussão de um tema importante e um dos mais sérios desafios que o Brasil e a população em geral enfrentam neste momento. O tema da Campanha será Fraternidade e a superação da violencia e o lema “Em cristo somos todos irmaos”, realidade esta que deverá ser analisada a partir da Doutrina Social da Igreja, com aportes de estudos científicos relacionados ao tema. Em 1983, a CNBB também inseriu este mesmo desafios em sua CAMPANHA DA FRATERNIDADE com o tema “Fraternidade e violencia” e o lema “Fraternidade sim, violencia não”. E desde então a questao da violencia esteve presente de forma direta ou indireta em todas as demais campanhas. Nesses 35 anos que separam as duas campanhas, uma verdadeira tragédia vem ocorrendo em nosso país. Segundo dados do Mapa da Violência e outras fontes, foram assassinadas no Brasil 1,4 milhões de pessoas, além de varios milhoes de roubos, assaltos, sequestros, estupros e outros atos de violencia que deixam a população, principalmente as camadas mais pobres e excluidas `a merce desta insegjurança total.Para que este desafio, a onda de violência e de insegurança que assola o país de norte a sul, de leste a oeste, nas grandes metrópoles, cidades médias ou pequenas, possa ser enfrentado com seriedade e de forma eficaz, precisamos estimular a participação das pessoas nesta discussão e na apresentação de propostas concretas que sirvam de base para a ação de governo.

Como a campanha da Fraternidade abrange dezenas de milhares de Arquidioceses, Dioceses, prelazias, paroquias, comunidades locais e milhões de pessoas, além de diversas instituições públicas e organizações não governamentais, este é um momento mais do que oportuno para que este tema faça parte da agenda de discussão de nosso país, a comecar pelas paróquias e comunidades de base, onde de fato o povo vive, sofre e esperneia ante o caos dos serviços públicos, como saúde, segurança pública, saneamento básico e educação, dentre  outros.

Além disso, como este será um ano de eleições gerais, para Presidente da República, Governadores, Senadores, Deputados federais e estaduais, todos ávidos por apresentarem seus “planos” e propostas para solucionarem os grandes desafios nacionais, este tambem é um momento apropriado para que os partidos politicos e os candidatos dediquem uma atenção maior para que a questão da violência seja um ponto central das propostas e sugestões para políticas públicas nesta área.

Só vamos superar a questão da violência quando for feito um correto diagnóstico da situação e elaborados planos nacionais, estaduais, municipais e locais de segurança pública, tendo a integração entre os diversos níveis de poder e de governo e o compartilhamento das responsabilidades e recursos necessários para que o Brasil possa enfrentar de verdade o problema da violência em todas as suas dimensões e variantes.

Portanto, a CAMPANHA DA FRATERNIDADE  de 2018, será um bom momento e uma ótima iniciativa para que população discuta, reflita de forma crítica e criadora e ajude a encontrar as saidas para este desafio.

Não podemos deixar apenas nas “mãos” dos governantes e politicos a solução desses grandes desafios nacionais, principalmente se considerarmos o descrédito, a demagogia, a corrupção e fisiologismo que tem marcado o cenário politico e administrativo de nosso pais, além do preceito constitucional de que o poder emana do povo, ou seja, o povo, os eleitores e contribuintes são a única fonte do poder!

JUACY DA SILVA, professor universitário, aposentado UFMT, mestre em sociologia, articulista e colaborador de jornais, sites, blogs e outros veiculos de comunicação. Email professor.juacy@yahoo.com.br Twitter@profjuacy Blog www.professorjuacy.blogspot.com 





COMO SUPERAR A VIOLÊNCIA?

JUACY DA SILVA

Em boa hora a CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil definiu que o tema da Campanha da Fraternidade de 2018 seria, novamente, o aprofundamento das discussões, análise e busca de solução ou formas de superação para um dos ou talvez o maior drama que não apenas o mundo em geral, mas o Brasil em particular está enfrentando.

Ao longo das últimas tres, quatro ou cinco decadas, portanto, há praticamente meio século a violência tem sido um dos temas mais estudados e debatidos em todos os países, incluisive no Brasil. Em todas as universidades, públicas ou privadas, surgiram e continuam surgindo núcleos ou setores voltados ao aprofundamento deste tema. Com certeza milhares de teses, dissertações de mestrado, doutorado ou monografias em cursos de especialização tem surgido com o objetivo de melhor compreender as origens, a dinâmica, as formas e consequência da violência em nosso pais.

A CNBB, seguindo metodologia própria, destaca tres momentos ou tres etapas na busca do conhecimento para implementar as ações visando superar ou enfrentar problemas que surgem na sociedade, sempre tendo como parâmetro as sagradas escrituras/Biblia Sagrada, principalmente o Novo Testamento; a Doutrina Social da Igreja e documentos emanados dos Papas como Encíclicas, Cartas Apostólicas, Exortações e outros mais. O método utilizado pela Igreja  destaca esses tres momentos ou etapas: VER, JULGAR  e AGIR.

No Caso presente da CF -Campanha da Fraternidade 2018, em que o tema é a  superação da violência, o VER se desdobra em tres dimensões:a) identificar as múltiplas formas da violência no Brasil, a partir da realidade local, das paroquias e comunidades, agregadas, posteriormente, para a realidade diocesana, arquidiocesana e/ou regional; b) a violência como Sistema, ou seja, como historicamente a violênca em todas as suas formas tem surgido e evoluido em nosso pais, qual a relação entre violencia e os modelos de desenvolvimento pelos quais o Brasil tem passado desde o período colonial, império, república, as formas de ocupação do território e assim por diante; c) a violência no Brasil atual, com destaque nos ultimos cinco ou dez anos.

O JULGAR , é o momento em que, de posse das informações, incluindo dados estatísticos, relatos escritos ou relatos orais, tentamos compreender a questão da violência em suas diferentes formas ou manifestações, utilizando, com  certeza, os aportes científicos das diversas áreas do conhecimento como psicologia, psiquiatria, sociologia, direito, antropologia, economia, gestão pública e outras contribuições mais. Todavia, o julgar, no caso da CF e da CNBB, só pode ser a partir do prisma religioso, fundamentado  nos ensinamentos da Igreja, com realce ou destaque  para as tres dimensões: paz, justiça, inclusive justiça social e reconciliação.

Finalmente, o AGIR, ou seja, o que fazer para buscarmos a tão sonhada superação da violência que está destruindo pessoas, destruindo lares e famílias, destruindo comunidades e destruindo o país, deixando na esteira desta destruição muita dor, muita angústica, muito sofrimento e muito custo econômico, financeiro, psicológico, humano e a perda de gerações inteiras que vivem  sem esperança de um futuro , um mundo e um país melhores.

Neste aspecto particular do AGIR, é também importante uma visão global e ao mesmo tempo compartilhada, no sentido de que não cabe a Igreja, seja a Católica ou de qualquer outra denominação, pretender ocupar os espaços que cabem, por responsabilidade, ao Estado, aos poderes publicos, `as universidades, as demais organizações não governamentais e nem mesmo o papel e o espaço que cabem `a familia e outras organizações como entidades sindicais ou partidos politicos.

Na busca da compreensão, do aprofundamento das análises e na elaboração dos planos, programas, projetos e ações para enfrentar os desafios das diversas formas de violência que existem em nosso país, é importante que haja integração de esforços, de recursos humanos, econômicos, financeiros e orçamentários para que os resultados sejam alcançados.

A primazia das ações cabe com certeza ao Estado, afinal é o Estado ou seja, os organismos públicos quem tem o chamada monopólio da violência, o poder de policia. É o Estado, através dos poderes legislativos Federal (Câmara Federal, Senado e Congresso), estaduais (Assembléias Legislativas) e Municipais (Câmaras municipais), quem tem o poder de legislar, elaborar, mudar, e criar novas Leis, definindo os limites das ações individuais e as penalidades para quem transgride as leis e normas sociais.

É também o Estado quem cria, aumenta e cobra impostos, tributos, taxas e contribuições para custear as ações públicas e manter em funcionamento seus aparatos repressivos, as forcas policiais e o Sistema judicial e também as políticas públicas. Não tem sentido jogar para os cidadãos a responsabilidade das ações que cabem, precipuamente ao Estado ou seja aos poderes públicos, nas diversas áreas e desafios que o país enfrenta e ao mesmo tempo continuar o Estado abocanhando quase 38% de tudo o que a população produz, para alimentar uma máquina falida, corrupta e dominada pelo fisiologismo e privilégio das elites, donas do poder.

É neste contexto, que precisamos comecar a participar, refletir e contribuir para que a CF 2018 possa trazer uma luz a um tema tão atual, tão complexo e que tanto faz a população sofrer.

O assunto continua nos próximos artigos.

JUACY DA SILVA, professor universitário, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia, articulista e colaborador de jornais, sites, blogs e outros veiculos de comunicação. Email professor.juacy@yahoo.com.br Blog www.professorjuacy.blogspot.com Twitter@profjuacy

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017


QUE VENHA 2018 E COM ELE UM NOVO TEMPO!

JUACY DA SILVA

Estamos a poucos dias ou poucas horas para encerrar o ano de 2017 e iniciarmos um novo ano. Que 2018 seja um ano de renovadas esperanças, muita luta e inúmeras  vitorias, tanto no plano pessoal, familiar e também na dimensão nacional e mundial.

Precisamos virar algumas páginas da  história de nosso Brasil, páginas essas manchadas pela incúria de governantes incompetentes e corruptos; por uma violência que não dá sossego e nem  tréguas a milhões de famílias; pelo caos que domina os serviços públicos, com destaque para a saúde, a educação e a segurança pública; pelo desemprego e subemprego que angusitiam mais de 25 milhões de pessoas; pelas altas taxas de sonegação, inúmeros favores e privilégios a grupos minoritários que mandam e desmandam na politica, na economia e na administração pública de nosso país e pelo cinismo de boa parte da classe politica que prima suas ações pelo fisiologismo, pelo compadresco e pelas mutretas que usufruem, sob o manto da impunidade representada pelo famigerado FORO PRIVILEGIADO.

Como 2018 será um ano de eleições gerais, oxalá os eleitores possam dar um cartão vermelho para politicos corruptos, incompetentes, inescrupulosos e possamos renovar os quadros dirigentes de nosso pais e de nossos estados. Para tanto é fundamental não perdermos a esperança, jamais.

Por mais escura que seja a noite, por mais tenebrosas que sejam as tempestades, sempre existe a esperança de um novo amanhecer, radiante e iluminado pelo sol da verdade, da solidariedade e da justiça!

Esses são os meus votos a todos os parentes, amigos e amigas neste raiar de um novo ano.

Abracos e fiquemos todos e todas com a proteção de Deus e que Ele se apiede do povo brasileiro!


REFORMA DA PREVIDÊNCIA, UMA GRANDE FARSA!

JUACY DA SILVA

Quem ouve o presidente Temer e mais ultimamente seu ministro, deputado licenciado Marun, do PMDB/MS, com suas costumeiras bravatas, secundados, juntamente com outros politicos e ministros que não gozam do apoio da opinião pública, como as recentes pesquisas vem demonstrando, quase que acaba sendo convencido/a de que o único problema ou o problema mais grave que nosso país enfrenta é a “crise da previdencia”, o que não deixa de ser uma grande farsa.

O Brasil só chegou a esta crise forjada e manipulada pela incúria de sucessivos governos, que há mais de setenta anos, dilapidaram o patrimônio da previdência e dos trabalhadores.  Durante quatro ou cinco decadas, desde a sua criação até meados dos anos setenta, a previdência e a seguridade social apresentavam “superavit”, ou seja, o Caixa da previdencia e da seguridade estavam sempre no “azul”, por uma simples razão, milhões de trabalhadores contibuiam, com sua parcela deduzida do salário e também da parcela que sempre coube ao empregador, para alimentar o Caixa da previdência e o número de aposentados era relativamente pequeno.

Como sempre acontece com todos os Sistemas previdenciários, que devem ser considerados como uma poupança para ser usada quando os trabalhadores e beneficiários da previdência chegam `a idade de se retirar do Mercado de trabalho e se aposentam, esta popupança, que deve ir sendo acumulada e gerida de forma correta, autuária e contabilmente, que esses recursos vultuosos não pertencem a este ou aquela governo, mas a quem vai se aposentar em um determinado tempo no future e ser investido de forma correta e rentável, principalmente emu ma economia desorganizada e afetada por altas taxas inflacionárias como a brasileira ao longo de décadas.

Desde o seu inicio o Sistema previdenciário foi “desenhado” ou planejado para ser tripartite, ou seja, o Sistema previdenciário deveria ter como fonte de recurso, para compor este fundo, as deduções que os empregadores devem fazer sobre o salario dos trabalhadores, que no inicio era de apenas 6%; o dobro do valor desta contribuição que seria de responsabilidade do empregador e  mais um percentual que deveria ser aportado pelo governo, tanto da união, quanto dos estados e também dos municípios, constantes dos respectivos orçamentos, tendo como receita determinadas fontes e alíquotas criadas em Leis.

Quando aos trabalhadores do setor público, como o empregador é o próprio governo, o Sistema não tinha como ser tripartite e caberia aos entes publicos, União, estados e municípios tanto aportarem as duas partes correspondentes ao governo quanto ao empregador. Ora, se o governo não coloca a sua parte ou se considera esta sua parte para o sustento da previdência publica como apenas “despesa” jamais a conta vai fechar.

O mesmo acontece com a previdencia dos militares, tanto das forcas armadas quanto das policias militares dos estados e Distrito Federal, onde dois terços da receita da previdência devem vir dos respectivos orçamentos públicos.

Para entender melhor esta crise fabricada, esta farsa que o governo vem montando, temos que considerar também a questão da aposentadoria dos trabalhadores rurais, incluindo aí também os agricultores familiares que não tem empregados. Quando da criação do FUNRURAL no final dos anos sessenta e nas decadas seguintes, até praticamente os dias de hoje, a chanada “previdência rural” foi e continua sendo deficitária, pela simples razão que, de uma hora para outra, foram incluidos milhões de beneficiários que jamais haviam contribuido para o Sistema e passaram a receber aposentadorias e outros benefícios.

Ainda hoje a previdência rural é deficitária tanto pelo não recolhimento da contribuição devida por parte dos trabalhdores quanto dos empregadores, incluindo grandes grupos econômicos rurais que resistem em contribuir para o Sistema e contiuam sonegando, da mesma forma que grandes contribuintes urbanos, da indústria, do comércio e do setor de serviços, deixando o Caixa da previdencia `a mercê do bom humor dos governantes que, placidamente fazem vistas grossas para a sonegacao e a corrupção.

Estudos de entidades independenets e inclusive as conclusões da CPI da Previdência do Senado Federal de novembro deste ano de 2017, indicam que a Previdência e a seguridade social não apresentam deficit, como mente o governo, mas sim superavit, de quase cinco trilhões de reais, devidos pelos Governos da União e em menor parte pelos Estados e municípios, decorrentes do mau uso ou uso indevido que o Governo Federal fez ao longo de décadas dos recursos e Caixa da previdencia, alem da sonegação que corre solta no Brasil, afetando inclusive a previdência.

Alguns desses desvios de finalidade podem ser apontados como a construção de Brasilia, regada com muita corrupção;  construções de grandes projetos como a ponte rio/niteroi; a transamazônica, a constituição das Companhias Vale do Rio doce, da Siderurgica nacional, de Itaipu e o uso, puro e simples, da previdência como parte do Caixa único do governo, como atualmente tenta fazer com a Caixa Econômica Federal, para que governadores pressionem deputados para votarem a favor do governo Temer nesta farsa, chamada pelo Ministro Marun como ação de governo.

Finalmente, o buraco atual da previdência decorre da crise econômica, da recessão e do desemprego que reduzem  todas as receitas públicas, inclusive as receitas da previdência, são bilhões de reais que deixam de entrar para os cofres públicos enquanto o desemprego atinge mais de 12,8 milhões de trabalhadores, tudo isto regado pela incompetencia de uma gestão temerária e pela corrupção que atinge nosso país, em todos os setores, inclusive a previdência.

Esses são alguns aspectos que desmontam os argumentos de quem, de forma açodada, no apagar das luzes de um governo e um Congresso que não gozam do apoio da opinião publica, tentam aprovar a toque de Caixa esta grande farsa, chamada de Reforma da previdência.

JUACY DA SILVA, professor universitário UFMT, mestre em sociologia, articulista e colaborar de diversos veículos de comunicação. Email professor.juacy@yahoo.com.br Twitter@profjuacy Blog www.professorjuacy.blogspot.com


sexta-feira, 22 de dezembro de 2017


NATAL, TEMPO DE SOLIDARIEDADE, DE PAZ, DE AMOR E DE JUSTIÇA!

JUACY DA SILVA

Estamos prestes a comemorar mais um NATAL, tempo de alegria, de muita comilança , de desperdícios, de consumismo e muito “marketing”. Parece que o natal foi instituido apenas para que o consumo seja alavancado, que os lucros sejam contabilizados e que as pessoas possam dar e receber presentes e tenham mesas fartas.

Tudo isso é verdade, mas a origem do natal, talvez poucas pessoas se lembrem ou quando lembram fazem que não entendem, o verdadeiro significado ou significados desta data tão importante no calendário cristão.

O natal é a comemoração do nascimento de Jesus, o Deus que se fez homem, segundo a doutrina e a tradição cristã e veio ao mundo em meio a pobreza, `as perseguições, incompreensões que acabaram por mata-lo e prega-lo em uma cruz. Natal também deveria ser um momento de reflexão, não apenas a visualização do menino pobre em uma manjedoura, mas os ensinamentos do Mestre, que além da salvação espiritual também falou de tolerância, de amor incondicional ao próximo, da importância da solidariedade, da justiça e da paz.

Oxalá, o NATAL pudesse despertar em nossos corações o verdadeiro amor ao próximo, milhões de pessoas pelo mundo afora que estão morrendo de fome, milhões que estão encarcerados, milhões que estão sofrendo em hospitais, milhões que estão lutando contra doenças incuráveis, milhões que estão excluidos dos banquetes natalinos, milhões que estão sofrendo e morrendo em meio a conflitos armados e milhões que estão se destruindo e destruidos pelas drogas e tantos outros vícios e adições. Além de alegria, o mundo e cada país, inclusive o nosso Brasil, vivem em meio a muita violência, muito sofrimento, muito egoismo e muita exclusão social, politica e econômica que não combinam com o espirito natalino.

Eu desejo a voce, meu amigo e minha amiga, a sua familia UM FELIZ NATAL, mas com a condição de que voce pare por um minuto e reflita sobre a realidade que lhe cerca e o que voce tem feito ou pode fazer de concreto para que possamos mudar este mundo louco, egoista, consumista e materialista por um mundo e um pais melhores que reflitam verdadeiramente o espirito do natal e que possa substituir o sofrimento por uma alegria perene.

Esta é a minha mensagem a voce neste natal de 2017.

Abraços e que Deus, na pessoa de Jesus possa abencoar voce e sua familia hoje e sempre!
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quarta-feira, 20 de dezembro de 2017


DÉCADAS DE CORRUPÇÃO NO BRASIL

JUACY DA SILVA

Desde o fim dos governos militares, há mais de 30 anos, parece que no Brasil democracia e corrupção andam de mãos dadas e os personagens, sejam partidos politicos, pessoas ou grupos, praticamente são os mesmos, trocam apenas de nomes, de denominações, mas o “modus operandi” continua o mesmo.

Fisiologismo, balcão de negócios, jantares, cafés da manhã, almoços, reuniões secretas, de vez em quando o estouro de mais um escândalo, os discursos, a demagogia, o uso de dinheiro sujo, fruto da roubalheira, continua irrigando as campanhas eleitorias, ultimamente recheados com os malabarismos dos marqueteiros e marqueteiras, as encenações, enfim, parece que a política brasileira gira em torno da demagogia, da irresponsabilidade fiscal, da  incompetência de quem é esperada ação racional, planejamento de curto, médio e longo prazos, compadresco, caciquismo, privilégios, tudo isso se mistura no lamaçal em que o país a cada dia mais se afunda , o sofrimento e adescrença do povo  nas elites governantes e nos grandes grupos empresariais mais aumentam.

Em meio a este circo, tragédia ou tragicomédia, politicos acusados de corrupção ou mal feitos se apressam em indicar soluções para os males que eles próprios vem protagonizando. Até mesmo discurso moralista, de condenação de tais desvios comportamentais, éticos e morais a população brasileira tem que ouvir, como se esses indivíduos não participassem deste banquete macabro, onde a roubalheira já chegou aos limites do intolerável.

Além disso, o povo tem que conviver com o cinismo de alguns govenantes, politicos ou gestores, esses ultimos, or eles mesmos colocados em posições de mando, comando, enfim, posições que facilitam a verdadeira extorsão da sociedade, seja com uma carga tributária descomunal, seja com favores a grandes grupos econômicos e empresariais, na forma de renúncia fiscal, tolerância com a sonegação desenfreada, com subsidios que tornam a concorrência econômica uma grande balela, pois a formação de cartéis, as licitações e concorrências públicas são com cartas marcadas, como acaba de ser trazido a público pela delação/acôrdo de leniência que a Odebrecht, uma das grandes corruptoras do meio empresarial brasileiro, com atuação internacional, dizendo, de forma bem clara, que durante os últimos anos, no governo de SP, capitaneado pelo “inclito” e puro PSDB, por décadas, obras bilionárias foram feitas `as custas de cartas marcadas, irrigada pelo “ desconhecimento” dos governadores e dos organismos de controle, incluindo o TCE/SP, recordando-se que esses tribunais ultimamente, como em MT e Rio de Janeiro, foram desnudados por também estarem sob atuação suspeita.

Resumindo, com a morte de Tancredo, avó do ex presidente do PSDB, senador apanhado em conversa com empresários corruptos pleiteando alguns trocados e desde então sob fogo constante, `a semelhança do presidente Temer, ambos só escaparam de serem  investigados pelo STF pelo espirito de corpo ou de porco que impera no meio politico, até a atualidade nosso país tem sido marcado pelo signo da corrupção.

O Governo Sarney sofreu várias denúncias de corrupção e possibilitou a vitória de Collor, cujo governo também foi abreviado por inúmeras denúncias de corrupção, tendo sido sucedido pelo Governo Itamar que abriu caminho para a volta do PMDB e a fatia deste que acabou favorecendo o tucanato, que também foi alvo de diversas denuncias de corrupção e no engavetamento das denúncias na PGR, cujo ;procurador geral em alguns momentos recebeu a alcunha de engavetador geral.

As denúncias de corrupção, o descontrole inflacionário no final do governo FHC, a explosão da divida publica e outras mazelas mais, foram suficientes para que os eleitores derrotassem a aliança PSDB e PMDB nas urnas e abrisse caminho para a chegada do PT ao poder.

O resto desta triste e vergonhosa estória da democracia brasileira, passa pelos escândalos do mensalão, da lava jato, que diante de tanta corrupção no alto escalão da República, deve demorar várias décadas, chegou , no que o povo imagina seria o ápice da desgraça nacional com o “impeachment” de Dilma, um grande teatro armado pelo PMDB, PSDB, PP, DEM e outros partidos que já vinham mamando nas tetas do governo desde o inicio da era LULA/PT e acabou aprofundando de forma descarada nesta nova aliança PMDB, PSDB, DEM, PP, PTB, PPS, PR e demais partidos que comungam com tais práticas fisiológicas e apoiam um governo maracadamente corrupto.

Oxalá a nossa justiça, principalmente os tribunais superiors, de forma mais ativa o STF acordem para o caos, o lamaçal e a roubalheira que continuam caracrerizando o cenário politico e a gestão pública nacional e acabem de vez com esta nódoa que é o foro privilegiado, um verdadeiro manto protetor dos politicos corruptos e um grande estímulo `a impunidade. A lentidão das decisões da justiça, principalmente dos tribunais superiors tem livrado corruptos de carteirinha da cadeia, permitindo que os mesmos continuem posando de vestais da politica brasileira.

Enquanto a corrupção e a democracia andarem de mãos dadas em nosso país, vair ser dificil para o povo acreditar nas excelências de um regime que prega a ideia milenar de “governo do povo, para o povo e pelo povo”, quando na verdade este é mais um chavão para que o povo continue sendo espoliado e extorquido por governantes incompetentes e corruptos.

É neste contexto que está sendo iniciada uma nova campanha eleitoral, onde algumas coisas supérfluas foram mudadas, a título de reforma politica ou eleitoral, mas que vai acabar permitindo aos politicos corruptos continuarem como figuras centrais no cenário politico nacioinal. Tudo isto é muito triste e vergonhoso, o povo ter que escolher entre os mais ou menos corruptos, para serem seus governantes.

JUACY  DA SILVA,  professor univeritário, mestre em sociologia, articulista e colaradlor de jornais, sites, blogs e outros veículos de comunicação. Email professor.juacy@yahoo.com.br Twitter@profjuacy Blog www.professorjuacy.blogspot.com