quarta-feira, 18 de julho de 2018


O BRASIL QUE EU QUERO

JUACY DA SILVA

Ao longo dos últimos meses, diariamente, os diversos veiculos da Rede Globo de comunicação, principalmente a TV Globo, tem apresentado em todos os seus noticiários, as manifestações de milhares e milhares de pessoas do país inteiro, dizendo qual o Brasil que a população brasileira deseja para o futuro próximo e a longo prazo.

Com certeza, em algum momento, os patrocinadores desta grande “enquete” ou “pesquisa” de opinião pública, irão tabular, enfim, divulgar quais foram os dez, quinze ou vinte aspectos que poderiam resumir os sonhos do povo brasileiro. Enfim, um país em que todos nós poderiamos ter orgulho de pertencer e não esta mixórdia que tanto nos envergonha e que faz sofrer as camadas excluídas ou até mesmo as camadas medias da sociedade.

Vou aproveitar e pegar “carona” nesta pesquisa e escrever, já que não tenho celular para enviar minha mensagem dizendo qual o Brasil eu quero para o futuro, só que o farei de uma forma diferente, não irei dizer que desejo um país sem politicos, empresários e gestores públicos corruptos, não direi que desejo uma justiça mais transparente e ágil, que seja de fato igual para todos, não vou falar de um país sem os 13 milhões de desempregados, nem do caos vergonhoso na saúde pública, nem da violência que aterroriza a população e ceifa mais de 60 mil vidas a cada ano; nem da balbúrida que é o nosso Sistema de transporte e trânsito que tambem ceifa quase 50 mil vidas por ano e os assassinos do volante continuam protegidos sob o manto da impunidade, nem da vergonha que é a falta de saneamento básico e muito menos da baixa qualidade de nossa educação pública, não falarei dos privilégios que os marajás da República  gozam, além de salários nababescos, ainda auxílio moradia para integrantes dos poderes executivo, legislativo, judiciário e dos ministérios públicos e outras regalias, enquanto o povão, os trabalhadores  que pagam impostos,  sobrevivem com um salário minimo de fome.

O Brasil que um dia eu gostaria de ter ou ver, apesar de meus mais de 70 anos de idade, seria um país em que a elite do  poder, nossos governantes e altos executivos dos tres poderes da República,   do Ministério Público, dos tribunais de contas e tambem os marajás grudados nas estruturas do poder como carrapatos nos estados e municípios, fossem obrigados a viver, nem que fosse por um ano, com um salário minimo, que tivessem que colocar seus filhos, netos e demais parentes em escolas públicas da periferia, que tivessem que usar transporte público, ônibus e trens principalmente e pudessem ver como se desloca a população trabalhadora brasileira, que fossem obrigados a morar nas favelas, palafitas, com esgoto correndo a céu aberto e dominadas pelas milicias e pelo crime organizado; a serem obrigados a usarem o SUS e ficarem na fila por dias, semanas, meses ou anos para terem um atendimento de terceira categoria ou morrerem nas portas ou corredores de hospitais sucateados; que, ao serem condenados por algum crime, principalmente crimes de colarinho branco, tivessem que cumprir suas penas em regime fechado em penitenciárias como as de Pedrinhas, no Maranhao ou de Charqueadas, no Rio Grande do Sul ou Cariacica no Espírito Santo ou que mofassem nas cadeias públicas, mesmo que não tivessem sido sequer ouvidos por um juiz e nem condenados por crime algum, como acontece com 40% dos mais de 680 mil presos em nosso pais.

Talvez, vivendo, por apenas um ano, como o vivem os trabalhadores brasileiros ou enfim, o povão, ai poderiam perceber a importância de uma boa gestão dos gastos públicos e como isto poderia redundar em uma melhor prestação de serviços públicos decentes e de qualidade. Da mesma forma, como uma gestão eficiente, eficaz, transparente e sem roubalheira do dinheiuro público poderia resultar em obras públicas de qualidade, voltadas para atender as necessidades do povo e não como as obras do VLT de Cuiaba/Várzea Grande e milhares de obras paradas e superfaturadas por este Brasil afora.

O Brasil que eu quero, não apenas para meus netos ou tetranetos, mas para hoje, para os próximos quatro anos, é um Brasil em que a população tenha orgulho do país e de seus governantes, gestores publicos e empresários ,enfim, de sua elite do poder, um país realmente justo, com distribuição de renda que garanta a dignidade da população, onde as pessoas não  vivam sofrendo o tempo todo pela incúria de seus governantes, um país que possa se ombrear com as verdadeiras democracias do mundo e não este arremedo de democracia e um suposto estado de direito, onde os do andar de cima tem tudo e os dos andar de baixo nada tem, nada possuem e nada usufruem.

Será que isto é pedir demais? Será que isto é uma utopia ou um sonho que se esvai ao raiar do dia quando as misérias sociais, econômicas, politicas e culturais voltam a ser estampadas ao nosso redor?

É neste contexto que, dentro de menos de tres meses os eleitores e eleitoras irão escolher nossos futuros governantes, vamos transformar nossos sonhos, nossa indignação em voto consciente, dando cartão vermelho para os politicos fichas sujas, já bem manjados pela população.

JUACY DA SILVA, professor universitario, titular e aposentado, UFMT, mestre em sociologia. Email professor.juacy@yahoo.com,.br Blog www.professorjuacy.blogspot.com Twitter@profjuacy




terça-feira, 17 de julho de 2018


ELEIÇÕES E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

JUACY DA SILVA

A Assembléia Geral da ONU, realizada entre os dias 25 e 27 de setembro de 2015, aprovou o que passou a ser denominada de AGENDA 2030, um conjunto de 17 objetivos, 169 metas e 230 indicadores, na presença de 190 chefes de Estado e de Governo que se comprometeram a planejar e realizar acões que conduzam o mundo e cada país, suas regiões e localidades para o que passou a ser conhecido tambem como os OBJETIVOS DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL. Entre os países presentes e que se comprometeram com a AGENDA 2030 está o Brasil.

Estamos a menos de três meses para a realização das eleições gerais no Brasil, quando os eleitores estarão escolhendo os futuros governantes, conhecidos como parte da elite do poder, da qual também fazem parte integrantes do poder judiciário, organismos de contrlole e de repressão e os empresários.

Essas eleições devem acontecer em meio a uma longa e complexa crise politica, econômica, financeira, orçamentária, social e moral. Boa parte da atual elite do poder não goza da confiança da população, tanto pelos altos índices de corrupção que tem marcado o cenário politico,  administrativo e empresarial do país, em todos os níves de governo e grandes conglomerados econômicos, quanto pela incompetência por parte desta elite do poder em prover bens e serviços públicos que o povo requer e e faz jus e já paga na forma de uma elevada e escorchante carga tributária, uma verdadeira extorsão das camadas média e mais pobres da sociedade.

Em diversas artigos e reflexões temos defendido a “tese” de que não basta ser honesto, ou seja, para mim a honestidade não deveria ser uma característica para diferenciar os bons politicos, bons governantes, bons juizes, bons gestores, porquanto em uma sociedade justa, democrática e mais egualitária todas as pessoas deveriam ser e agir honestamente, desde o cidadão e, principalmente, as pessoas que ocupem cargos ou funções públicas.

Assim, a “régua” da honestidade deveria igualar todas as pessoas em uma sociedade. Ai sim, o que deveria diferenciar as pessoas, principalmente quem ocupada cargos e funções públicas, politicos,  gestores públicos e empresários, deveriam ser outros parâmetros como competência técnica, capacidade de gestão, visão estratégica, liderança, compromisso com o bem comum, defesa intransigente da soberania popular e nacional, ser transparente, eficiente e eficaz, dentre outros atributos.

Para que isto seja possivel, é importante que os candidatos apresentem ao povo, aos eleitores suas principais realizações se já ocupam ou ocuparam cargos e funções públicas e, claro, digam ao povo, apresentem de maneira formal, não de forma apenas discursiva, genérica e vazia, suas propostas para encarar ou enfrentar e resolver os grandes desafios nacionais, estaduais ou até mesmo locais que tanto afetam e angustiam o povo.

Para tanto, basta estudar um pouco, conhecer mais a fundo esses desafios e problemas, que já foram e continuam sendo diagnosticados por milhares e milhares de pesquisas e estudos, levados a cabo por entidades governamentais, universidades, organismos internacionais e inúmeras organizações não governamentais e a partir de um conhecimento mais aprofundado da realidade, apresentem suas propostas.

Se os candidatos, principalmente os que já detém mandatos e desejam continuar no poder, não para se locupletarem e dilapidarem os cofres publicos, mas sim, servirem ao povo e também os “novatos”, muitos dos quais  fazem parte das familias e grupos que estão nas estruturas do poder, realmente desejam mudar o país e os estados; deveriam, por exemplo, pelo menos levarem em consideração e incorporarem em suas propostas  os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, suas metas e indicadores, que o Brasil se comprometeu a realizar.

De forma resumida, apresento alguns desses objetivos do desenvolvimento sustentável, que devem balizar os rumos que nosso país deveria seguir pelos proximos 12 anos. Dentre esses: acabar com a pobreza, a fome e a desnutrição; asseguar a educação inclusiva, equitativa e de qualidade; assegurar a vida saudável  e promover o bem estar de todos; alcançar a igualdade de genero e empoderamento das mulheres; asseguar a disponibilidade de energia sustentável, água e saneamento para todos;  promover o  crescimento sustentável, o emprego pleno e trabalho decente para todos; construir infra-estrutura, industrialização inclusiva e a inovação; reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles; tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, resilientes e sustentáveis, assegurar padrões de produção e consumo sustentáveis; proteger e recuperar o uso sustentável dos ecossistemas; promover sociedades pacíficas, incluindo o acesso `a justiça para todos e construir instituições responsáveis em todos os niveis..

Será que nossos candidatos estão realmente `a altura desses desafios? Só assim, o povo poderá confiar em seus governantes. Chega de discursos vazios, demagógicos, mistificadores, belas mentiras, fisiologismo e corrupção.

JUACY DA SILVA,  professor universitario, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia, articulista e colaborador de diversas veiculos de comunicacao. Email professor.juacy@yahoo.com.br Twitter@profjuacy Blog www.professorjuacy.blogspot.com

sexta-feira, 13 de julho de 2018


ELEIÇÕES, ÉTICA E OUTROS PARÂMETROS

JUACY DA SILVA

Muita gente, mesmo que não seja a maioria ou a totalidade dos eleitores, define a escolha de seus candidatos levando em consideração a vida pregressa/passada dos memos, se tem ficha limpa ou ficha suja, se é honesto ou desonesto, imaginando que apenas o parâmetro ético seja a régua para medir a estatura politica e estratégica dos futuros governantes.

Desgraçadamente, tambem muita gente, com certeza a grande maioria quando vai votar não estabelece nenhum critério, mas apenas se o candidato é seu “amigo/a”, se é um bom despachante de luxo, que diz o tempo todo que quer ser eleito para “trazer” recursos de Brasilia ou das capitais dos estados para seus municipios, que vai fazer uma emenda ao orcamento destinando tais recursos para comprar uma ambulância (aquelas que ficaram conhecidas como a máfia das ambulâncias), ou para uma determinada obra, nem que for de fachada, como o VLT de Cuiabá ou milhares de obras paralisadas ou super faturadas, que alimentaram a corrupção que está sendo escancarada ultimamente por todas as investigações, como o MENSALÃO e a LAVA JATO, tem demonstrado, sobejamente.

A existência dos maus políticos e gestores incompetentes decorre desta forma de votar dos eleitores e de nosso Sistema político partidário, onde ladrões dos cofres públicos são eleitos e reeleitos/as a cada pleito, tendo como máxima o “rouba, mas faz”, como acontecia com o governador Ademar de Barros e tantos outros politicos corruptos que até este ano ainda fazem  parte de nosso cenário politico, os quais e as quais, deveriam mesmo é estar na cadeia, segregados do convívio social e politico.

Além do parâmetro ético, o Brasil como um todo, os estados e municipios precisam também que o eleitor leve em consideração, quando da definição de seu voto, os parâmetros da competência técnica, da visão estratégica, da capacidade de gestão, que deve ser transparente, eficiente, eficaz e efetiva, do parâmetro da impessoalidade e do compromisso com o bem comum, do respeito com o meio ambiente e da defesa intransigente da soberania nacional e popular.

Para administrar o bem público ou o dinheiro público, não basta ser honesto, dizer que é honesto, este requisito deve ser uma norma geral nas relações em sociedade, tanto na esfera política quanto na economica, social e cultural, nem deveria ser algo a diferenciar as pessoas. Não podemos ter politicos honestos mas medíocres na arte de governar, que só pensem em seus próprios interesses, que sejam eleitos com o voto da população pobre, miserável, dos excluidos e quando eleito, seja para cargos do poder executivo ou do poder legislativo coloquem seus mandatos a serviço dos grandes grupos econômicos, seja do agronegócio, dos setores industriais ou comerciais ou outros interesses excusos.

Para que o eleitor possa “conhecer” melhor os candidatos e definir seu voto, a própria Lei eleitoral exige que os candidatos aos cargos do poder executivo e, por extensão do poder legislativo, apresentem e até registrem seus planos de governos, suas propostas que deverão orientar seus mandatos, caso sejam eleitos.

É fundamental que os eleitores possam ter acesso com a devida antecedência  a esses planos de governo e propostas de ação politica para poder comparar os candidatos e decidir em quem votar, ai sim, levando também em consideração os demais parâmetros como a ética, a competência técnica, a transparência, a capacidade de gestão e outros mais que já tem sido bastante repisados nas discussões politicas , acadêmicas ou mesmo nas conversas de botequins.

Não é mais possivel os eleitores continuarem votando sempre nos mesmos, em politicos que já provaram que pouco ou nada fizeram por seus Estados e pelo Brasil. Seria bom que os eleitores dessem uma olhada na ficha corrida, na chamada “capivara” dos candidatos, muitos que não tem competência sequer para administrar seus empreendimentos/empresas individuais, que como empresários são sonegadores,  participam de esquemas para usufruirem das benesses que o Estado (ente publico) concede como juros subsidiados, renuncia fiscal ou outros favores e privilégios que a população jamais tem acesso ou usufrui.

Em novembro próximo os eleitores terão mais uma oportunidade de contribuirem para alguma mudança na composição da elite politica e governante, a chamada elite do poder em nosso país. Caberá aos eleitores darem cartão vermelho não apenas para os fichas sujas, os corruptos, mas também para os politicos demagogos, mistificadores, incompetentes, enganadores, sonegadores, oportunistas e exploradores da boa fé do povo brasileiro, só assim vamos poder iniciar uma transformação mais profunda que chegue `as reformas do Estado, a reforma tributária, a uma melhor distribuição do bolo tributário, com mais justica fiscal, respeito ao meio ambiente e politicas públicas que reduzam de fato os niveis vergonhosos de concentração de renda, de  pobreza, exclusão social e econômica que ainda existem em nosso país e, ai sim, acabar com os privilégios dos marajás da República que vivem de forma nababesca enquanto o povão padece com o caos e sucateamento dos servicos públicos,  com destaque para a vergonha em que se encontram a saúde pública, a educação, a segurança pública, o saneamento básico , a habitação e o meio ambiente em geral.

Só assim, podemos dizer que estamos vivendo em um “estado democratico de direito”,  caso contrário,a continuar como estão o cenário e a vida politica e administrativa, o povo não acredita mais em nada e em ninguém, conforme a avalanche de não comparecimento `as urnas , que, somados aos votos nulos e em branco a cada pleito representam mais do que a soma dos votos de todos os candidatos.

JUACY DA SILVA, professor universitario, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia, colarador e articulista de diversas veiculos de comunicacao. Email professor.juacy@yahoo.com.br Twitter@profjuacy Blog www.professorjuacy.blogspot.com

quinta-feira, 5 de julho de 2018

ALCOOLISMO, UM PROBLEMA MUITO SÉRIO


JUACY DA SILVA


Apesar de ser um produto legalizado, cuja comercialização deve obedecer a certos requisitos legais como idade do consumidor ou mesmo ser considerado um produto classificado como indústria da alimentação, as bebidas alcóolicas acarretam problemas sérios para população mundial, incluindo a população brasileira.


O álcool causa dependência em seus usuários transformando-os em alcóolatras, razão pela qual o alcoolismo é considerado uma doença crônica que afeta consideravelmente a saúde fisica e mental dos dependentes, com alterações neurológicas profundas, razão pela qual a Organização Mundial da Saúde (OMS) e diversas governos lançarem alertas para a gravidade do alcoolismo.
No mundo o alcoolismo atinge mais de 18,3% da população, causando anualmente a morte de 3,3 milhões de pessoas, em alguns países esta dependência atinge mais de 22% da população e tem consequências extremamente danosas para a economia, para os sistemas de saúde e para a vida das pessoas (dependentes) e seus familiares, incluindo o aumento da violência doméstica, da violência urbana e da violência no trânsito.


No Brasil a situação também não é diferente. O consumo de álcool tem aumentado de forma alarmante em nosso país, em rítmo muito maior do que o cresciemento da população, isto em todas as faixas etárias, incluindo criancas, adolescentes e jovens abaixo da idade minima exigida pela Lei para que uma pessoa possa adquirir e consumir livremente bebida alóolica , principalmente pela impunidade como a comercialização é feita em nosso país.


Os dados estatísticos relacionados com o alcoolismo no Brasil são extremamente subnotificados e, mesmo assim, alguns estudos indicam que o percentual de álcoolatras na população acima de 12 anos seja entre 7,5% a 10,0%, podendo chegar até mesmo até 12%, totalizando mais de 15 milhões de dependentes e mais de 160 mil mortes por ano.


De acordo com reportagem do jornal Folha de São Paulo, de 22 de janeiro último (2018) o consumo diario de álcool entre idosos (classificados como alcóolatras) já chega a 9% no Brasil. Isto significa que em 2018 para uma população de idosos na ordem de 32,5 milhões de pessoas, aproximadamente 2,9 milhões são dependentes do alcoolismo. Em 2030 estima-se que a população de idosos no Brasil será de 41,5 milhões, quando teremos só nesta faixa etária mais de 3,74 milhões de pessoas; se o percentual de alcoolismo entre idosos chegar a 11%, teremos mais de 4,5 milhões de idosos dependentes do álcool.


De acordo ainda com a OMS o consumo médio de álcool no mundo é de 6,2 litros per capita/ano e no Brasil esta média é bem superior chegando a 8,7 litros per capita/ano. Tendo em vista que o alcoolismo vem aumentando de forma significativa em nosso país, se nada for feito, ou seja, se o alcoolismo não for devidamente considerado como um problema muito sério para a saúde pública e para a segurança pública, dentro de poucos anos nosso país também será campeão mundial do alcoolismo, da mesma forma que caminhamos para sermos campeões da corrupção e da incompetência na gestao pública, na miséria e exclusão social. 


Os custos econômicos e financeiros do alcoolismo no Brasil representa 7,3% do PIB, incluindo os custos do absenteismo no trabalho, internações e atendimentos médico-hospitalares, indenizações,   acidentes de trânsito, aumento da violência, incluindo homicidios cometidos sob efeito do álcool e outros custos que recaem sobre as familias e os dependentes.


Em termos econômicos e financeiros esses custos chegaram a mais de R$372,5 bilhões de reais em 2014 e deverão representar mais de 9% do PIB dentro de poucos anos, superando em muito a soma dos orçamentos da saúde dos governos federal, estaduais e municipais, incluindo também da saúde complementar.


Uma última observação, enquanto tem sido constatado o aumento do alcoolismo na população idosa acarretando mais problemas relacionados com a demência , depressão e, inclusive, suicídios; diversos estudos vem indicando que também a idade de inicio do consumo de bebidas alcóolicas vem sendo reduzida a cada ano. No Brasil, metade dos dependentes (alcóolatras) informam que iniciaram este vício ou adição antes dos 15 anos e, geralmente, além do alcoolismo outras dependências químicas como o tabagismo e outras drogas ilícitas acabam tornado o problema mais sério ainda.


Como estamos em periodo pré-eleitoral seria de bom alvitre que os partidos e candidatos colocassem na pauta das discussões esta questão, para que a mesma viesse a fazer parte de seus planos ou propostas de governo e estivesse incluida na definição de politicas públicas, principalmente nas áreas da educação, da saúde e da segurança pública. 


Este problema, da mesma forma que tantos outros iguais ou mais graves, exigem ações concretas e não discursos eleitoreiros, a população já está farta de mentiras oficiais e de blá-blá-blá de politicos e gestores que gostam mesmo é de seus privilégios e de enganar o povo.


JUACY DA SILVA,  professor universitario, mestre em sociologia, articulista e colaborador de diversas veiculos de comunicação. Email professor.juacy@yahoo.com.br Twitter@profjuacy Blog www.professor.juacy@yahoo.com.br


quinta-feira, 28 de junho de 2018


TABAGISMO TAMBÉM MATA

JUACY DA SILVA

Todos os países, em maior ou menor grau, convivem com diferentes niveis e tipos de violência e, não por acaso, os meios de comunicação desempenham um papel fundamental, seja em termos de análise desta triste realidade ou na forma de estardalhaços ao noticiar a violência.

Na forma espalhafatosa ou com estardalhaço, no caso, por exemplo do Brasil, existem veiculos impressos que as pessoas costumam dizer “este ou aquele jornal, se expremer sai sangue”, ou seja, as noticias estampam fotos de cadáveres, pessoas mutildadas e outras fotografias que chocam a opinião pública e, ao veicular por dias seguidos as mesmas noticias acabam levando o pânico a população.

Com o advento da televisão e mais recentemente com a internet e as redes sociais esta forma , um tanto distorcida, podemos dizer, de informação ou divulgação ganhou mais velocidade e atinge em poucos minutos milhões de pessoas.  Não é por acaso que programas televisivos que fazem da divulgação da  violência seu carro chefe acabam transformando seus apresentadores em verdadeiros âncoras, os ou as quais, com grande frequência se tornam figuras publicas e tem nesses programas uma plataforma para alçar voos politicos e um acesso direto ao poder.

Com certeza que os índices de violência no Brasil são  terríveis e estão crescendo ano após ano, tendo chegado e mais de 62 mil em 2016 e com certeza deverão ultrapassar de 70 mil assassinatos neste ano de 2018. O mesmo se pode dizer das mortes no trânsito, que, pela sua evolução, se nada ou pouco for feito pelos nossos governantes, dentro de poucos anos deverá superar o número de assassinatos.

Todavia, existem outras formas crueis e também terriveis de mortes que pouca ou quase nenhuma atenção recebe por parte dos meios de comunicação. Neste ról podemos incluir as mortes decorrentes do alcoolismo e do tabagismo, drogas, cuja comercialização é legalizada na maioria dos países, incluindo o Brasil, onde o governo passa a ser sócio desta tragédia humana `a medida que tais drogas podem ser vendidas e compradas livremente, com poucas restrições, as quais também são burladas sem que os poderes públicos exerçam  seu papel de policia. Ao arrecadar impostos que incidem sobre tabaco e álcool, o governo se torna sócio da mortalidade decorrente das mesmas.

No mundo, segundo dados recentes do Organização Mundial da Saúde (OMS),  o tabagismo mata mais de 7 milhões de fumantes e mais 900 mil de fumantes passivos a cada ano, principalmente  familiares e trabalhadores que convivem com fumantes ao longo da vida, as vezes desde criancas.

No Brasil em 2015 ocorreram 256,2 mil mortes doencas decorrentes do tabagismo, principalmente doencas cárdiovasculares, de cancer de pulmao, respiratórias e outras mais.

Convenhamos este numero de mortes é varias vezes o total de mortes em guerras e conflitos armados e assassinatos que ocorrem no mundo a cada ano. Mas esta realidade praticamente não recebe a mesma cobertura dos meios de comunicação e nem entra na pauta ou agenda das autoridades, passando a ser apenas um drama pessoal ou familiar, jamais uma prioridade na definição de politicas publicas.

Só para se ter uma idéia da gravidade do tabagismo, dados tanto da OMS quanto do  Instituto Nacional do Câncer (INCA), quanto de diversas outras instituicoes de pesquisas e de saúde publica, como a Fundação Oswaldo Cruz e outras de  ambito internacional, indicam que 90% dos casos de cancer de pulmão decorrem do tabagismo e que a cada ano mais de 3 milhões de pessoas morrem no mundo em decorrencia de doencas cardiovasculares decorrentes do tabagismo.

Deste total, em 2015 no Brasil  mais de 50.700 mil pessoas que morreram em decorrencia de doencas cardiovasculares eram fumantes ou seja, o tabagismo foi o fator determinante dessas mortes. Estima-se que o tabagismo será responsável por mais de 3.7 milhões de mortes em doencas cardiovasculares e no Brasil este numero devera ser superior a 68.250 mortes, de um total de 350 mil mortes por doencas cardiovasculares.

A taxa de mortalidade por tabagismo entre homens no Brasil é de 83,0% e entre as mulhres de 64,8%. Cabendo aqui uma ressalva ou um destaque, mesmo com a queda do numero de fumantes o numero de pessoas que contraem doencas graves deocrrentes do tabagismo continuam sendo um peso muito grande tanto para os sistemas publico quanto privado de saúde e também para a sociedade, cujos custos vão mais além e incluem tratamentos caros, mortes, afastamento do trabalho, queda na produtividade do trabalho e da economia.

Em um próximo artigo, tentarei destacar as consequências do alcoolismo, uma doenca mental, como o tabagismo, que também mata muito mais do que a violência do dia a dia que tanto aterroriza a população brasileira. Estamos vivendo em meio a um verdadeiro genocídio, com sérias consequências para as pessoas, as familias, os países e o mundo em geral.

Apesar desta triste realidade, muita gente imagina que basta legalizar as drogas e o problema estará resolvido. Basta refletirmos para o caso do tabagismo, do alcoolismo e das drogas “controladas” que a cada ano faz mais vitimas, muito mais do que todas as drogas consideradas ilegais e que estejam relacionados com o crime organizado. O problema é mais complexo e merece uma analise mais profunda e menos passional ou meros discursos eleitoreiros.

Se legalizar a venda de drogas fosse a solução, não haveria esta tragédia decorrente do tabagismo e do alcoolismo.

JUACY DA SILVA, professor universitario, aposentado UFMT, mestre em sociologia, articulista e colaborador de diversas veiculos de comunição. Email professor.juacy@yahoo.com.br Twitter@profjuacy Blog www.professorjuacy.blogspot.com




sábado, 23 de junho de 2018


COPA DE 2014 E A CORRUPÇÃO: ESTE É O LEGADO!

JUACY DA SILVA

Texto postado por Juacy da Silva, no facebook em 23/06/2013, um ano antes da FAMIGERADA COPA da FIFA, realizada no Brasil que ajudou a alimentar a corrupção e a incompetência dos nossos governantes e gestores publicos, muitos dos quais foram ou ainda estão presos e outros que mais cedo ou mais tarde vão parar atraz das grades, pelos crimes de colarinho branco cometidos.

Além disso, ainda hoje os organismos de controle como TCU, Ministério Público e a Polícia Federal estão investigando a corrupção ligada `as OBRAS DA COPA de 2014, muitas das quais, como esta vergonha que é o VLT em Cuiabá e Várzea Grande, os COTs e obras de baixa qualidade, verdadeiros elefantes brancos, como estádios  suntuosos de pouca utilidade.

Em Mato Grosso, por exemplo, só no VLT foram “gastos” mais de R$ 1,2 bilhões de reais, que para “concluir” serão necessários quase mais um bilhão de reais, e muitos outros milhões nas demais obras, o mesmo que aconteceu em todas as doze sédes da COPA, que totalizaram mais de R$30 bilhões de reais, dinheiro mal empregado que acabou fazendo falta para acabar com o CAOS NA SAÚDE, NA EDUCAÇÃO, NA SEGURANÇA PUBLICA e/ou outros investimentos para resolver problemas crônicos como a falta de saneamento básico, habitação, infra estrutura e logistica etc.

Como estamos em um clima de euphoria da COPA de 2018, na Rússia e   na véspera das eleições para Presiddente da República, Governadores dos Estados, renovação de dois terços do Senado e também para a Câmara Federal e Assembléias Legislativas, seria bom que os eleitores questionassem os candidatos o que irão fazer para evitar que o dinheiro público seja roubado ou jogado no ralo e também questionarem os candidatos que já tinham mandados, cargos ou funcções públicas de relevância quando a corrupção corria solta no Brasil, o que fizeram, se é que fizeram, para evitar que tanto desperdicio e roubalheira do dinheiro público pudesse ter acontecido.

Transcrevo, a seguir, o texto a que me refiro, inclusive a reprodução de uma notícia/reportagem do jornal Estadão, sobre o mesmo assunto. Vale a pena a gente ler para relembrar de como o povo foi e continua sendo enganado pelos falsos democratas de hoje, muitos dos quais participaram ou se omitiram em relação aos assaltos que foram feitos aos cofres públicos, num clima de euforia e patriotada, pelo sonho do hexa, da mesma forma que continua no momento em que estamos em plena COPA DA RÚSSIA, em 2018.



Juacy da Silva mensagem veiculado no facebook em  23 de Junho de  2013



Minhas amigas e amigos, boa tarde, ótimo domingo e uma nova semana melhor ainda. Uma das criticas veiculadas durante as manifestações da última semana e também bem antes, e relativa ( a critica) aos gastos exagerados, perdulários e indícios de irregularidade e corrupção nas obras da COPA. Não sao os governos estaduais, municipais e nem federal que irão pagar a conta, mas sim os contribuintes de cada estado. São empréstimos bilionários, com juros e outros encargos , para pagamento a longo prazo, quando uma dívida de 28 a 30 bilhoes (a precos de hoje), mas que pode supercar a casa dos 35 ou 40 bilhões, e quando terminar o pagamento devera ser mais de oitenta ou cem bilhoes de reais, daqui a vinte ou trinta anos.


Vejam este artigo veiculado no Jornal Estadao online, de hoje. E bem elucidative e demonstra a forma como tudo isto acabou sendo umgrande engodo e manipulacao do povo. Quem vai lucrar mesmo serao a FIFA, as grandes construtoras e os corruptos de sempre.


Leim este artigo e tirem suas conclusoes:



A mais cara de todas as Copas


Fonte: Site Estadao online, 23 de junho de 2013 O Estado de S.Paulo


A Copa do Mundo de 2014 no Brasil será a mais cara de todas. O secretário executivo do Ministério dos Esportes, Luís Fernandes, anunciou que em julho seu custo total chegará a R$ 28 bilhões, um aumento de 10% em relação ao total calculado em abril, que era de R$ 25,3 bilhões. E supera em R$ 6 bilhões (mais 27%) o que em 2011 se previa que seria gasto.


Por enquanto, já se sabe que o contribuinte brasileiro arcará com o equivalente ao que gastaram japoneses e coreanos em 2002 (R$ 10,1 bilhões) mais o que pagaram os alemães em 2006 (R$ 10,7 bilhões) e africanos do sul em 2010 (R$ 7,3 bilhões).


O "privilégio" cantado em prosa e verso pelo ex-presidente Luiz Inácio da Silva, que se sentou sobre os louros da escolha em 2007, e entoado por sua sucessora, Dilma Rousseff, em cuja gestão se realizará o torneio promovido pela Fifa, custará quatro vezes os gastos dos anfitriões do último certame e três vezes os gastos dos dois anteriores.


O governo federal não justifica - nem teria como - este disparate. Mas, por incrível que pareça, os responsáveis pela gastança encontram um motivo para comemorar: a conta ainda não chegou ao teto anunciado em 2010, que era de R$ 33 bilhões. É provável, contudo, que esse teto seja alcançado, superando o recorde já batido, pois, se os custos cresceram 10% em dois meses, não surpreenderá ninguém que subam mais 18% em 12 meses.


Esta conta salgada é execrada porque dará um desfalque enorme nos cofres da União, que poderiam estar sendo abertos para a construção de escolas, hospitais, estradas, creches e outros equipamentos dos quais o País é carente. Como, aliás, têm lembrado os manifestantes que contestam a decisão oficial de bancar a qualquer custo a realização da Copa das Confederações, do Mundial de 2014 e da Olimpíada no Rio de Janeiro em 2016. E, além dos valores, saltam aos olhos evidências de que tal custo não trará benefícios de igual monta.


É natural que, no afã de justificar o custo proibitivo, o governo exagere nas promessas de uma melhoria das condições de vida de quem banca a extravagância. Segundo Fernandes, responsável pela parte que cabe ao governo na organização do torneio, "a Copa alavanca investimentos em saúde, educação, meio ambiente e outros setores". E mais: "Ou aproveitamos esse (sic) momento para o desenvolvimento do País ou perdemos essa (sic) oportunidade histórica".


A Nação aguarda, com muita ansiedade, que o governo, do qual participa o secretário executivo do Ministério dos Esportes, venha a público esclarecer quantos hospitais, escolas ou presídios têm sido construídos e que equipamentos têm sido adquiridos para melhorar nossos péssimos serviços públicos com recursos aportados por torneios esportivos que nos custam os olhos da cara.
Não é preciso ir longe para contestar esta falácia da "Copa cidadã": o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) previu um "legado inestimável" que ficaria da realização dos Jogos Pan-americanos de 2007 na mesma cidade onde será disputada a Olimpíada de 2016. O tal "legado" virou entulho: os equipamentos construídos para aquele fim estão sendo demolidos e reconstruídos e, enquanto não ficam prontos, os atletas simplesmente não têm onde se preparar para disputar os Jogos Olímpicos daqui a três anos.


A manutenção do estádio Green Point, na Cidade do Cabo, que custou R$ 600 milhões (menos da metade dos gastos na reforma do Maracanã, no Rio, e do Mané Garrincha, em Brasília) para ser usado na Copa da África do Sul, demanda, por ano, R$ 10,5 milhões em manutenção, o que levou a prefeitura local a cogitar de sua demolição. Por que os estádios de Manaus, Cuiabá e Natal terão destino diferente depois da Copa?


A matemática revela que o maior beneficiário da Copa de 2014 será mesmo a Fifa, e não o cidadão brasileiro, que paga a conta bilionária. Prevê-se que o lucro da entidade será de R$ 4 bilhões, o dobro do que arrecadou na Alemanha e o triplo do que lucrou na África do Sul. O resto é lorota para enganar ingênuos e fazer boi dormir.



Minha observação nesta data (23/06/2018): Todas essas mutretas, esquemas e corrupção, inclusive em  MT foram denunciados bem antes da realização da COPA de 2014 e pouco foi feito para evitar esta vergonha!



JUACY DA SILVA,  professor universitario, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia, articulista e colaborador de diversos veículos de comunicação. Email professor.juacy@yahoo.com.br Twitter@profjuacy Blog www.professorjuacy.blogspot.com