sábado, 14 de dezembro de 2013


AS MARCAS DA EXCLUSÃO (1)

JUACY DA SILVA

A exclusão social, política, econômica e cultural não decorrem da vontade divina, nem de fatores geográficos  ou de forças ocultas, mas sim pela forma como as camadas dominantes a cada momento da história se apropriam  das estruturas do Estado e do governo  e, a partir daí, definem políticas, estratégias e ações  para facilitarem o acúmulo de capital e outros privilégios que as distinguem das grandes massas excluídas e da classe média.

De um lado temos as necessidades e aspirações do povo por uma vida mais dígna e  com melhor qualidade, população essa que sente as privações do dia-a-dia. De outro lado, o  estado de penúria ,miséria e pobreza em que vivem milhões de pessoas em cada país, em  uns mais e em outros menos,  contrasta com a opulência, a vida nababesca, a luxúria e os privilégios que caracterizam a vida dessas minorias que se apropriam da maior fatia do bolo econômico e das oportunidades sociais e políticas, gerando um fosso entre esses dois extremos, razão maior de algumas revoluções, guerras  civis, protestos e manifestações de massa contra os donos do poder e as estruturas que lhe dão guarida.

Tendo este quadro simples e sintético de referência, podemos afirmar,  sem sombra de dúvida, em relação ao que se passa no Brasil, na América Latina, na Ásia, África e mesmo em países desenvolvidos que tudo o que os governantes realizam, face `as demandas sociais, ao longo do processo de exclusão social, política, econômica e cultural, que marcam a história, ainda é pouco.

Afinal, não podemos ficar aplaudindo os feitos dos govenantes quando sabemos que os recursos que custeiam tais obras e serviços públicos não saem de seus bolsos ou poupudas contas bancárias , são sim,  são oriundos do que é arrecadado aos cofres públicos por uma carga tributária descomunal, em se trantando do Brasil, onde o povo, diferente de outros países, paga muito imposto e recebe em troca pouco do governo e mesmo assim, de péssima qualidade.

Além da falta de planejamento, acompanhamento e controle, a ineficiência e ineficácia na aplicação de tais recursos, ainda temos que conviver com verdadeiras quadrilhas instaladas dentro das estruturas administrativas  que, associadas com interesses de grupos privados, acabam através a corrupção roubando preciosos recursos que deveriam ser  bem aplicados para atender `as demandas da população.

Nos últimos 28 anos, o Brasil já vivendo sob  governos  civis e não pode ficar culpando a ditadura por tudo de errado que tem sido feito a partir do fim dos governos  militares e nos últimos 25 anos vivemos  sob o sígno da tão propalada Constituição cidadã e o chamado “estado democrático de direito”e o espírito republican,todavia,  a carga tributária tem auementado muito acima das taxas de inflação e do crescimento do PIB, demonstrando que não existe falta de recursos, como alguns governantes demagógicamente propalam, mas sim  maior eficácia  e transparência na aplicação de bilhões e ultimamente trilhões de reais.

A atual carga tributária que recai sobre os ombros e o lombo do povo é uma verdadeira extorsão e um processo perverso de transferência de renda das camadas mais pobres e classe média para as camadas privilegiadas social, econômica e politicamente, onde os governantes estão inseridos sempre, apesar da demagogia e mentiras ditas, principalmente durante as eleições, de que quando eleitos os candidatos irão trabalhar para o povo. Na verdade, a busca de espaços  nas estruturas de poder serve apenas para que os governantes coloquem-se a serviço dos interesses privados, pouco importa a denominação que seja dada.

O que de fato existe é uma convivêcia promíscua entre o Estado, os governantes com os  interesses privados e as vezes até mesmo o crime organizado, seja de colarinho branco ou de outra cor.  O que aconteceu  e continua acontecendo com os envolvidos no escândalo do mensalão, apesar de que Lula e o PT sempre teimarem em dizer que nunca existiu,  é apenas uma pequena amostra do sub-mundo da política, tanto no plano nacional quanto e talvez pior em todos os Estados e municípios brasileiros. Mesmo em Mato Grosso, ainda convivemos com muitos casos de acusacões de corrupção mal explicados e que continuam a povoar o imaginário do povo como se a impunidade fosse a norma geral nessas  matérias. Super faturamento e licitações com cartas marcadas são apenas algumas dessas formas de transferência de recursos públicos para grupos econômicos que dilapidam o erário!

Como as políticas, as estrategias e as ações de governo  continuam gerando exclusão social, política, econômica e cultural será objeto de uma próxima reflexão.

JUACY DA SILVA, professor universitário, titular e aposentado  UFMT,  mestre  em sociologia, Email professor.juacy@yahoo.com.br Blog www.professorjuacy.blogspot.com Twitter@profjuacy

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013


APAGÃO EDUCACIONAL

JUACY DA SILVA

Apesar do”progresso” que os governantes tanto teimam em vociferar, principalmente durante os períodos eleitorais, a realidade brasileira, quando comparada com países que estão no mesmo patamar em termos econômicos ou os que já fazem parte do chamado mundo desenvolvido , a realidade brasileira ainda é uma catástrofe em inúmeras áreas.

Apesar de o Brasil ser a sétima ou oitava economia do planeta e a caminho de chegar a sexta posição dentro de pouco mais de uma década, aspectos como saúde, segurança, meio ambiente, infraestrutura e educação continuam sendo uma nódoa em nosso processo de desenvolvimento e colocam em risco o nosso futuro e nossa inserção competitive no contexto internacional.

Além dos resultados do PISA 2012 que foraam sobejamente discutidos na imprensa e nos meios acadêmicos,  um jornal de grande circulação nacional, (Estado de São Paulo) e entidades representativas do setor industrial têm realizado alguns foruns de debate sobre os gargalos da economia brasileira e como tais gargalos prejudicam nossa capacidade de produção e de competição com outros países. O último forum realizado há pouco mais de um mês, quando compareceram renomados estudiosos e analistas das questões econômicas e educacionais, chegou a uma triste conclusão.

A melhoria da produtividade da economia passa necessariamente pela melhoria da qualidade da mão-de-obra e esta só pode ocorrer mediante um sistema educacional  que seja universal e ao mesmo tempo de boa qualidade. O Brasil tem conseguido alguns avanços nos aspectos de ampliar a oferta de vagas em todos os setores da educação, de forma um tanto lenta, e está em meio a um verdadeiro apagão quando o assunto é qualidade da educação.

Praticamente 70% dos alunos brasileios, tomando-se como referência os participantes do PISA,  estão abaixo do que deveriam  atingir em matemática, ciências e leitura. Esses são na verdade verdadeiros analfabetos funcionais, razão pela qual além de médicos e outros profissionais de saúde, o Brasil também sofre com um deficit de engenheiros e de profissionais de nível médio ligados ao setor de tecnologia. Quem não sabe matemátia, nem ciência e nem consegue entender ou interpreter o que está lendo, jamais poderá avançar para patamares superiores e níveis mais complexos de educação. Acabam ficando pelo caminho.

Segundo dados recentes  contidos na “Síntese dos indicadores sociais 2013”, publicação do IBGE, a taxa de analfabetismo no Brasil ainda é de 8,7%, a maior na América do Sul e também   a maior entre países que estão competindo com o Brasil no cenário intenacional, só estamos `a frente da Índia neste quesito. O Analfabetismo rural em 2012 foi de 21.1% e no Nordeste ainda é de 17,4%.

Outro contraste decorrente pode ser observado entre  a população com menos de três anos de instrução e a parcela que tem curso superior completo ou incompleto.  No primeiro caso, parcela da população com menos de três anos de escolaridade, os chamados analfabetos funcionais em 2012 no Brasil chegava a 22,1%, na região Norte 27,3%, no Nordeste 35,0% e no Sul 21,4%. No Centro Oeste, o paraiso do agronegócio  onde também está o coração do poder nacional (Brasília) chegou a 21.4%.

Esses percentuais são maiores do que a parcela da população que tem curso superior completo ou incompleto que em 2012 são: Brasil 11.2%; Norte 8.0%, Nordeste 7.0%, Sudeste 13,6%, Sul 12.1% e Centro-Oeste 13.9%. Enquanto isso, a parcela da população com curso superior completo ou incompleto na União Européia é superior a 65%  e no G7 acima de 70%.

Considerando os dados dos países que já estão no patamar superior (União Européia, G7, Coréia e outros países Asiáticos e Austrália), o Brasil vai precisar pelo  menos mais 40 anos para acabar com o analfabetismo e analfabetismo funcional e não menos do que 80 a 90 anos para atingir os percentuais da população com curso superior, onde, segundo  o Instituto Paulo Monteiro e a ONG Ação Educativa, 4% dos estudantes de nível superior ainda são classificados como  analfabetos funcionais.

Será que a educação, pela sua importância estratégica para o desenvolvimento de qualquer país e para a melhoria das condições de vida da população é prioridade nacional? Quanto investimos em educação de qualidade quando comparados com outros países?

JUACY DA SILVA, professor universitário, titular e aposentado UFMT,  mestre em sociologia, Email professor.juacy@yahoo.com.br Blog www.professorjuacy.blogspot.com Twitter@profjuacy

terça-feira, 10 de dezembro de 2013


EDUCAÇÃO DE QUALIDADE

JUACY DA SILVA

O Brasil, `a semelhança de tantos outros países emergentes ou em processo de desenvolvimento, tem enfrentado, continua  enfrentando e, com certeza, vai enfrentar diversos desafios, alguns mais simples e outros extremamente graves rumo a uma sociedade economicamente desenvolvida, ambientalmente sustentável , socialmente justa e políticamente responsável.

Os desafios mais importantes e difíceis de serem resolvidos  estão nas áreas da educação, saúde, segurança púbica, previdência social, meio ambiente e infraestura, além, é claro, das questões políticas, organização e funcionamento do Estado ou da chamada máquina pública. Portanto, podemos perceber que tais desafios exigem planejamento de  médio e longo prazos, recursos humanos qualificados e uma classe dirigente comprometida com a ética e a eficiência governamental. É fundamental também que em todo este esforço e caminhada haja participação popular e transparência; afinal, quem paga a conta de tudo isto é a população através de uma pesada carga tributária e tem todo o direito de esperar e exigir de seus governantes seriedade e respeito em relação `a coisa pública.

Há poucos dias a pauta dos meios de comunicação, que durante meses foi ocupada apenas pelo  julgamento dos  envolvidos com o mensalão e a prisão de vários dos condenados, alguns outrora figuras importantes no cenário politico, partidário, governamental e empresarial, um verdadeiro circo nacional, acabou dando também certa ênfase aos resultados da avaliação de estudantes com 15 anos,  realizada pela OECD/OCDE denominada de PISA em ingês, onde o Brasil continua atingindo resultados ridículos.

Este desempenho vergonhoso vem de há muito tempo, incluindo os últimos 11 anos de governo do PT no plano nacional. Em 2006, por exemplo, os resultados do PISA que naquele anocuja ênfase estava voltada para as ciências, o Brasil ocupava a 52a. posição entre 57 países participantes e em 2012 nossa posição geral foi de 58a. entre 65 países.

Praticamente nos mesmos dias da divulgação dos dados do PISA, o IBGE divulgou uma publicação que é um repertório muito rico em dados sócio-econômicos, denominada “Síntese dos Indicadores Sociais, 2012”, onde estudiosos,  gestores públicos e governantes  deveriam analisar em profundidade para identificar a nossa realidade conjuntural.

Alguns dados chamam a atenção e podem explicar em parte o desempenho dos estudantes brasileiros quando em testes internacionais e reflete a baixa qualidade de nossa educação. De acordo com esta síntese dos indicadores sociais existiam 9,6 milhões de jovens com idade  entre 15 e 29 anos (19,6% do total da população nesta faixa etária)  que não estavam nem estudando e nem trabalhando. No Nordeste são 35,2%,  nesta triste situação e na faixa de 18 a 24 anos este percentual chega a 23,4%.a nível de Brasil.

Quando o foco da análise é direcionado para a questão de gênero, a situação beira as raias do absurdo pois das adolescents entre 15 e 17 anos nada menos do que 59,6% nem trabalham e nem estudam e na faixa de 25 a 29 este contingente chega a 76,9%. A maior razão para esta situação é a existência de filhos: 30% das adolescentes entre 15 e 17 anos já são mães e 51,6% entre 18 e 24 anos também informaram terem um ou mais filhos. Esta seria a razão maior para terem abandonado a escola e por não estarem trabalhando. Como cuidam e orientam seus filhos só Deus sabe.

Isto é muito grave e demonstra que apesar das políticas compensatórias do governo e tantas outras migalhas que são distribuidas ao povo, na busca de manipular a vontade popular e garantir a permanência dos mesmos partidos e grupos no poder, uma grande parcela da  população brasileira, exatamente em uma faixa etária que exige independência pessoal, através do trabalho e do estudo, continua completamente marginalizada e excluída. Deste contingente 32,4% ou seja 3,110 milhões de jovens sequer concluiram o ensino fundamental  e com certeza não possuem nenhuma qualificação para um mercado de trabalho que se moderniza e se torna  mais complexo a cada dia. Diante disso é fácil  entender por que 40% dos adolescents e jovens entre 15 e 29 anos que trabalham ganham menos do que um salário mínimo de R$622,00 em 2012 e fazem parte da clientela do bolsa família e outras formas  assistencialistas do governo.
Voltarei a este tema oportunamente.

JUACY DA SILVA,  professor universitário, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia.Email professor.juacy@yahoo.com.br Blog www.professorjuacy.blogspot.com Twitter@profjuacy