sexta-feira, 24 de janeiro de 2014


ROLÉZINHO E EXCLUSÃO

JUACY DA  SILVA

Diferente dos discursos do Governo federal, incluindo  todos  os partidos que o integram, a começar pelo  PT,  PMDB  e demais que na  verdade não passam de sub-legendas nesta coalisão de poder,  a idéia de que o Brasil  está promovendo a inclusão de grandes massas na sociedade de consumo, daí  um certo  “endeusamento”  da chamada  “nova” classe média,  a exclusão social, econômica, política, cultural e espacial está muito bem enraizada e pouca  coisa tem mudado de fato nas últimas décadas.

Por  vários meses em 2013 o país presenciou grandes manifestações de massa  em diversas capitais e grandes cidades, quando inúmeras reivindicações foram estampadas na forma de protestos contra tarifas de transporte coletivo e acabaram extrapolando para outros setores, chegando mesmo a descambar para um certo nível de violência, tanto por parte das forças de repressão de governos que se dizem  democratas e defensores dos direitos dos excluídos. 

De forma oportunista e cínica tanto governantes quanto partidos e  entidades  sindicais, estudantis,  da sociedade civil organizada  e outras que outrora representavam  e defendiam  os direitos dos trabalhadores , estudantes e massas excluídas,  mas que acabaram  cooptadas pelo Governo , tentaram pegar carona em tais movimentos, no que foram  rechaçadas prontamente pelos manifestantes.

A maior consequência foi a queda da popularidade tanto da Presidente Dilma, quanto de seu governo e de vários aliados, enfim, o povo, nas ruas,  demonstrou que deseja  um país livre da corrupção, da demagogia, da incompetência e da imoralidade pública.

Com muito “jogo de cintura” e gastos com meios de comunicacão, aos poucos o  governo conseguiu recompor sua lua de mel com as massas excluídas e voltou a “nadar  de braçada”,com vistas `as  eleiçoes, quando os donos do poder desejam ali permanecer para continuarem usufruindo de suas benesses.

De repente, não mais do que de repente, surge  uma nova forma de manifestação popular integrada por jovens que vivem nas periferias urbanas mas que aos poucos começaram a experimentar o gostinho de tudo o que a grande mídia e a máquina de propaganda econômica,  empresarial e governamental impõe  como novos padrões de consumo. Esses grupos de excluídos ou semi-incluidos  também desejam participar dos  banquetes do Rei.

Sabemos que  nas periferias urbanas , sem infra-estrutura , sem opções de lazer, sem condições de trbalho dígno, sem transporte coletivo de qualidade, sem segurança, sem serviços urbanos de qualidde nas áreas de saúde e de educação, vivem milhões de brasileiros, a grande maioria constituida de pobres, negros, com baixos índices de escolaridade, altos índices de desemprego e sub-emprego.

Muitas vezes, como é o caso de SP  , do   Rio de Janeiro , de Salvador, BH, Recife e outras capitais e regiões metropolitanas as favelas e moradias sub-humanas  estão  bem próximas ou ao lado de verdadeiras mansões e nichos de consumo representados  por shopping  centers de alto luxo frequentado por  integrantes da verdadeira classe média e da alta burguesia.

Essas áreas até recentemente eram consideradas seguras e um verdadeiro “oasis” para o deleite das elites e assemelhados , enfim, verdadeiros “apartheid” sociais em um país que tanto se orgulha de sua democracia racial e social.  Eram espacos guardados por seguranças particulares,  que agem com extrema violência contra pobres e negros, como aconteceu em um shopping em Cuiabá onde um inocente foi espancado até a morte, em nome da defesa dos privilégios das camadas nobres que não querem se misturar  com a ralé.

Ai é que surgem os rolézinhos como desafio a esta meia inclusão. O questionamento que vem a tona é se de fato o processo de desenvolvimento brasileiro é para todos ou para um grupo privilegiado? Com certeza  vamos conviver com os rolézinhos cada vez mais desafiadores do “status quo”!

JUACY DA SILVA, professor universitário, titular e apoentado UFMT, mestre em sociolgia.Email professor.juacy@yahoo.com.br Blog www.profesorjuacy.blogspot.com Twitter@profjuacy

Um comentário:

Maria Nicolau disse...

Fico perplexa diante da perspectiva de um contínuo "apartheid" social, pois esse status quo permancerá inalterado por causa da próprias elites, obviamente, elitizantes, só pensnado em si.
Paira no ar um "cheiro" de repressão de uma mão de ferro que virá para cessar tudo: não é possível que uma sociedade permaneça indiferente a essa possibilidade...