terça-feira, 23 de julho de 2013


FRANCISCO CHEGOU, COM  HUMILDADE E SBEDORIA!

JUACY DA SILVA

Depois de uma longa e cansativa viagem Francisco, o Papa dos pobres e das transformações que começam a ser sentidas na Igreja Católica e que deverão marcar seu pontificado, chegou ao Rio de Janeiro, em meio a muita alegria e esperanças, não apenas para a juventude de mais de uma centena de países que o espera na cidade maravilhosa, mas também para bilhões de pessoas que ao redor do mundo aspiram por justiça, desenvolvimento e respeito `a dignidade humana.

Sempre simpático, amável, alegre, sorridente e ávido por um contato direto com o povo, pessoas de todas as idades, que nas ruas se acotovelavam para aproximar-se do Sumo Pontífice, chegando quase a impedir que seu veículo pudesse trafegar. Mesmo em meio a um trânsito caótico do Rio de Janeiro, Francisco continuou todo o trajeto do aeroporto até a Catedral Metropolitana com a janela do carro aberta, permitindo que as pessoas acenassem ou até mesmo o tocassem, sem jamais demonstrar medo, como os agentes de segurança as vezes davam sinais de que algo de ruim pudesse acontecer ao Santo Padre.

De “papa móvel”, também aberto, sem vidros blindados, escurecidos como os veículos de nossas autoridades que sempre parecem temer o povo, os eleitores e contribuintes e trafegam em altavelocidade com enorme alarde, Francisco fez um pequeno percurso da Catedral Metropolitana até ao Teatro Municipal e Cinelândia, palco de grandes maniestações populares recentes, quando uma massa quase enfurecida exigia o fim da corrupção e da gastança dos Governos Federal, Estadual e Municipal e serviços públicos de qualidade.

Ontem, a multidão que se juntou ao longo do trajeto percorrido por Francisco, estava em júbilo,  imbuida de amor, euforia, esperança e carinho, demonstrando que aspira por algo diferente do que lhe é dispensado por governantes insensíveis, demagogos, corruptos e ineficientes.

A diferença marcante entre esses dois estilos de relacionar-se com o povo foi percebida quando da solenidade oficial das boas vindas ocorrida no Palácio da Guanabara, séde do Governo Estadual, onde a Presidente Dilma fez um longo discurso, que mais parecia um balanço de seu governo em busca da reeleição e Francisco, com humildade e sabedoria tocou profundamente no coração, na alma e na mente não apenas das autoridades presentes, mas em milhões de telespectadores no Brasil e em diversas outras nações que puderam ouvir palavras simples mas carregadas de significado e profundidade.

Sua primeira frase é emblemática, de forma humilde pediu licença para bater na porta do coração de cada pessoa que o ouvia e ali pudesse depositar a esperança, a sabedoria e os valores éticos e de solidariedade, tão ausentes e carentes em diversos corações, principalmente de nossas autoridades que fazem da luxúria, da prepotência, dos privilégios, do nepotismo, do desperezo pelos excluídos e pela ausência de ética em suas ações políticas.

Tenho certeza que Francisco apontou para todos, autoridades públicas, para o Clero , religiosos, religiosas, leigos, leigos e principalmente para a juventude que , mesmo em meio a tanta injustiça, sofrimento, preconceito, materialismo, consumismo, corrupção e violência ainda podemos sonhar com um mundo melhor, começando por uma mudança profunda de valores,  atitudes, ações e forma de viver e de relcionamento humano.

Ao longo desta semana, com certeza, Francisco ainda vai surpreender muito em suas ações e pronunciamentos, sempre com muita humildade e grande sabedoria. É a Igreja que se renova e se transforma para poder ajudar a transformar as pessoas, as nações e o mundo. Esta é sua missão profética e Francisco é seu Pastor, que zela pelo seu rebanho com amor e carinho! Seja benvindo Francisco, o povo brasileiro, principalmente a juventude e as massas excluídas depositam muita esperança e confiança em seu pontificado!

JUACY DA SILVA, professor universitário, fundador, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia, fundador e primeiro presidente da CARITAS ARQUIDIOCESANA DE CUIABA. Email professor.juacy@yahoo.com.br Blog www.professorjuacy.blogspot.com Twitter@profjuacy

SEMANA PEDAGÓGICA NO  ICEMATMT

O ICEMATMT – INSTITUTO DOS CEGOS DE MATO GROSSO, realizará a sua SEMANA PEDAGÓGICA, nos dias 29 deste mês de julho a 02 de agosto próximo, na séde da Entidade, localizada `a RUA 48, QUADRA 17 , LOTE 1,  CPA 3, SETOR 4, EM CUIABÁ.

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terça-feira, 16 de julho de 2013


PENSAMENTO E AÇÃO DE FRANCISCO

JUACY DA SILVA

Na próxima terça feira, 23 de julho de 2013, quando abrir a 23a. Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro, o Papa Francisco, com certeza fará um pronunciamento que deverá marcar sua presença e passagem pelo Brasil, agora como o Sumo Pontífice da Igreja Católica, com mais de um bilhão de fiéis ao redor do mundo.

Desde a sua escolha para substituir Bento XVI, que acabara de renunciar, Francisco tem encantado não apenas católicos/as, mas também pessoas de outras religiões ou mesmo aquelas que não professam nenhum credo religioso. Sua forma simples, humilde e solidária de ser e de viver tem inspirado e deverá inspirar uma grande transformação na Igreja Católica e seu carisma, com certeza, deverá ser usado para contribuir para a resolução de vários conflitos e contradições que desafiam o mundo contemporâneo.

Além de sua primeira Encíclica, apresentada ao público recentemente, que deve comportar uma análise especial por parte da Igreja e de quem deseja entender o pensamento, as ações do Papa e os rumos que pretende estabelecer para a caminhada da Igreja Católica durante seu pontificado, que, a meu ver, muito se aproxima do papado de João Paulo II e deverá marcar um novo tempo nas relações do catolicismo com as demais religiões e do Vaticano com os demais Estados no âmbito da política internacional.

Gostaria de destacar algumas frases e exortações de Francisco que podem indicar pistas para compreender seu pensamento e formas de ação.

Um cristão, se não for revolucionário nos tempos atuais, não é cristão”, parte de seu pronunciamento em 17/06 por ocasião da abertura do simpósio eclesiástico da Diocese de Roma. Na verdade o Papa não está conclamando as pessoas a pegarem em armas e promoverem a derrubada de governos, mesmo que sejam ditatoriais e corruptos, mas sim no sentido de que o cristão deve viver o evangelho em sua plenitude, não compactuar com a injustiça, com a exclusão social, com o consumismo materialista, enfim, ser revolucionário é compromisso de todos que almejam uma sociedade justa, desenvolvida e humana.

Quem de voces chorou pela morte desses irmãos e irmãs? Em 08/07, por ocasião de sua viagem de barco pelo mediterrâneo, sobre o sofrimento e morte de milhares de imigrantes ilegais que arriscam a vida para entrar na Europa. É um gesto de solidariedade a milhões de imigrantes ilegais ou legais que sofrem perseguições pelo mundo afora, inclusive no Brasil.

Na vida cristã e na Igreja também há estruturas antigas e frágeis. Devemos renova-las”. Esta é uma condenação `a burocracia e desvirtuamento que as vezes tem afetado profundamente a Igreja e a desviado de sua doutrina e mensagem cristã. Em 06/07, Francisco exorta os católicos que não temam a reforma que a Igreja precisa fazer com urgência, para voltar `as suas origens cristãs, incluindo a condenação da burocracia e a corrupção do Vaticano e de seu Banco.

O homem precisa de conhecimento e da verdade, porque sem eles não se mantém em pé”. Trecho de sua primeira Encíclica, escrita por Francisco, ao lado de Bento XVI. A base desta afirmação é o evangelho quando Cristo dizia “conhecereis a verdade e Ela (a verdade) vos libertará”. A Verdade era o próprio Cristo, único caminho para a salvação e a transformação da vida das pessoas. O conhecimento, por sua vez, é o antídoto para se combater a ignorância e buscar novos patamares de desenvolvimento que possibilitam uma vida mais dígna a todos os seres humanos. Aqui se abre uma porta para um diálogo mais profícuo entre religião e a ciência.

São Pedro não tinha conta bancária” e com certeza, mesmo que Francisco não tenha mencionado de forma explícita, com certeza a Igreja primitiva não tinha banco, como atualmente acontece com o Banco do Vaticano, envolvido em práticas pouco éticas, para não dizer corruptas. Esta frase foi pronunciada por Francisco, em 11 de junho passado, durante homilía na Capela  Santa Marta, defendendo uma Igrreja pobre, voltada aos pobres, sem opulência e longe dos grandes conglommerados financeiros nacionais e internacionais que por suas ações acabam contribuindo para a concentração de renda e a exclusão social. Insere-se, também, em suas críticas `a luxúria e pompa que a Igreja vive em alguns lugares e tempos, voltada para uma mentalidade materialista.

Deus não pertence a nenhum país”, e com certeza a nenhuma religião. Alocução durante a solenidade em comemoração ao Dia Internacional contra o trabalho e a exploração (inclusive sexual) infantil, em 16 de junho último. Além da solidariedade `as crianças vítimas de abuso sexual e exploração, o Sumo Pontífice enfatiza que este é um compromisso de todos os países, religiões, grupos sociais, pessoas e que a base desta cruzada é o amor cristão, a solidariedade e o respeito pela dignidade humana, principalmente dos mais vulneráveis.

Um carro é necessário para fazer um monte de trabalho, mas, por favor, escolha um mais humilde”. Em 06 de junho Francisco disse que lhe doía ver sacerdotes, religiosos, religiosas, enfim, leigos, fiéis se deleitando com a luxúria, com a ostentação enquanto bilhões de pessoas lutam pela mera sobrevivência. É a exortação de que deseja uma “Igreja pobre, voltada aos pobres”, alocução quando de sua eleição para ocupar o trono de São Pedro.

Ao longo desses meses Francisco não tem se cansado de dar exemplo de humildade, como ao recusar os aposentos luxuosos do Vaticano, ao recusar usar transporte aéreo especial, exigindo que sua viagem ao Brasil seja feita em voo de carreira regular (talvez este devesse ser um exemplo a ser seguido pelos nossos governantes que com frequência usam jatinhos da FAB para irem a festas, jogos de futebol, casamentos; governadores usando helicópteros para seus deslocamentos de finais de semana para casas de veraneio, levando de carona amigos, parentes, animais de estimação, tudo `as custas do contribuinte). Durante sua estada no Brasil recomendou que deseja usar aposentos comuns e semelhantes aos utilizados pelos demais cardeais, bispos e arcebispos, dispensando qualquer tratamento especial ou “VIP”, como tanto gostam nossas autoridades!

Ao longo desses poucos meses em que está investido como Sumo Pontífice, Francisco não tem medido palavras, nem atos para demonstrar que foi escolhido para ser o Papa das grandes transformações que a Igreja está clamando há décadas. Autoridade, humildade, carisma, solidariedade e compromisso com os excluidos tem sido e deverá ser a marca de seu pontificado. Aos poucos a Igreja ao redor do mundo, inclusive nas Dioceses, paróquias e pequenas comunidades espalhadas por centenas de países, começa a respirar e a viver um novo tempo.

A presença de Francisco, o papa dos humildes, deverá aquecer os corações e a mente não apenas de católicos, principalmente a juventude, mas todo o povo brasileiro e latino-americano, é a Igreja que se renova e se transforma para transformar o mundo! Sinais dos tempos!

JUACY DA SILVA, professor universitário, UFMT, Mestre em sociologia, articulista de A Gazeta. Email professor.juacy@yahoo.com.br Blog www.professorjuacy.blogspot.com Twitter@profjuacy

domingo, 14 de julho de 2013


REFORMA POLÍTICA (I)

JUACY DA SILVA

Eu sempre fui um tanto cético em relação `a chamada "reforma politica", pelo simples fato de que a mesma, para ser aprovada, depende de quem não a deseja, que são os três principais atores que dominam o cenário político nacional: a) o governo de plantão (pouco importa quem seja ou a qual partido ou coligação pertença) que sempre usa de artifícios e casuismos para permanecer no poder; b) o segundo ator: os partidos políticos que, da mesma forma, principalmente os que fazem parte da base parlamentar do governo de plantão, também não desejam mudanças ou  quando dizem que desejam tais mudancas, na verdade tudo fazem para que as mesmas sejam para fortalece-los, dificultanto ao máximo os demais partidos e coligações, principalmente os/as que estejam (conjunturalmente/oasionalmente) na oposição, e, c) finalmente, a chamada classe política, ou seja, os políticos que detém mandatos ou seus suplentes que jamais desejariam ser apeados do poder. A esses três atores costumo referir como os donos do poder ou elite dominante, que tem como seus grandes aliados os grupos econômicos nacionais e internacionais, os latifundiários, banqueiros, grandes empreiteiras, os corruptos/corruptores e agiotas/abutres de toda ordem.

Tendo em vista essas premissas ou fatores condicionantes, mesmo assim, vou escrever uma reflexão apontando/sugerindo alguns aspectos que deveriam estar comtemplados em uma reforma política de verdade, não esses remendos que foram ou continuam sendo efetuados exatamente por esses três atores basicos do processo político e seus aliados.

Quando das grandes manifestações de massa ocorridas durante o mês de junho, diferente das últimas ocorridas na última semana e convocadas pelas centrais sindicais (a grande maioria vinculadas a partidos e setores que fazem parte do Governo ou apoiam a coalização que há dez anos está no poder, capitaneada pelo PT/PMDB e outros partidos), as grandes reivindicações eram por um governo decente, sem corrupção; por serviços públicos de qualidade, pela garantia dos principais direitos da população como saúde, educação, segurança, saneamento, moradia, transporte coletivo. As massas nas ruas do país não clamavam por reforma política, por constituinte exclusiva ou plebiscito.

Coube ao Palácio do Planalto, como estratégia para desmobilizar as manifestações, a  tentativa de mudar o foco, impor uma nova agenda `a midia e a classe política, e desviar a atenção da opinião pública para outros aspectos de menor relevância para o povo, inclusive usando o episódio da bisbilhotagem/espionagem cibernetética realizada pelos EUA, para criar e fomentar um “inimigo externo”, visando fortalecer o governo (totalmente enfraquecido perante a opinião pública) internamente.

Parece que o tiro saiu pela culatra, primeiro a Presidente Dilma recuou da idéia de uma Constituinte exclusiva, para realizar a Reforma política; pois sua idéia inicial era uma forma de  impor limites e acabar com a soberania que toda Assembléia Constituinte deve ter, sem peias ou limitações impostas por quem esteja no poder. Afinal, uma Assembléia Constituinte recebe seu mandato do povo e jamais delibera como uma extensão da vontade dos governantes de plantão.

Segundo, a idéia do plebiscito também nasceu morta, seja pela premência do tempo, seja pela relação simplista das questões que deveriam ser indagadas `a população, seja, enfim, pelo fato de que o Governo não conseguiu convencer nem mesmo os partidos que lhe dão sustentação no Congresso. Não tem sentido impor um plebiscito a toque de caixa para decidir sobre questões importantes na vida nacional em pouco mais de um mês, para que tais mudanças devam entrar em vigor e alterar o processo político em curso. Qual a razão que a Presidente deseja que as coligações para eleição proporcional (para vereadores,deputados estaduais e federais) devem ser proibidas e ao mesmo tempo permitir que possa haver coligação para cargos majoritários (prefeitos, governadores, senadores e Presidente da República)? Por que da relação das questões apresentadas pela presidente Dilma não  foi incluida que determinasse o fim da reeleição, a vigorar já nas eleições de 2014? Por que não acabar com o voto obrigatório? A obrigatoriedade dos políticos terem que se aposentar quando completarem 70 anos como ocorre com todos os servidores públicos? Ou mecanismos para acabar com o caciquismo nas direções partidárias? O fim do foro privilegiado para detentores de mantados e outros que são “mais iguais” do que os cidadãos/ãs comuns? Afinal, não “reza” a constituição que todos são iguais perante as Leis? Ou os donos do poder são mais iguais do que o resto da população?

Todavia, como o Congresso e os partidos  gostaram da idéia de uma “nova” agenda política para reverter uma avaliação extremamente negativa, conforme pesquisa internacional do IBOPE, onde 81% da população consideram os partidos políticos e, por extensão, seus membros com ou sem mandatos, como não confiáveis ou dado `as práticas de corrupção, é bom que o povo fique vigilante para que esta turma não venda a perpetrar um “golpe sujo” na nascente, tão frágil e incipiente democracia brasileira.

Este artigo terá continuidade nos próximos dias.

JUACY DA SILVA, professor universitário, fundador, titular, aposentado UFMT, Mestre em sociologia, Twitter@profjuacy Blog www.professorjuacy.blogspot.com  Email professor.juacy@yahoo.com.br