terça-feira, 19 de novembro de 2013


VIOLÊNCIA NA AMÉRICA LATINA

JUACY DA SILVA

A história da América Latina, incluindo também o Brasil, tem sido marcada por extrema violência ao longo de séculos. Esta  violência está presente nas relações de trabalho e produção através do sistema escravocrata, na luta pela posse e uso da terra, onde os conflitos entre latifundiários,  camponeses e indígenas têm contribuido para milhares de mortes a cada ano.

De forma semelhante a violência política também está presente desde as lutas pela independência do jugo colonial europeu, marcadamente  nas lutas contra as potências dominantes da época como Portugal, Espanha como também outros países que em alguns momentos pretenderam ocupar territórios da região como Holanda e França.

Concluido o processo de independência ocorreram várias guerras entre países do continente, tanto na América do Sul quanto Central,  em relação `a demarcação de fronteiras e consolidação dos espaços territoriais nacionais, cabendo destaque `as guerras entre México e Esados Unidos, onde o primeiro acabou perdendo quase 40% de seu antigo território, `a Guerra do Paraguai, envolvendo aquele país, mais o Brasil e Argentina; a Guerra do Chaco, entre Bolívia e Paraguai; a Guerra entre Bolívia e Chile, que acabou retirando da Bolívia sua saida para o Mar e também o conflito entre o Brasil e a Bolívia em relação `a disputa pelo Acre.

De forma semelhante inúmeros  conflitos violentos ocorreram na América Central como a independência do Panamá que era parte do território da Colômbia, as guerras entre praticamente todos os países da América Central. Alguns desses conflitos ainda estão presentes nos dias de hoje como entre Honduras e El Salvador que disputam territórios marítimos e a Guatemala em relação a independência de Belize.

Além desses conflitos e guerras entre países, também a violência política e ideológica permeou  e tem permeado a vida de praticamente todos os países, com lutas fratricidas, algumas estimuladas e apoiadas por países de fora da região, como no periodo da Guerra  fria, quando revoluções violentas acabaram derrubando ditaduras como de Batista em Cuba, dos Somosas na Nicarágua, dos Duvaliês no Haiti, as guerrilhas na Bolívia, no Perú, na Colômbia.

Outra forma de violência política foram os golpes de estado, liderados por militares, com conotaçao ideológica, ocorridos principalmente nas décadas de 60 e 70, no auge da Guerra-fria, que derrubaram governantes civis eleitos democraticamente e acabaram alimentando um processo de extrema violência  em práticamente todos os países da América do Sul e Central, onde tanto a tortura de presos politicos quanto o surgimento de guerrilhas urbanas e rurais dizimaram dezenas de  milhares de pessoas e ao mesmo tempo contribuiram para um clima de insegurança e medo.

Concluido o processo de “retorno” `a democracia, praticamente todos os países do continente estão se defrrontando com uma nova forma de violência, presente principalmente no meio urbano, inicialmente nas grandes cidades e metrópoles, mas que de forma rápida se espalha pelas pequenas e médias cidades e também  atinge o meio rural.

Esta nova forma de violência está relacionada com o narcotráfico, ao tráfico de armas e ao crime organizado,  que pode ser considerado atualmente o quarto poder no continente, inclusive no Brasil,  identificado pela demarcação de territórios, uma luta violenta pelo domínio dos mesmos e a presença de uma relação promíscua entre agentes públicos, incluindo  policiais, servidores públicos e governantes, inclusive representantes eleitos ou que ocupam cargos na alta hierarquia política e administrativa.

A corrupção é o combustível que move esta grande engrenagem, onde a figura das quadrilhas de colarinho branco dentro dos aparelhos de Estado dão apoio e participam de atividades criminosas incluindo a contravenção, os sistemas eleitoral, judicial, penitenciário, o contrabando, a sonegação fiscal e os processos licitatórios de obras e serviços públicos.

É neste contexto que devemos analisar relatórios, estudos e pesquisas de organismos internacionais e nacionais, para que a questão da violência na América Latina não seja vista apenas a partir de alguns de suas manifestações mais diretas. É preciso  ir mais a fundo neste imbroglio entre violência, insegurança, ação ou omissão dos  poderes constituidos, a quem cabe a primazia na definição de políticas públicas mais efetivas para superarem  um desafio que só nos últimos dez anos ceifou a vida de mais de dois milhões de pessoas na América Latina, das quais 526.671 assassinatos e 327.242 mortes em acidentes de trânsito só no Brasil, totalizando  853.913 vítimas em nosso país, número muito maior do que as mortes provocadas por várias guerras civis ou entre paises. E ainda tem gente que acha que vivemos em  um continente e um país (Brasil) marcados pelo caráter pacific de seu povo.

É por isto que a América Latina e também o Brasil lideram o ‘ranking” da violência no mundo. Será que nossos candidatos que estão sempre ávidos para ocuparem ou permanecerem nas estruturas do poder estão realmente preocupados com esta terrível realidade ou apenas continuam com seus discursos demagógicos, próprios dos períodos eleitorais? Com a palavra o leitor e eleitor!

JUACY DA SIVA, professor universitário, fundador,  titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia. Email professor.juacy@yahoo.com.br Blog www.professorjuacy.blogspot.com Twitter@profjuacy

quarta-feira, 13 de novembro de 2013


O MILAGRE CHINÊS

JUACY DA SILVA

De tempos em tempos as pessoas são despertadas para fatos, processos e acontecimentos que, aparentemente, escapam `as explicações rotineiras. Quando se trata de índices de crescimento econômico ou transformações políticas e sociais que fogem aos padrões conhecidos ou estabelecidos passamos a denominar tais realidades  como modelos de desenvolvimento ou então milagres.

A recuperação da Alemnha e do Japão ,países destruidos pela segunda Guerra  mundial,  que em menos de duas décadas já ocupavam a segunda e quarta posições no ranking da economia mundial foi considerada por muitos anos como um dos maiores milagres do século XX.  Da mesma forma todos se recordam das taxas elevadas de crescimentos dos chamados tigres asiáticos, destancdo-se a Coréia  do Sul, também destruída  e dividida entre norte e sul, por quatro anos de intensa Guerra civil, no início dos anos cinquenta, também foi considerado um milagre.

O Brasil também teve o seu “surto” rápido de milagre econômico, durante uma década, época do regime militar, nos anos setenta, quando nossa economia crescia a taxas superiores a 8%, projetando nosso país além fronteiras, mas que acabou sendo superado pelas altas taxas de inflação e recessão das décadas seguintes.

Mais recentemente o que podemos chamar de “bola da vez”,   em termos de milagre econômico e social tem sido a China, cuja voracidade por matérias primas, energia , alimentos, mercados e outros insumos necessários para manter índices de crescimento elevados, em média superiores a 9,2% ao ano, por mais de tres décadas seguidas, é o grande milagre nas duas últimas décadas do século passado e esses 13 anos do novo milênio.

Todavia, tanto o Japão quanto a Alemanha e atualmente a China não surgiram no cenário mundial de repente, esses tres países têm uma história de grandeza e pujança bem  antes do periodo de seus recentes  milagres. A Alemanha antes e durante a segunda Guerra mundial era a maior economia e possuia a maior máquina de Guerra da Europa e do mundo ocidental, enquanto o Japão, seu aliado no pacifico, era um império temido pelos seus  “vizinhos” asiáticos,  principalmente a Coréia e a China, era, também,  uma sociedade avançada na época em termos de economia, aparato militar e desenvolvimento científico e tecnológico.

Quanto `a China, é importante relembrar que esta é uma sociedade milenar, com mais de três mil anos de história, de lutas e de realizações, possui um grande território, a maior população do planeta, mais de 1,3 bilhões de habitantes. Entre os anos de 1.500 e 1.800, por décadas seguidas foi a maior economia do mundo então conhecido, apesar de que durante boa parte desses três séculos ter convivido com as potências colonialistas européias como Portugal, Espanha, França, Inglaterra, Itália e Holanda principalmente.

Em 1.820 a economia chinesa representava um terço da economia mundial e equivalia ao  PIB da Europa de então. Entre esta época e 1950, a China passou por períodos longos de conflitos internos, guerras externas e decadência, culminando com a revolução comunista, de 1949, liderada por Mao Tse Tung e a expulsão de parte da população do país que acabou se transoformando em um novo Estado ou provincia rebelde, como denominada pela China continental, quando se refere a Taiwan/Formosa.

Em uma próxima oportunidade vamos tentar destacar os principais períodos e fatos marcantes que ocorreram na China entre a implantação do regime comunista em 1949/1950 e a “revolução capitalista” iniciada em 1978, com a abertura da economia chinesa `as práticas de Mercado que acabaram alimentando este grande milagre que transformou a China na segunda maior economia do mundo atual e cujas projeções indicam que deverá superar os EUA dentro de no máximo mais dez anos.

JUACY DA SILVA, professor universitário, Titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia. Email professor.juacy@yahoo.com.br Blog www.professorjuacy.blogspot.com Twitter@profjuacy.

domingo, 10 de novembro de 2013


CÓRREGOS E RIOS: MAIS UM DESCASO AMBIENTAL!


JUACY DA SILVA

O descaso de nossos governantes municipais, estaduais e federais (poderes executivo, legislativo e judiciário) em relação ao meio ambiente , ao longo de mais de meio século, está transformando nossos rios, córregos, lagoas, bacias oceânicas e inclusive o Pantaal matogrossense em um grande esgoto a céu aberto. O Brasil vive rodeado e em meio a um grande esgoto, inclusive moral.

Outro descaso em relação aos nossos rios e córregos é a contaminação provocada por toneladas de agrotóxicos e outros poluentes utilizados pela agricultura, chamada de moderna, principalmente em áreas de grandes plantações, onde apenas a busca do lucro motiva  os grandes interesses econômicos e financeiros, deixando o passivo ambiental para a população que sofre as consequências dessa visão imediatista.

Dois grandes exemplos podem ser vistos no que aconteceu com a bacia dos Rios Tietê, Tamanduateí e Pinheiros em SP, o que acontece com a baia da Guanabara e a Lagoa Rodrigo de Freitas  no Rio de Janeiro e o que também acontece em Cuiabá, Várzea Grande e demais muncípios do entorno da bacia do Rio Cuiabá, cujos esgotos são canalizados diretamente para os córregos, ribeirões e rios que fazem parte desta importante bacia para a vida do Pantanal.

O crescimento desordenado de Cuiabá e Várzea Grande, com a ocupação irregular de áreas verdes, áreas de proteção ambiental, a especulação imboliária, acabaram por destruir todas as nascentes dos 28 córregos existentes em Cuiabá e 20 em Várzea Grande, destruiram práticamente toda a possibilidade de vida aquática e também de recuperação dessas nascentes, muitas das quais foram aterradas irregularmente para a construção de vias públicas e edifícios comerciais e residenciais, ante o olhar complassivo, omisso e conivente das autoridades constuidas. Pior do que isso, muitas dessas ocupações irregulares foram estimuladas por políticos inescrupulosos que trocaram a preservação e proteção ambiental pela demagogia eleitoral e votos de incautos moradores.

A cada periodo de chuvas em Cuiabá e Várzea Grande são carreados para os córregos, ribeirões e rios Cuiabá e Coxipó mais de 90 toneladas de detritos,  além aproximadamente  80 toneladas  de esgoto in natura produzidas pela população de Cuiabá e pelo menos 35 toneladas pela população varzeagrandense. É muita sujeira sendo carreada para o Rio Cuiabá que está com seus dias contados.

Cuiabá está entre as 90 maiores cidades do Brasil e ocupa a 65a. posição em relação a tratamento de esgoto, com apenas 28%,  juntamente com Várzea Grande  formam o maior aglomerado urbano de MT, estando próximo de um  milhão de habitantes, e comparado   com outros  aglomerados urbanos ou cidades gêmeas, está nas últimas posições no ranking ambiental em se tratando a limpeza urbana e sanamento básico.

É triste ver uma situação como esta, exatamente no momento em que nossos governantes ficam muito eufóricos para “mostrarem” aos nossos visitants da COPA da FIFA, nossas belezas e potencialidades. Será como vão fazer para econder essa vergonha que são nossos córregos, rios e ribeirões que se transformaram em esgotos a céu aberto? Muita coisa precisa ser feita para que o legado da copa seja de fato um legado de qualidade de vida para a população e não um grande marketing eleitoral para candidatos inescrupulosos, ávidos de poder e suas benesses!

JUACY DA SILVA, professor universitário, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia, Email  professor.juacy@yhoo.com.br  Blog www.professorjuacy.blogspot.com  Twitter@profjuacy