segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013


O ANTIGO (AINDA ATUAL) E O FUTURO PAPA

JUACY  DA SILVA
Poucos dias após a anúncio feito por Bento XVI, que chocou o mundo e deixou mais e um bilhão de católicos sem entender nada, de que iria (como realmente vai) renunciar `as suas funções de sumo pontífice da Igreja Católica Apostólica Romana, eu escrevi  um artigo intitulado “Um Papa Negro?”.
Naquele artigo que foi veiculado em vários jornais, sites e blogs, demonstrei, segundo informes da grande imprensa interncional, que existem diversos prováveis candidatos, incluindo dois negros, que poderiam ser escolhidos como o futuro Papa.
A revista semnal Times, versão  em inglês e que circula nos EUA e Europa desta semana, mas com data de 25 de fevereiro, traz  como reportagem de capa um interessante e extenso artigo (cinco páginas) sobre os meandros que cercam não apenas a escolha do successor de Bento VI quanto outros aspectos demográficos, geopolíticos e estratégicos da Igreja Católica e aponta também sete cardeais dentre os quais um pode ser o escolhido para o Trono de São Pedro.
O único  que em meu artigo não mencionei foi o Cardeal Oscar Rodriguez Maradiaga, de 70 anos, de Honduras, um critico mordaz da atuação violenta do crime organizado e  da corrupção  nos governos, incluindo seu país e diversos países do mundo (onde o Brasil, país com  o maior número de católicos faz parte).
Tanto o Cardeal Peter Turkson, de 64 anos, de Gana, Presidente do Pontifício Conselho de Justiça e Paz do Vaticano quanto o Cardeal Oscar Rodriguez, independente da cor da pele ou de suas origens geográicas, estão comprometidos com aspectos fundamentais que podem mudar a face da Igreja Católica nos próximos anos, incluindo questões como direitos humanos, combate `a corrupçao, direito das minorias, etc.
Todavia, um ou talvez o maior desafio do novo Pontífice seja um reavivamento da fé católica em todos os países, principalmente onde a Igreja está perdendo seus fiéis para outras religiões, principalmente para as denominações pentecostalistas, ou para outras como islamismo, budismo ou mesmo  para o ateismo.
Para que tal desafio seja enfrentado e tenha sucesso a Igreja terá que apagar de sua história práticas imorais e anti-éticas como os escândalos sexuais, uma maior transparência em sua gestão financeira e encarar de frente questões como o aborto, das preferências sexuais, do celibato e outras tantas que contribuem para afugentar seus fieis.
O diálogo inter-religioso, o ecumenismo e questões temporais como as imigrações internacionais, as guerras e conflitos armados em várias partes do mundo, as crises econômicas e financeiras que abalam o mundo capitalista, a pobreza e miséria que ainda rondam bilhões de pessoas, a corrupção governaental , a violência, tráfico de drogas, de armas e de pessoas, são apenas alguns desses graves desafios que estão `a espera do successor de Bento XVI.

Afinal, o Papa, além de ser a autoridade maxima para 1,2 bilhões de fiéis espalhados pelo mundo todo, é também Chefe de um Estado “sui generis” temporal, e, nesta condição um lider politico com grande autoridade moral para ajudar a construir um mundo melhor, com justiça, paz e dignidade para todas as criaturas de Deus e não apenas um guardião da fé cristão e católica ou o successor de Pedro, em Roma!
Com certeza, os cardeais que irão escolher o novo Papa são homens experientes, bem preparados e conhecedores plenos da realidade em que vivem seus fiéis, principalmente os que compõem as grandes massas de excluídos aqui na Terra
Entendo que o reino de Deus começa aqui na terra, com mais faternidade, justiça e melhor distribuição de renda, dos bens e serviços produzidos pelas economias dos vários países. Esquecer esta realidade é transformar toda e qualquer religião em um instrumento de alienação e de defesa dos privilégios e das camadas dominantes em todas as nações. Imagino que Deus não deve ficar satisfeito e feliz em meio a tanto sofrimento humano!

JUACY DA SILVA, professor universitário, UFMT, meste em sociologia,colaborador de Hipernotícias. Email professor.juacy@yahoo.com.br  Blog www.professorjuacy.blogspot.com Twitter@profjuacy

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013


A “NOVA” DOUTRINA OBAMA

JUACY DA SILVA
Na última terça feira o Presidente Obama dirigiu-se ao Congresso Americano, `a população do país em geral e também aos demais países quando de sua apresentação sobre o Estado da União, quando é feito um balanço da situação nacional e os desafios que são visualizados em um futuro próximo ou décadas `a frente.
Ao ser reeleito e empossado para um segundo mandato OBAMA, tanto durante a campanha eleitoral quanto no discurso de posse e em seu círculo mais restrito vai expondo suas idéias que na verdade reresentam o seu diagnostico pessoal e também os aportes de seus auxiliaries diretos em relação aos grandes temas que afetam diretamente os interesses e objetivos nacionais do país.
Além do diagnóstico, que representa uma avaliação da conjuntura e do poder nacional com os respectivos meios de que dispõe para enfrentar e vencer os desafios que se apresentam, cabe ao Presidente, que também é o Comandante-em-chefe das Forças Armadas, as mais ponderosas do mundo, estabelecer as suas grandes diretrizes políticas e estratégicas, as quais devem orientar as ações de todos os setores do governo.
Tais definições e estratégias passam a representar o que é chamada de Doutrina, um conjunto de princípios, valores e compromissos que devem ser atualizados permanentemente `a medida que a conjuntura se altere. Doutrina, neste sentido não é uma camisa de força mas sim uma bússula para orientar as ações do governo.
Como se trata de um segundo mandato, com certeza foi feito e deverá ser realizada uma re-avaliação dos desafios enfrentados durante o primeiro mandato, os métodos utilizados e os resultados aalcançados, incluindo os erros e fracassos.  Assim podemos denominar que com o segundo mantado o governo deverá  se balizar em uma “nova”  doutrina ou seja, uma revisão de tudo o que foi realizado e as mudanças que devem ser imprimidas na nova gestão.
Os grandes temas abordados por Obama em seu pronunciamento ao Congresso foram: a) Economia,com destaque para a criação de empregos; o controle orçamentário, com redução do deficit e a reforma fiscal;  ênfase no crescimento da indústria, aliado ao desenvolvimento da ciência e tecnologia e a inovação, a  plena recuperação do mercado imobiliário, os incentivos e treinamento de mão-de-obra.
b) Energia, com ênfase na independência energética e redução da dependência de fontes externas e o desenvolvimento de fontes alternativas e de energia limpa e renovável, incluindo maior eficiência em todos os setores da economia e da sociedade.
c) Educação, como um setor estratégico de longo prazo, com ênfase `a qualidade e a cobertura universal da educação infantil, melhoria da qualidade do ensino fundamental e médio, e também um  reforço substancial ao ensino superior, como mecanismo para aumentar a competividade da mão-de-obra, novas invenções e permitir que os EUA continuem sempre `a frente das grandes transformações científicas e tecnológicas.
Em relação `a política externa e `a segurança nacional a ênfase foi no combate a todas as formas e grupos terroristas, o fim da Guerra no Afeganistão e a retirada das tropas americanas daquele país até final de 2014; a condenação da proliferação de armas nucleares, com destaque para os riscos que os programas nucleares do Iran e Coréia do Norte representam não apenas para os EUA como principalmente para a maior parte da Ásia.
Outras questões importantes apresentadas foram: reforma imigratória, combate `a violência e controle de vendas de armas de fogo e a segurança e defesa cibernética, como uma  séria ameaça  deste início de século. Finalmente, mencionou a importância da continuidade da reforma da saúde, da recuperação da infraestrutura de transportes do país.
Obama convocou uma verdadeira cruzada para o fortalecimento da classe média, a redução da pobreza e da concentração de renda e propos um aumento substancial do salário mínimo  que passará para nove dólares por hora.
JUACY DA SILVA, professor universitário,UFMT, mestre em sociologia, colaborador/articulista de A Gazeta. Email professor.juacy@yahoo.com.br  Blog www.professorjuacy.blogspot.com

UM PAPA NEGRO?

JUACY DA SILVA
O mundo todo, principalmente os católicos, tanto a hierarquia quanto os leigos em geral, foram pegos de surpresa pelo anúncio feito pelo Papa Bento XVI, há poucos dias, de que no ultimo dia deste mês de fevereiro irá abdicar de suas funções papais. O último papa a renunciar, em meio a uma crise política e institucional que abalava a igreja católica, foi Gregório XII em 1.415, há 598 anos.
Bento XVI alega, como motivos básicos para sua renúncia, suas condições de saúde que não mais lhe permitem exercer em sua plenitude as funções pontifícias e sabendo dos desafios que estão por vir, de forma consciente, corajosa e com muita humildade abre espaço para que a Igreja possa escolher um novo Papa, dentro de no máimo três semanas ou pouco mais de um mês.
As especulações sobre que outros motivos, além das dificuldades de saúde, teriam influenciados nesta extrema decisão, como os escândalos sexuais que têm abalado a igreja nos últimos anos ou as acusações de envolvimento do Banco do Vaticano com lavagem de dinheiro, foram logo colocadas por terra.
Passados os primeiros dias do choque provocado pela anúncio de Bento XVI, antes mesmo de sua renúncia formal e definitiva  que deverá ocorrer no final deste mês, as atenções se voltam agora para o Conclave (reunião  dos cardeais que deverá escolher o novo Papa) cuja “bolsa de apostas” já está aberta,  alimentada pela grande midia internacional e pelas avaliações dos especialistas em Vaticano.
O Colégio  cardinalício é composto  por 208 cardeais, sendo que apenas 118, com menos de 80 anos, tem direito a voto. Desses, 62 são da Europa (28 italianos); 17 da América do Norte (11 dos EUA), 13 da América do  Sul (10  do Brasil, sendo 4 com mais de 80 anos, portanto apenas 6 com direito a voto para escolher o novo Papa); 3 da América Central; 11 da Ásia; 11 da África e um a Oceania.
Segundo os especialistas em Vaticano, possivelmente o novo  Papa deverá ser alguém mais jovem do que Bento XVI quando foi escolhido, possibilitando, assim um papado mais longo para poder imprimir sua marca ao longo de pelo menos duas décadas ou mais, como aconteceu com Leão XIII, cujo  papado foi de 1878 a 1903; ou de Pio XII que governou a Igreja por 19 anos, de 1939 a 1958 ou de João Paulo II, o Papa peregrino, que deixou sua marca ao longo de 27 anos, de 1978 a 2005.
Além da idade, outros fatores pesam na escolha do novo Papa como sua inserção da burocracia do Vaticano; posições teológicas e doutrinárias em relação aos vários temas em debate dentro e fora da  Igreja, incluindo questões éticas, moraes, econômicas, políticas, culturais e inclusive o diálogo inter-religioso.
Nessas e em outras questões existem três correntes dentro da Igreja Católica: a conservadora, a  moderada e a chamada progressista. Esta última mais alinhada com as grandes transformações advindas com o Concílio Vaticano II, que em 2012 completou meio século de convocação, pelo também saudoso Papa João XXIII, que governou a Igreja por apenas 5 anos, de 1958 a 1963.
Dentre os possíveis escolhidos, as apostas recaem sobre Ângelo Scola, arcebispo de Milão, especialista no diálogo entre cristãos e mulçumanos; Ângelo Bagnasco, Arcebispo de Gênova, critico do Governo Berlusconi pela corrupção e pelos desvios éticos, bastante vinculado `a política secular e a mídia, foi duas vezes presidente  da Conferência dos Bispos da Itália; Marc Quellet, canadense e ex-arcebispo de Quebec, é presidente da Congregação dos Bispos do Vaticano, experiente e estudioso das questões da secularização do mundo occidental, muito próximo de Bento XVI em questões teológicas e doutrinárias; Gianfranco Ravasi, elevado a cardeal em 2010, é  presidente do Conselho Cultural  da Santa Sé e um mestre em comunicação, muito familiar com a burocracia do Vaticano; Leonardo Sandri, chefe do Gabinete do Vaticano para as relações da Igreja na Ásia e por muitos anos um diplomata da Santa Sé.
Completando esta lista não podem ser destacados o Cardeal Peter Turkson, de 64 anos, Arcebispo de Cape Coast, em Gana; filho de pai católico e mãe metodista, ex-presidente da Conferência os Bispos de Gana,  elevado a Cardeal em 2003, com 55 anos e Presidente do Pontifício Conselho de Justiça e Paz, desde 2009.
Caso a escolha recaia sobre Peter Turkson, ou mesmo sobre o Cardeal Francis Arinze (com quase 80 anos) da Nigéria, a Igreja Católica poderá ter o seu Papa Africano e Negro, fato que poderá ser considerado uma grande transformação na postura da Igreja, como foi a escolha de Obama como o primeiro presidenente  negro nos EUA.
JUACY DA SILVA, professor universitário, UFMT, mestre em sociologia, colaborador/articulista de Hipernotícias. Email professor.juacy@yahoo.com.br  Blog www.professorjuacy.blogspot.com Twitter@profjuacy

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013


TURISMO E DESENVOLVIMENTO

JUACY DA SILVA

A medida que as pessoas passam a viver mais, principalmente depois que se aposentam e as rendas individual e familiar aumentam, fatores  esses aliados a meios de transporte mais rápidos e eficientes e outras condições  como segurança pública,  recursos humanos mais qualificados  o turismo cresce , em vários países, bem acima das taxas médias de crescimento da economia em geral.

O turismo é um fator importante para o crescimento das diversas regiões e dos países em geral. No caso do turismo interno, na verdade, é como em  uma família, ou seja, a renda acaba sendo transferida de uma parte para outra sem afetar de forma significativa o tamanho do bolo. Mas do ponto de vista local, estadual ou regional passa a ser um fator que dinamiza a economia e cria oportunidades de emprego e de  renda.

Todavia, o turismo internacional é que de fato pode contribuir de forma significativa para o crescimento do PIB de um país pois ao atrair milhões de visitantes a cada ano e criar condiçoes para que esses turistas  decidam ficar mais tempo e voltarem novamente, alguns todos os anos, tal processo contribui para o aporte de bilhões de dólares à economia nacional e também `as economias regionais e locais.

O turismo internacional é um dos setores que mais tem crescido  tanto em termos de número de turistas quanto dos gastos que cada turista realiza nos destinos visitados, além do aumento do tempo de duração que tais turistas ficam nos países visitados.

Segundo dados da Organização Mundial do Turismo, uma agência especializada  da ONU para  este setor, em 1950  o número de turistas internacionais foi de 25 milhões, em 1980 passou  277 milhões, 1990  para 435 milhões; em 2000  para 675 milhões; em 2010 para 940  milhões; em 2011 para 983 mlhões e em 2012 ultrapassou 1,05  bilhões de pessoas. As projeções indicam que em 2030 serão 1,8 bilhões de turistas viajando pelo mundo afora.

Mesmo em meio `a crise que abate sobre a economia mundial, afetando os países desenvolvidos da Europa, EUA, Canadá e Japão o turismo foi o setor que praticamente não sofreu com a crise e conseguiu crescer em média 3,3% ao ano durante os últimos quatro anos. Em alguns países como a China, India, Turquia, Indonésia, Coréia do Sul e outros tigres asiáticos o ritmo de crescimento foi acima de 5 %  chegando em alguns casos até a mais de 10%  ano ano.

Em 2010 os principais destinos do turismo intenacional foram: a) Europa 51,3%; b) Ásia/pacifico 22,1%; c) Américas 15,9%;  d) África  5,1%; e) Oriente Médio 5,6%.  A América do Sul foi o destino de apenas 2,6% do total de turistas internacionais.

O Brasil, apesar de ser  classificado como o país número um em termos de recursos naturais e estar se preparando para dois grandes eventos esportivos, a Copa da FIFA em 2014 e as Olimpíadas no Rio de Janeiro em 2016,  continua ruim na foto. No ranking elaborado pelo Forum Econômico Mundial em relação ao turismo nosso país ocupava a 38a  posição em 2008  e caiu para a 40a posição em 2010, ficando em 7a posição no contexto do continente Americano e Caribe.

Quando o ranking  geral é detalhado em relação aos rankings setoriais  podemos ver que ainda estamos muito longe de transformar nosso país em uma potência turistica internacional. No aspecto de segurança pública o Brasil está na 75a posicção, entre o 141 países que integram o relatório da OECD; no aspecto  das políticas públicas e regulação do setor estamos na 114a posição;  na infra-estrutura do turismo em geral nossa posição é 76a; no transporte  terrestre e infra-estrutura rodoviária caimos para 116a; no item preços e custos para os turistas 114a, em recursos humanos ligados ao turismo  ostentamos a 70a. posição e, finalmente, a avaliação do turismo como prioridade nas políticas públicas o Brasil está na 108a posição.

Enfim, apesar dos discursos, dos “planos e programas” dos governos federal, estaudais e municipais,  quando confrontados com essa realidade apresentada por diversos organismos especializados, fica fácil entender porque milhões de turistas escolhem outros países em lugar do Brasil para viajarem e desfutarem dessas oportunidades de lazer e negócios. Será  que nossos governantes não percebem esta realidade? Ou tudo não passa e um grande circo politico?

JUACY DA SILVA, professor universitário, UFMT, mestre em sociologia, colaborador/articulista de A Gazeta. Email professor.juacy@yahoo.com.br Blog www.professorjuacy.blogspot.com Twitter@profjuacy

domingo, 3 de fevereiro de 2013


AS VEREDAS DO FUTURO

JUACY DA SILVA

O ultimo número da  revista “Strategy + Business”,  traduzindo Estratégia e negócios, de dezembro de 2012, uma publicação do grupo Booz & Company, dedicada aos estudos de cunho estratégico não apenas no universo empresarial mas também nos âmbitos nacional e mundial, traz dois interessantes artigos um sobre o setor de pesquisa e desenvolvimento por parte das mil maiores corporações internacionais e um outro sobre a questão dos modelos de universidade, em um mundo em transformação tecnológica acelerada.

O primeiro artigo  intitulado “The Global innovation 1000: making  ideas work” (inovação  global 1000: fazendo as idéias funcionarem) e o  segundo  Os dilemas da universidade”,  juntam-se a um terceiro artigo também muito interessante sobre Talentos como um recurso estratégico  tanto no âmbito das empresas quanto do Estado.

Essas reflexões nos remetem a um debate mais profundo sobre os modelos de desenvolvimento que os vários países tem adotado e vem adotando na busca de construir um futuro mais humano, mais justo e mais voltado para o atendimento das necessidades da população , as oportunidades e a divisão do bolo entre toda a população.  Um dos fatores determinantes, talvez o que maior impacto possa causar na busca desses caminhos (veredas) e a velocidade em  que tal pocesso possa ocorrer , sem dúvida  é o desenvolvimento do conhecimento e a transformação deste em produtos e seviços para a sociedade.

Todavia, como já tenho apontado em artigosr e reflexões anteriores, podemos agrupar os países e territórios nacionais  em  dois grupos: um que desenvolve certa capacidade para gerar conhecimento e desenvolver as áreas de ciência e tecnologia, via uma educação de qualidade e transformadora que privilegie a capacidade individual e a criatividade, e um segundo grupo que não consegue este feito e passa a ser apenas consumidor de conhecimento, ciência e tecnologia.

O primeiro grupo tem as rédeas de seu destino, atingem um nível de independência, de autonomia e,em certos  casos até de hegemonia setorial ou global,  enquanto o segundo grupo, mesmo que se “modernize”  será sempre um mero usuário do conhecimento , da ciência e tecnologia gerados além fronteiras, ficando dependente do domínio ,da transferência e pagamento desta tecnologia em todas as áreas, inclusive nas áreas estratégicas para a independência e a soberania nacionais.

O modelo adotado pelo Brasil está muito mais próximo do segundo grupo do que do primeiro. Mesmo em meio a tanto orgulho e ufanismo por parte do atual governo e alguns anteriores, nossa capacidade de gerar conhecimento, agregar valores, desenvolver ciência e tecnologia, criar produtos de alto valor agregado ainda está extremamente limitada. Orgulhamos pelas nossas exportaçõs de matéria prima de baixo valor agregado enquanto continuamos importando produtos acabados e de alta tecnologia. Esta relação de troca não gera novos patamares de autonomia.

Continuamos a nos orgulhar de termos mais de 200 milhões de celulares, milhões de televisores, computadores, medicamentos , veiculos, microondas, insumos agrícolas e tantos outros produtos sofisticados, mas a grande maioria continua sendo importada ou quando aqui fabricados as patentes, a propriedade intelectuais  pertencem a outros países.

Nosos níveis de investimento em educação, incluindo ensino superior, em ciência e tecnologia, inovação, criação de novos  produtos são muito abaixo do que a representatividade de nossa economia e de nossa arrecadação de impostos e dos orçamentos públicos.  De forma  semelhante  também o setor empresarial brasileiro pouco investe nessas áreas estratégicas, ficando a mercê do que os poderes públicos investem, muito pouco  como sabemos. As grandes prioridades dos governantes são setores que transformam as massas de pobres  e miseráveis e de boa parte da  classe média  em eleiores de cabresto, o eterno binômio pão é circo, bem conhecido desde o Império  Romano há mais de dois mil anos.

Enquanto isto, alguns países  que em passado não muito distante estavam em nível de desenvolvimento bem abaixo do Brasil deram um salto extremamente rápido e hoje desfrutam da independência e autonomia nessas áreas. Os exemplos da China, da Índia, da Coréia do Sul, da Turquia, de Twaian e outros tigres asiáticos bem atestam esta realidade.

Em uma próxima oportunidade irei apresentar alguns numeros que demonstram como este setor  tem se desenvolvido  em  alguns desses países. Quanto ao Brasil também precisamos ver nossas posições  nos “rankings” mundiais. A vergonha continua a mesma, nosso desempenho  tem  sido vexatório!

JUACY DASILVA, professor  universitário, UFMT, mestre em sociologia, colaborador de Hipernotícias.  Email professor.juacy@yahoo.com.br Blog www.professorjuacy.blogspot.com Twitter@profjuacy

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013


A OUTRA AGENDA DE OBAMA
JUACY DA SILVA

Conforme referido  em artigo anterior, neste início de segundo  mandato, Obama tem duas agendas, a primeira  apresentada quando  de seu discurso ao ser empossado pelo Congresso, onde a maior parte das ações indicadas estão  voltadas para a política interna.

A segunda agenda, que ainda está um tanto oculta, vai sendo  construida aos poucos. Esta é voltada, fundamentalmente, para a política externa e tem dois pilares, um no Departamento de Estado, cujo novo secretário Senador J. Kerry,  candidato democrata derrotado  pelo então presidente George W Bush, que buscava a reeleição em 2004,  acabou de ser aprovado pelo senado na última quarta feira, em substituição a Hillary Clinton, uma  provável candidata a presidente   em 2016.

O outro pilar desta agenda deverá estar no Departamnto de Defesa, onde o indicado por Obama ainda tem que ser sabatinado e aprovado pelo Senado. Apesar de o mesmo ser ex-senador pelo Partido Republicano, parece que a sua confirmação pode enfrentar dificuldades exatamente entre seus ex-pares republicanos.

Ambos, Senadores Kerry e Chuck Hagel, são veteranos da Guerra do Vietnã e construiram suas carreiras politicas combatendo e criticando a referida Guerra. Por isso são considerados como  pacifistas, ou pombos, pelos defensores daquela e de outras guerras, a maioria do partido republicano, denominados de falcões(ou seja mais belicistas).

A diretriz básica de Obama, no caso da política externa, é no sentido de procurar esgotar primeiro todas as alternativas para a resolução pacífica para os atuais e futuros conflitos. Todavia, fez questão de reforçar a idéia de que esta postura não e um recuo e nem capitulação por parte dos EUA, em relação aos possíveis adversários e inimigos. Sempre que necessário se tornar o uso da força bélica como o ultimo recurso para defender, interna e externamente, os objetivos  vitais e os interesses nacionais  dos EUA, tal postura jamais será descartada.

Com  certeza esta agenda deverá  ser detalhada após as posses desses dois novos secretários e  por ocasião do discurso de Obama quando de sua apresentação sobre o “Estado da União’, onde deverá  fazer um balanço da caminhada realizada durante seu primeiro mandato e as linhas mestras do que serão os próximos anos.

A partir daí  esta agenda passa a estar articulada com a anterior e com  certeza será a consolidação  da  NOVA DOUTRINA OBAMA, com projeções para além de seu segundo mandato, marcando o posicionamento americano quanto aos principais desafios, conflitos e oportunidades no atual e futuro cenário geopolítico e estratégico mundial.

Os principais conflitos,  atualmente existentes ou potencialmente  como prováveis ameaças futuras  estão relacionados com a instabilidade política no Oriente Médio, Norte da África,  a questão nuclear envolvendo o iran e a Coréia do Norte; as disputas territorias envolvendo a China e vários de seus  vizinhos, a maioria dos quais parceiros ou aliados antigos dos EUA, o ‘renascimento’ do “ expansionismo” russo, a crise européia,  os investimentos militares da China, Índia,Rússia e outros países, o terrorismo, a criminalidade transnacional, onde o tráfico de  drogas, de armas, de pessoas, a corrupção,  a pobreza extrema em vários países,  as mudanças climáticas, o impacto das imigrações interncionais, a  defesa dos direitos humanos são alguns dos eixos   importantes  para o balizamento  desta nova doutrina.

Dependendo das estratégias a serem usadas para a implementação  desta agenda, Obama poderá ser lembrado  como o presidente que evitou  que o mundo continue mergulhado em conflitos localizados e, ao mesmo tempo,  como o timoneiro para a recuperaçao do prestígio e da hegemonia americana nesta segunda década do século XXI.

JUACY DA SIVA, professor universitário, UFMT, mestre em sociologia, colaborador/articulista de A Gazeta. Email professor.juacy@yahoo.com.br Blog www.professorjuacy.blogspot.com  Twitter@profjuacy

 

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013


TRANSFORMAÇÕES TECNOLÓGICAS E O FUTURO

JUACY DA SILVA
Na terça feira, 22 de janeiro corrente (2013), em meio as várias matérias sobre a posse de Obama,  li no The Wall Street Journal uma reportagem  bem   interessante e instigante, incluindo uma entrevista com Peter Diamandis, Chairman e Diretor Executivo da X  Prize Foundation  e dados de uma pesquisa recente com  altos executivos de 500 grandes corporações aqui nos EUA,feita pela IESE Business School, sobre o limiar e os novos patamares de transformações tecnológicas e os impactos dos/as mesmos na economia, no governo e na sociedade no mundo todo.
O primeiro aspecto destacado é a velocidade das transformações tecnológicas,ou seja  cada vez mais as atuais tecnologias estão entrando em estado de obsolescência de forma mais rápido. Só para se ter uma idéia, o volume de dados estocados e transferidos diariamente pelo mundo afora tem crescido e continuará crescendo em  uma dimensão jamais vista ou imaginada. Em 2012 esses dados correspondiam a 2,84 milhões de pentabytes,  este volume passará para 6,12 milhões em 2014; 10,87 em 2016; 21,61 em 2018 e 40,03 em 2020.
O número de usuários de internet, cada vez mais em sistemas de alta velocidade, deverá passar de dois bilhões de pessoas em 2010, para cinco bilhões em 2020. Esses três novos bilhões de pessoas, principalmente nos países em desenvolvimento, com destaque para os integrantes dos BRICs, terão níveis educacionais e de saúde cada vez melhores. Os países que não investirem nesta área estarão fadados a ficar fora dos circuitos da sociedade pos-moderna, onde o conhecimento e a tecnologia serão as grandes “commodities”, cada vez mais valorizadas.
A relação entre valores de unidades das commodities tradicionais como alimentos, materias-primas,  minérios, produtos florestais será cada vez mais defasada,ou seja se hoje uma unidade de soja, digamos uma tonelada pode comprar uma determinada unidade de tecnologia, dentro de uma década serão necessárias quatro ou cinco vezes mais unidades traicionais para serem trocadas por unidades tecnológicas ou de conhecimento.
Os países estarão dividdos entre produtores de conhecimeno e de tecnologia e países que perderem o bonde da história e serão apenas usuários desses novos bens e serviços. Um aspecto  fundamental nesta corrida contra o tempo e rumo ao futuro são os investimentos e a qualidade da educacão. Países que deixarem de investir em educaçao de qualidade que  possa levar ao desenvolvimento da ciência e de novas tecnologias estarão na periferia mundial.  O desafio atual é estabelecer prioridades estratégicas, por exemplo, entre premiar a competência ou certas formas demagógicas que os governantes são tentados a estabelecer, entre usar os recursos públicos em políticas assistencias ou investir em uma verdadeira revoluçao  educacional e tecnológica.
As oito grandes áreas onde os desafios quanto ao futuro devem ocorrer são: 1) Biotecnologia; 2) sistemas decomputação cada vez mais sofisticados, poderosos e  rápidos; 3) sistemas de redes e segurança  das informações; 4) inteligência artificial; 5) robótica; 6)manufaturamento digitalizado transnacional com presença de 3G cada vez  mais; 7)medicina tecnológica, articulado em nível  intercontinental,  diagnósticos, imagens, nformatização e gestão de grandes sistemas e unidades des saúde; 8)nanotecnoligia e novas modelações tecnológicas , novas baterias e novos materiais.
Além  disso estarão presentes alguns grandes desafios tanto ao nível empresarial quanto governamental e societário, entre os quais são ressaltados: a) gestão tecnológica  integrada e com  maior eficiência; b) governança electrônica com mais eficência e transparência por parte dos entes públicos e grandes corporações, principalmente as transnacionais; c) cidadania cibernética, possibilitando as pessoas participarem e fiscalizarem  mais os governos e grandes corporações; d) segurança cibernética, cada vez mais complexa e mais vulnerável  a ataques terroristas ou de grupos que tenham interesse em desestabilizar  governos e sociedades.
Creio que cabe `as universidadess e aos pesquisadores, enfim, pessoas e entidades públicas ou privadas  voltarem um pouco mais as suas atenções para esses desafios e possibilidades, antes que o futuro chegue e continuemos, como no caso do Brasil, a ser apenas o país do futuro enquanto outros estarão cada vez mais `a frente.  Esta é uma funcão do pesamento estrategico, pouco presente  em alguns países, incluindo o Brasil.
JUACY DASILVA, professor universitário, UFMT, mestre em sociologia, colaborador do Site Hipernoticias. Email professor.juacy@yahoo.com.br Twitter@profjuacy Blog www.professorjuacy.blogspot.com/