domingo, 10 de novembro de 2013


CÓRREGOS E RIOS: MAIS UM DESCASO AMBIENTAL!


JUACY DA SILVA

O descaso de nossos governantes municipais, estaduais e federais (poderes executivo, legislativo e judiciário) em relação ao meio ambiente , ao longo de mais de meio século, está transformando nossos rios, córregos, lagoas, bacias oceânicas e inclusive o Pantaal matogrossense em um grande esgoto a céu aberto. O Brasil vive rodeado e em meio a um grande esgoto, inclusive moral.

Outro descaso em relação aos nossos rios e córregos é a contaminação provocada por toneladas de agrotóxicos e outros poluentes utilizados pela agricultura, chamada de moderna, principalmente em áreas de grandes plantações, onde apenas a busca do lucro motiva  os grandes interesses econômicos e financeiros, deixando o passivo ambiental para a população que sofre as consequências dessa visão imediatista.

Dois grandes exemplos podem ser vistos no que aconteceu com a bacia dos Rios Tietê, Tamanduateí e Pinheiros em SP, o que acontece com a baia da Guanabara e a Lagoa Rodrigo de Freitas  no Rio de Janeiro e o que também acontece em Cuiabá, Várzea Grande e demais muncípios do entorno da bacia do Rio Cuiabá, cujos esgotos são canalizados diretamente para os córregos, ribeirões e rios que fazem parte desta importante bacia para a vida do Pantanal.

O crescimento desordenado de Cuiabá e Várzea Grande, com a ocupação irregular de áreas verdes, áreas de proteção ambiental, a especulação imboliária, acabaram por destruir todas as nascentes dos 28 córregos existentes em Cuiabá e 20 em Várzea Grande, destruiram práticamente toda a possibilidade de vida aquática e também de recuperação dessas nascentes, muitas das quais foram aterradas irregularmente para a construção de vias públicas e edifícios comerciais e residenciais, ante o olhar complassivo, omisso e conivente das autoridades constuidas. Pior do que isso, muitas dessas ocupações irregulares foram estimuladas por políticos inescrupulosos que trocaram a preservação e proteção ambiental pela demagogia eleitoral e votos de incautos moradores.

A cada periodo de chuvas em Cuiabá e Várzea Grande são carreados para os córregos, ribeirões e rios Cuiabá e Coxipó mais de 90 toneladas de detritos,  além aproximadamente  80 toneladas  de esgoto in natura produzidas pela população de Cuiabá e pelo menos 35 toneladas pela população varzeagrandense. É muita sujeira sendo carreada para o Rio Cuiabá que está com seus dias contados.

Cuiabá está entre as 90 maiores cidades do Brasil e ocupa a 65a. posição em relação a tratamento de esgoto, com apenas 28%,  juntamente com Várzea Grande  formam o maior aglomerado urbano de MT, estando próximo de um  milhão de habitantes, e comparado   com outros  aglomerados urbanos ou cidades gêmeas, está nas últimas posições no ranking ambiental em se tratando a limpeza urbana e sanamento básico.

É triste ver uma situação como esta, exatamente no momento em que nossos governantes ficam muito eufóricos para “mostrarem” aos nossos visitants da COPA da FIFA, nossas belezas e potencialidades. Será como vão fazer para econder essa vergonha que são nossos córregos, rios e ribeirões que se transformaram em esgotos a céu aberto? Muita coisa precisa ser feita para que o legado da copa seja de fato um legado de qualidade de vida para a população e não um grande marketing eleitoral para candidatos inescrupulosos, ávidos de poder e suas benesses!

JUACY DA SILVA, professor universitário, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia, Email  professor.juacy@yhoo.com.br  Blog www.professorjuacy.blogspot.com  Twitter@profjuacy

sexta-feira, 8 de novembro de 2013


O BRASIL NO CONTEXTO INTERNACIONAL (2)

JUACY DA SILVA

A inserção dos países no contexto internacional está relacionada com o que em geopolítica e geoestratégia denomina-se de projeção de poder e define o espaço que cada país em um determinado  momento ou por períodos mais longos busca ocupar.

A projeção de poder está relacionada também com o tamanho da economia, do mercado interno, da capacidade de competição, pelos índices de produtividade, a capacidade de definir padrões culturais, religiosos e também pelo poderio militar, científico e tecnológico.

Percebe-se, portanto,que além de uma população numerosa, território de dimensões consideradas grandes, seja em um único espaço ou através de colônias, um país só consegue projetar poder se possui  as  dimensões anteriormente referidas.

Diversos países europeus, considerados colonialistas durante vários séculos, mesmo tendo população e território considerados pequenos, pelos padrões atuais, tinham os demais elementos que lhes possibilitaram projetar poder pelos diveros continentes. Assim aconteceu com a Inglaterra, França, Alemanha, Itália, Espanha , Portugal, Holanda principalmente.

Terminada a segunda Guerra mundial, há quase 70 anos, as antigas potências européias ,mesmo as vencedoras e também a Alemanha, Itália e o Japão, as derrotadas, entraram em um periodo de redução de poder e a perda paulatina de suas colônias, cedendo lugar a dois novos atores, que passaram a ocupar o lugar de superpotências: os EUA e a União Soviética.

Durante várias décadas essas duas superpotências competiram pela primazia nas relações internacionais, dentro do clima da Guerra-fria, que durou até 1989, com a queda do muro de Berlin e o esfacelamento do outrora todo poderoso império soviético.

Nessas duas últimas décadas o mundo parecia estar sendo desenhado por uma única super-potência, os EUA, principalmente pela sua hegemonia militar, científica, tecnológica e econômica. O crescimento acelerado da China, que em tres décadas passou a ser a segunda economia do planeta, com índices elevados e contínuos de crescimento de seu PIB,  está conseguindo ocupar um espaço importante no mundo, tanto em termos econômicos, quanto em fortalecimento de sua expressao militar e aéreo-espacial.

Outra dimensão da projeção de poder foi a consolidação da União Européia que, mesmo em meio a uma crise econômica e financeira profunda nos últimos cinco anos, ainda é um ator de primeira grandeza em termos de PIB, desenvolvimento científio e tecnológico, expressão militar.

Entre as quinze maiores economias do mundo em 2012, todas com PIB maior do que um trihão de dólares, estão incluidos: EUA 16,2 trilhões (23,2% do PIB mundial); China 8,2 (11,4%); Japão 6,0 (8,3%); Alemanha 3,4 (4,7%); França 2,6 (3,6%); Inglaterra 2,5 (3,5%); Brasil 2,3 (3,2%); Rússia 2,1 (2,9%); Itália 2,0 (2,8%); Índia 1,8 (2,5%); Canadá 1,8 (2,5%); Austrália 1,5 (2,1%); Espanha 1,3 (1,8%); México 1,2 (1,7%); Coréia do Sul 1,1 (1,5%).

Apesar de ser a sétima economia do planeta, o Brasil neste grupo das quinze maiores economias é o ultimo em comércio internacional, em renda e PIB per capita. Possui  a segunda maior taxa de inflação (5,8%),só perdendo para a Índia (6,0%) e também a segunda maior taxa básica de juros (8,0%), só perdendo para a Rússia (8,25%).

Além desses aspectos para podermos avaliar a inserção de um país no contexto internacional devemos observar outros parâmetros como grau de participação da indústria na composição do PIB, indice de dependência externa  e desnacionalização da economia, posição em relação a competitividade, endividamento público, interno e externo e os meios militares de que dispõe  para garantir seus interesses nacionais vitais, tanto interna quanto externamente. Esses aspectos devem constar das diversas políticas públicas,principalmente a política externa,que não deve ser formulada  segundo opções ideológicas do governo de plantão, mas sim, de acordo com os interesses nacionais permanents e um projeto de desenvolvimento nacional de médio e longo prazo.

Será que o Brasil possui esses aspectos a guiar sua inserção internacional? Vamos ver proximamente!

JUACY DA SILVA,  professor universitário, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia, Email professor.juacy@yahoo.com.br Blog www  professorjuacy.blogspot.com Twitter@profjuacy

terça-feira, 5 de novembro de 2013


COLAPSO  DA SAÚDE NO BRASIL

JUACY DA SILVA

Conforme mencionado em artigo anterior, intitulado “ Governo e o futuro da saúde no Brasil”, é importante que ao analisar a situação da saúde pública em nosso país possamos não apenas identificar as mudanças  ocorridas ao  longo de décadas e de sucessivos governos, mas também compararmos esta e outras áreas com outros  países. Caso isto nao ocorra o único referencial de análise passa a ser a dimensão cronológica. Ao  fazer tal comparação iremos identificar que diversos países conseguiram no mesmo periodo de cinco ou seis décadas melhorar muito mais não apenas a saúde, mas também a educação,  o saneamento básico, a qualidade do fator trabalho,  a distribuição de renda e  a qualidade de vida de suas populações.

Afinal, saúde é muito mais do que ausência de doença, é, fundamentalmente padrão de vida decorrente de melhorias em diversos indicadores. Esta é a maior razão da posição do Brasil bem abaixo de diversos países, que há cinquenta anos estavam  em posições piores do que o nosso em diversos “rankings”, como analfabetismo, mortalidade infantil, taxa bruta de mortalidade, violência, acesso aos serviços básicos de saúde  esgotamento sanitário, qualidade de vida e outros mais.

Até meados da década de cinquenta do século passado o Brasil ainda era um país majoritariamente rural, com altas taxas de mortalidade infantil, de analfabetismo e sua economia era vinculada basicamente as importações de bens industrializados e exportação de produtos primários. A partir desse periodo ocorreu uma grande transformação econômica e demográfica, com migrações do meio rural em direção `as cidades e também um grande deslocamento populacional do nordeste em direção aos Estados do Sudeste, Sul e Centro-Oeste.

Essas mudanças econômicas e sociais representaram e, em certo sentido ainda representam em diversas regiões do Brasil, uma pressão popular por melhores condições de vida e acesso a bens e serviços urbanos como água potável, esgoto, coleta de lixo, escolas de qualidade, diversão e lazer, habitação, transporte coletivo e, também serviços de saúde.

Apesar do aumento enorme de carga tributária ter ocorrido e continuar a ocorrer, os governos federal,  estaduais e municipais não tem demonstrado competência e vontade política para atender a tais demandas  de uma população urbana que cresceu de forma acelerada por décadas seguidas.

Além dos baixos níveis de vída da população rural, principalmente no Nordeste e Norte,  colocar o Brasil próximo aos países  mais atrasados da África, Ásia  e América Latina, também o crescimento urbano ocorreu de forma caótica, com ocupações de áreas impróprias para assentamentos humanos como alagados, encostas de morros, áreas de proteçao ambiental.

Apesar da propaganda oficial por parte dos governantes, estima-se que mais de 50% da população urbana vive ou sobrevive em áreas totalmente impróprias e não desfrutam de serviços essenciais como saneamento, educação de qualidade, iluminação pública, pavimentação, coleta de lixo e assim por diante. Tal fato é o responsável direto pelos precarios índices e indicadores de saúde pública, que há muito tempo está em crise, em meio a um caos absurdo e caminha para o total colapso. Falta planejamento de médio e longo prazo, falta de investimentos e a inexistência de uma articulação entre os tres níveis de governo (União, Estados e Municípios). Programas imediatistas, casuísticos e de cunho eleitoreiro, como o “mais médico”, indicam que a improvisação é a tônica dominante em uma área tão importante e complexa.

De acordo com dados recentes, em 2010 o Brasil apresentava um índice de analfabetismo de 9,6%, maior do que a maioria dos países da América do Sul e pior do que 120 outros países, nossa posição neste aspecto era a 98a, pior do que em 1990 quanda ocupavamos a 85a. posição no ranking mundial.

Em expectativa de vida ao nascer, em 2011 o Brasil ocupava 73a posiçao no rankig mundial, e em 2012, segundo a CIA nosa. posição teria sido na verdade a 121a., apesar do”progresso” ocorrido nas últimas tres décadas.

Entre 1950 e 1955 o Brasil apresentava uma taxa anual de mortalidade infantil de 134,7 por mil nascidos vivos e ocupava a 83a. posição no ranking mundial,  entre 2005 e 2010 esta taxa caiu para 23,5. Um grande progresso. Só que nossa posição no ranking mundial caiu para 98a., demonstrando que ainda continuamos ruins na foto.

Em um próximo artigo vamos refletir sobre outros aspectos desta discussão.

JUACY DA SILVA, professor universitário, titular e  aposentado UFMT, mestre em sociologia, Email professor.juacy@yahoo.com.br Blog www.professorjuacy.blogspot.com Twitter@profjuacy