quarta-feira, 14 de maio de 2014


POLÍTICA, COERÊNCIA E  CREDIBILIDADE

JUACY DA SILVA

Com  certa  frequência os institutos de opinião pública  realizam pesquisas para  analisar como a população avalia as diversas instituições, o desempenho profissional de diferentes grupos ocupacionais e também qual a imagem que partidos políticos, governantes , enfim, a chamada classe política, são vistos pelo povo. Essas  pesquisas ganham  destaque quando se aproximam as eleições e acabam sendo bons indicadores para as previsões em relação aos prognósticos de quem poderá vencer as próximas eleições.

Costuma-se dizer que os políticos e gestores públicos conduzem suas vidas e suas ações balizados nos orçamentos públicos e, indiretamente, nos cofres públicos, nos cargos e na estrutura da máquina pública de um lado e nas eleições de outro lado. Taambém é comum a constatação de que cada  vez mais o horizonte politico fica mais curto, afinal a cada dois anos são realizadas grandes eleições no Brasil, é a festa da democracia de fachada que tanto ufanismo causa `as elites dominantes.

Em uma eleição são escolhidos os prefeitos e vereadores espalhados por mais de cinco mil municípios, incluindo desde minúsculas comunidades  que foram transformadas em muncípios a grandes metrópoles com mais de oito, dez ou doze milhões de habitantes. Após dois anos são  realizadas eleições para Presidente da República, Senadores, Deputados Federais e Estaduais e Governadores.

As eleições municipais acabam sendo o primeiro degrau ou tranpolim para os voos mais altos. Afinal os municípios são os primos pobres da política brasileira. A grande maioria depende dos governos federal e estaduais para sobreviverem, devido `a excessiva concentração dos recursos públicos nas “mãos” da União (em torno de 65% do bolo tributário); seguindo-se os Estados com aproximadamente 23%, e os municípios no máximo ficam com 12%.

Daí a importância dos despachantes de luxo em que  acabam se transformando senadores e deputados, principalmente quem  detém mandato e cargos nas estruturas do Governo Federal, cujos cofres arrecadam bilhões ou já quase  trilhões de reais por ano, apesar de que a desculpa da falta de recursos permanence a mesma sempre.

Voltando a questão da avaliação das pesquisas  de opinião pública. Costumeiramente tanto partidos políticos quanto a chamada classe política não andam bem na foto, quase sempre em uma escala de zero a dez , raramente as notas que a população dá a esta elite do poder não passa de três ou raramente chegam a quatro, ocupando os  últimos lugares em relação `as demais instituições ou grupos ocupacionais.

As razões  desta  avaliação negativa em relação `as elites governantes podem  ser : a) corrupção; b) falta de fidelidade aos princípios éticos, filosóficos, doutrinários e ideológicos que deveriam servir de base para as organizações partidárias; c) incompetência ou gestão temerária ; d) falta de planejamento para as ações de governo; e) inconsistência nas ações públicas; f) demagogia, mentiras e meias verdades; g) falta de coerência entre discurso e práticas políticas; g) oportunismo ou  atalhos com vistas a galgar postos e cargos públicos de relevância.

Alguns políticos, trocam de partido ou de grupo politico como as pessoas trocam de roupa. A vida política nacional se tornou em um grande mercado persa, onde os apoios, as coligações, as candidaturas são articulados e construídos não em função dos anseios, necessidades  e aspirações da população, mas sim, na busca do poder pelo poder, no loteamento antecipado ou futuro da máquina pública e na manipulação das políticas e programas governamentais em função de cada grupo de interesse.

Falta coerência nessas  definições, as  quais acabam sendo feitas longe da vontade popular, em reuniões sem transparência, as quais acabam sendo adotadas pelos partidos e coligações e impostas ao povo como alternativas de escolha. A falta de democracia interna nos partidos é a tônica dominante e depois quando as ações de governo fracassam a culpa  sempre recai sobre os ombros  do povo que paga o pato e os impostos e ainda é culpado pelas escolhas de governantes incompetentes, demagogos e corruptos.

Enquanto esta dinâmica não mudar de verdade vamos conviver  com verdadeiras  catástrofes que a cada dia abalam a vida nacional e a administração pública, onde a corrupção e negociatas são cada vez mais frequentes. É neste contexto que surgem os chamados “salvadores” da Pátria que, depois, frustram e decepcionam a população, porque  agem de forma dissimulada!

JUACY  DA SILVA, professor universitário, titular e aposentado UFMT, mestre  em sociologia, articulista de A Gazeta. Email professor.juacy@yahoo.com.br Blog www.professorjuacy.blogspot.com Twitter@profjuacy

 

quinta-feira, 8 de maio de 2014


COPA E A VIOLÊNCIA

JUACY DA SILVA

Na última quarta feira, 07 deste  mes de maio, houve uma  grande euforia no Brasil devido ao anúncio dos 23 jogadores que farão parte do elenco brasileiro, cujo objetivo único é a conquista do tão sonhado hexa-campeonato e ao mesmo tempo afastar o fantasma que ronda nosso país, principalmente o Maracanã desde a derrota do Brasil para o Uruguai em 1950.

Apesar do povo e das autoridades saberem que esta copa seria disputada em solo brasieiro há vários anos, a  falta de planejamento, de eficiência, os descasos dos i-responsáeis pela execução das obras relacionados com este grande evento e também `as várias denuncias de super-faturamento e corrupção, muitas dessas obras prometidas como verdadeiras “joias da coroa”, como  são  os casos das trincheiras, VLT, aeroporto e outras relacionadas `a mobilidade urbana em Cuiabá e Várzea Grande, vão  ficar para  as calendas, Deus sabe quando serão concluidas. Talvez irão  fazer companhia para o esqueleto do edifício que seria o Hospital Regional de MT, situado no coração do CPA, bem pertinho do Palácio do Paiaguás. Creio que este deveria ser eleito como símbolo do descaso e da incompetência dos vários governos  que se sucederam no poder nos últimos 22 anos em Mato Grosso.

Essas  são obras físicas que nossos governantes  tanto adoram, pois junto as mesmas podem colocar grandes placas para propaganda, mesmo que enganosa, e além disso como os constantes e eternos aditivos podem superfaturar e desviarem recursos vultuosos, que fazem  falta `a segurança, saúde, meio ambiente, educação  e outros mais e também ajudam no financiamento das campanhas eleitorais.

Dados de várias  pesquisas vem demonstrando de forma clara  que a violência continua aumentando no Brasil como um todo e também nas cidades-sédes da copa, incluindo São Paulo (local da abertura), do Rio de Janeiro (local da final) e também em Cuiabá, onde serão realizados quatro jogos.

Entre  2004 e 2007, em pleno Governo Lula, que foi sucessido por Dilma, foram assassinados no Brasil 192.804 pessoas, no mesmo período foram mortos 208.349 pessoas em sete países que estavam  sofrendo com  conflitos armados e guerras, incluindo Afeganistão, Iraque, Israel, Palestina, Colômbia, Sudão e Somália.

Dados  recentes demonstram que os índices de violência no Rio de Janeiro e São Paulo, que haviam caido nos últimos cinco anos, voltaram a crescer assustadoramente,  entrre 25% a 45%, dependendo do tipo de crime, praticamente os mesmos de períodos anteriores.

Da mesma forma a criminalidade tem aumentado em todos os Estados, incluindo MT e a região metropolitana de Cuiabá, que, a continuarem neste  mesmo rítmo  deverão ultrapassar a mais de 40 assassinatos por cem mil habitantes até o final deste ano. As projeções  indicam que até final de 2014 deverão  ser assassinadas entre 54 a 55 mil pessoas, além de aproximadamente 53 mil que perderão suas vidas em acidentes de trânsito, e pelo menos 8 mil  em acidentes de trabalho  Um verdadeiro genocídio, além do aumento de outros crimes como latrocínio, roubos, furtos, assaltos, estupros, roubos de veículos , enfim, estamos vivendo sob o clima do medo e do terror.

Apesar de tudo isso, povo e governo, estão eufóricos com a copa e, logo a seguir, com as  caravanas políticas a cata de voto e com as já manjadas promessas do que cada postulante se compromete   a  realizar pelo bem do povo e do país. Pena que a grande maioria dos candidatos costumeiramente se esquecem dessas promessas e o povo continua sendo enganado!

JUACY DA SILVA, professor universitário, titular aposentado UFMT, mestre  em sociologia, articulista de A Gazeta. Email professor.juacy@yahoo.com.br Blog www.professorjuacy.blogspot.com Twitter@profjuacy

terça-feira, 6 de maio de 2014


AS  VAIAS PARA DILMA

JUACY  DA  SILVA

No final do mes de Abril, em um encontro no Rio de Janeiro, para  debater os jogos da copa, o ministro Chefe da Secretaria Geral da Presidência da República foi publicamente  hostilizado por vários grupos de participantes, demonstrando o desencanto desses  grupos com a situação atual.

Dois dias depois, na abertura  da Expo-Zebu, em Uberaba,  uma das maiores  feiras agropecuárias do país, frequentada por grandes nomes do agronegócio, foi a vez da Presidente Dilma ser interrompida em seu discurso por tres vezes. Foram vaias bem claras e que demonstram que a mesma  não está  com esta bola toda, junto aos setores  produtivos do país.

No dia seguinte, com certeza  ainda mais temerosa de ser novamente vaiada cancelou presença em uma reunião com empresários de vários setores na Bahia, alegando compromisso já agendado, para  estar presente no encontro nacional do PT que acabaria por ter seu nome lançado oficialmente  como pré-candidata de  seu partido e de outros que ainda estão em sua base de apoio.

Apesar  do governo Dilma ter gasto mais de 2,3 bilhões de reais em propagaganda/publicidade em 2013, boa parte matéria  paga  e mais  de oito bilhões ao final  de seus quatro anos de governo, aos poucos as meias  verdades do Governo vão caindo por terra e por  certo  devem  estar amedrontando Dilma em relação `a sua presença em atos públicos.

Segundo noticiário  recente a Presidente cancelou presença no  maior evento de tecnologia e comércio do setor agropecuário nacional, o Agrishow, que acontece todos os anos em Ribeirão Preto, designnando o ministro da Agricultura, do PMDB  de MT, para representa-la . Com  certeza além do temor de novamente ser vaiada, a ausência também  pode decepcionar tremendamente um dos únicos setores que tem contribuido para o desempenho da economia, reduzindo as frustrações quanto ao crescimento pífio do PIB durante o governo Dilma.

Só para se ter uma idéia, desde a Proclamação da República, incluindo o atual governo, o Brasil terá experimentado ao final de 2014, nada menos do que 30 diferentes governos. Os índices de  crescimento do PIB durante  o Governo Dilma, só está melhor do que durante os governos de Collor e Floriano Peixoto, quando  ocorrerem severas recessões e “crescimento negativo”.  Este é o 27o. pior índice de crescimento do PIB em 115 anos de vida republican. Mesmo assim, Dilma deseja ser reeleita.

O desempenho econômico, medido pelos índices de crescimento do PIB,  durante os quatro anos de Dilma será  de 2,0%, bem  menor do que do PIB  mundial que será  de 3,5%  e dos países  emergentes de 5,4%. Talvez  esses índices possam explicar, pelo menos em parte, as  quedas constantes de Dilma das pesquisas de opinião pública, indicando que a probabilidade de um segundo turno está  muito mais certa do que imaginam  os  estrategistas  do Palácio do Planalto.

Os índices de avaliação negativa do governo Dilma já  estão praticamente superando os índices de aprovação e tudo leva a crer  que a situação econômica nacional, incluindo a inflação, as denuncias de corrupção no governo e as deficiências gritantes  em todos os setores nacionais devem contribuir para a erosão de uma “aura” que durante anos o governo tentou consttuir em torno da Presidente.

Se dentro de mais um ou dois meses, as próximas  pesquisas continuarem demonstrando que a popularidade da Presidente continua caindo, com certeza, muitos de seus  aliados vão pular do barco, como alguns  setores de vários partidos aliados já dão sinais de que  vão deixar  a presidente  e o PT  a ver navios. Mais de 50% da população  deseja o fim deste governo e a medida que os debates sejam realizados com os demais candidatos, com certeza as  coisas  podem piorar para o lado do  atual governo.Com certeza  Dilma  deverá fugir da maior parte do debates com os demais candidatos!

JUACY  DA  SILVA,  professor universitário, titular UFMT, mestre  em sociologia. Email professor.juacy@yahoo.com.br Blog www.professorjuacy.blogspot.com Twitter@profjuacy