segunda-feira, 10 de agosto de 2015


IMPOSTO DE RENDA E OS RICOS

Uma fortuna de 200 bilhões protegida do IR da pessoa física

Fonte: Site Revista Carta Capital, 10/08/2015 www.cartacapital.com.br


Lei de 1995 beneficia 71 mil brasileiros ricos que não pagam imposto de renda. Fim da isenção renderia meio ajuste fiscal

Marcelo Camargo / Agência Brasil

Protesto da Força Sindical com o "leão" do IR: quem pode, paga muito pouco ou quase nada ao fisco brasileiro

O leão do imposto de renda mia feito gato com os ricos, como atestam dados recém-divulgados pela própria Receita Federal. Os maiores milionários a prestar contas ao fisco, um grupo de 71.440 brasileiros, ganharam em 2013 quase 200 bilhões de reais sem pagar nada de imposto de renda de pessoa física (IRPF). Foram recursos recebidos por eles sobretudo como lucros e dividendos das empresas das quais são donos ou sócios, tipo de rendimento isento de cobrança de IRPF no Brasil.

Caso a bolada fosse taxada com a alíquota máxima de IRPF aplicada ao contracheque de qualquer assalariado, de 27,5%, o País arrecadaria 50 bilhões de reais por ano, metade do fracassado ajuste fiscal arquitetado para 2015 pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Detalhe: os 27,5% são a menor alíquota máxima entre todos os 116 países que tiveram seus sistemas tributários pesquisados por uma consultoria, a KPMG.

A renda atualmente obtida pelos ricos sem mordidas do IRPF - 196 bilhões de reais em 2013, em números exatos – tornou-se protegida da taxação há 20 anos. No embalo do Consenso de Washington e do neoliberalismo do recém-empossado presidente Fernando Henrique Cardoso, o governo aprovou em 1995 uma lei instituindo a isenção.

O paraíso fiscal foi criado sob duas alegações. Primeira: as empresas responsáveis por distribuir lucros e dividendos aos donos e sócios já pagam IR como pessoa jurídica. Segunda: com mais dinheiro no bolso, os ricos gastariam e investiriam mais, com vantagens para toda a economia. Argumentos com cheiro de jabuticaba, sendo que o segundo foi recentemente derrubado pelo Fundo Monetário Internacional em um relatório sobre o qual pouco se falou no Brasil. Na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), organismo a reunir 34 países desenvolvidos, só a Estônia dá a isenção.

“No Brasil, quem mais reclama são os que menos pagam impostos”, diz Marcio Pochmann, ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). “A Receita é uma mãe para os ricos, o Ministério da Fazenda é o Ministério social dos ricos.”

A boa vida garantida pelo fisco aos donos e sócios de empresas ajuda a explicar algo curioso. O Brasil tornou-se uma pátria de empresários nos últimos tempos. Possui mais gente nesta condição (7 milhões apresentaram-se assim na declaração de IR de 2014) do que a trabalhar como empregado do setor privado (6,5 milhões). É a famosa terceirização, com profissionais contratados na qualidade de PJ, não via CLT.

A transformação de trabalho em capital é um fenômeno mundial mas parece ainda mais “disseminada” e “impetuosa” por aqui, diz o economista José Roberto Afonso, professor do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas e autor do estudo Imposto de Renda e Distribuição de Renda e Riqueza no Brasil. Para ele, é urgente debater o assunto.

“O governo comemorava uma redução da concentração da renda mas só considerava a de salários e a declarada nas pesquisas censitárias”, afirma Afonso. “Se formos considerar também o declarado ao imposto de renda, se descobre que daquelas pesquisas escapam parcela crescente e majoritária das rendas de brasileiros de classe média e alta, que passaram a receber como pessoa jurídica.”

O fim da isenção de IPRF sobre lucros e dividendos, conta um ministro, era uma das medidas no bolso do colete de Dilma Rousseff para ajudar no ajuste fiscal. O problema, diz este ministro, é o provável boicote do Congresso contra qualquer tentativa de taxar mais o “andar de cima”. O Palácio do Planalto não quer comprar briga em vão.

Repleto de políticos ricos e devedores de gratidão a empresários financiadores de suas campanhas, o Congresso tem uma resistência histórica a corrigir as injustiças do sistema tributário brasileiro. A Constituição de 1988 previu, por exemplo, a cobrança de um imposto sobre grandes fortunas, mas até hoje a nação espera pela aprovação de uma lei a tirar a taxação do papel. FHC chegou a propor tal lei. Mas foi como senador, antes de chegar ao Planalto.

Vez ou outra, algum parlamentar anima-se a propor tal lei. No início do ano, foi a vez da deputada carioca Jandira Feghali, líder do PCdoB, com a preocupação de direcionar os recursos só para a saúde. Com seis mandatos seguidos, ela não se ilude com a chance de aprovação de ideias como esta ou a taxação de jatinhos e iates com IPVA, outra proposta dela. "Esse é um dos Congressos mais ricos e mais influenciáveis pelo poder econômico da nossa história”, diz.

Os dados recém-divulgados pela Receita Federal sobre o IRPF talvez possam ajudar a contornar tal resistência. Neste trabalho, o fisco separou os contribuintes em onze faixas de renda, variáveis de meio salário mínimo a 160 salários mínimos mensais. Em cada categoria, podem ser vistos o número de pessoas ao alcance do imposto de renda da pessoa física, seu patrimônio, renda, benesses e tributação efetiva. É a mais completa e detalhada compilação de dados já feita pelo leão.

Em 2014, houve 26,5 milhões de declarações de IRPF. Aquelas 71.440 pessoas com renda isenta de quase 200 bilhões de reais estão no topo da pirâmide, faixa de renda superior a 160 salários mínimos por mês. Juntas, elas detêm 29% do patrimônio e 22% da renda nacionais. É como se cada uma tivesse salário mensal de 341 mil reais e bens de 17,6 milhões. Apesar da riqueza, o IRPF pago por elas em 2013 somou míseros 6,3 bilhões de reais. Ou só 5,5% da arrecadação com IRPF.

Dados deste tipo são apresentados pelo economista francês Thomas Piketty no livro “O Capital no Século XXI", bíblia para os interessados em saber mais sobre a concentração de renda pelo planeta. O Brasil ficou de fora da obra justamente porque a Receita não tinha os dados de agora para fornecer antes. Espera-se que os acadêmicos possam estudá-los daqui para a frente.

Um dos interessados no tema é diretor de Estudos e Políticas Sociais do Ipea, André Calixtre. No fim ano passado, o economista concluiu um estudo chamado Nas Fronteiras da Desigualdade Brasileira, no qual sustentava que a distância entre ricos e pobres no País era bem maior em termos patrimoniais do que em termos de renda. E que esse padrão histórico havia se mantido apesar da distribuição de renda vista na década passada. O trabalho partia das declarações de bens entregues por candidatos a prefeito à Justiça Eleitoral em 2102.

Em uma primeira análise sobre os dados da Receita, Calixtre viu sua hipótese se confirmar. Entre 2007 e 2013, diz ele, o número de declarantes de IRPF a ganhar até cinco salários mínimos caiu de 54% para 50%, enquanto os que recebem acima de 20 mínimos permaneceu em 8,4%. Ao mesmo tempo, o estrato intermediário, a receber entre 5 e 20 mínimos mensais cresceu de 37,2% para 40,8%.

O rendimento tributável pela Receita detido por cada segmento sofreu a mesma alteração no período de 2007 a 2013. O pessoal de renda baixa morde agora uma fatia maior (de 20,9% para 21,9%), o pelotão do meio idem (de 44,2%para 47,8%), enquanto a turma do topo fica com um pouco menos (de 34,9% para 30,4%).

O problema, diz Calixtre, é que em termos patrimoniais praticamente nada mudou neste período de seis anos. As pessoas a receber até cinco salários mínimos ainda ficam com 14% do valor dos bens declarados aos fisco, aquelas situadas entre 5 e 20 têm os mesmos 27% e o andar de cima (mais de 20 mínimos) segue com 57%. “Democratizamos a renda, falta democratizar a propriedade privada no Brasil”, afirma.

 

JUCA CHAVES  ADEUS, EM RÍTIMO DE LAVA JATO

ACESSEM www.youtube.com   E OUÇAM!

AMIG@S,  BOM DIA, UMA EXCELENTE  SEMANA A VOCES E RESPECTIVAS FAMILIAS, COM SAÚDE, APESAR DO CAOS DO SUS ;  COM SEGURANÇA , APESAR DA ESCALADA DA VIOLÊNCIA; COM EDUCAÇÃO DE QUALIDADE APESAR DO SUCATEAMENTO E DOS CORTES ORÇAMENTÁRIOS, COM  ESPERANÇA APESAR DA CORRUPÇÃO, DA DESVALORIZAÇÃO DO REAL, DO AUMENTO DO DESEMPREGO, DOS JUROS  ABSURDOS, OS MAIORES DO MUNDO, DA INFLAÇÃO QUE A CADA DIA COME UM PEDAÇO DO SALÁRIO DOS TRABALHADORES, COM JUSTIÇA APESAR DA IMPUNIDADE, DA MOROSIDADE DO SISTEMA JUDICIÁRIO, DOS  FOROS PRIVILIGIADOS E DAS BENESSES DOS DONOS DO PODER.

PARA ALEGRAR  UM POUCO RECOMENDO QUE VOCES OUÇAM A MÚSICA DO JUCA CHAVES , NO YOUTUBE,  QUE NA FORMA DE SÁTIRA BEM ILUSTRA  O QUE O POVÃO  ESTÁ SENTINDO EM MEIO A  ESTA CALAMIDADE QUE ESTÁ SENDO O SEGUNDO MANDATO DE DILMA.

A GRANDE ESPERANÇA  DO POVO E DO BRASIL É A OPERAÇÃO LAVA-JATO, QUE ESTÁ COLOCANDO NA CADEIA GESTORES PÚBLICOS, EMPRESÁRIOS E, EM BREVE, MAIS POLÍTICOS E OUTROS CRIMINOSOS DE COLARINHO BRANCO.

POR ÚLTIMO, UM LEMBRETE: NO  , DIA 16  DESTE ABENÇOADO MES DE AGOSTO  O POVO  DEVE SAIR DE  NOVO PELAS PRAÇAS  E RUAS  DESTE  BRASIL GRITANDO BEM ALTO: FOR A  DILMA, FORA  PT,  FOR A CORRUPTOS! A  VOZ DO POVO DEVE ECOAR PELOS QUATRO  CANTOS DESTE SOFRIDO BRASIL.  CHEGA DE INCOMPETÊNCIA,  CHEGA DE MENTIRAS E CHEGA DE CORRUPÇÃO!

COMPARTILHE  COM SEUS CONTATOS PARA QUE MAIS PESSOAS TAMBÉM  REFLITAM SOBRE ESTE GRAVE  MOMENTO QUE VIVE NOSSO PAÍS.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015


MENSALÃO, PETROLÃO E O PT

JUACY DA SILVA

Quando surgiram os primeiros rumores de que no Palácio do Planalto, no Gabinete do então todo poderoso Ministro-Chefe da Casa Civil da Presidência da República, uma espécie de primeiro ministro, José Dirceu, bem nas barbas do então Presidente Lula funcionava um esquema criminoso de distribuição de propinas a deputados e senadores, para que o Governo Lula conseguisse aprovar matérias de seu interesse,  pouca gente,  em  sã  consciência,  acreditava  que a  estoria era verdadeira.

Afinal, ao longo de anos e décadas Lula, o PT e todos os seus quadros dirigentes  tinham  uma postura muito crítica em relação a corrupção dos governos que até 2002 estiveram no poder. A principal bandeira utilizada e desfraldada pelo PT era da “ética na política”.  Os petistas  eram iguais vestais na  defesa da moralidade pública e usavam todos os recursos , meios e oportunidades para desancarem o pau nos corruptos. Este discurso agradava o povo  e foi responsável pelo crescimento vertiginoso do PT até subir a rampa do palácio do Planalto.

Lula  e os dirigentes petistas, muitos dos quais acabaram como hóspedes na PAPUDA  e atualmente outros nas dependências da Polícia Federal e na penitenciária de Curitiba, sempre diziam e continuam a dizer que  o  MENSALÃO  jamais existiu, era invenção das  forças consevadoras, de direita, das elites brancas e dominantes, enfim, as mesmas forças e partidos que dividiram e continuam a dividir o poder, suas benesses e os esquemas corruptos que sempre fizeram parte dos governos Lula e Dilma.

Durante o mensalão a outrora toda ponderosa  cúpula petista  foi investigada e nada menos do que presidente, ex-Presidente, secretário e tesoureiro acabaram sendo julgados e condenados pelo STF, graças  a atuação do primeiro minsitro negro do STF, Joaquim Barbosa  e cumpriram penas consideradas pelo povo como extremamente brandas.

Com  o surgimento do  PETROLÃO, novamente a cúpula do PT, diversos de seus quadros e  até mesmo a Presidente Dilma, na condição de Presidente do Conselho de Administração da PETROBRÁS, como ex-Ministra de Minas e Energia  e depois ministra-chefe da casa civil, em substituição a José Dirceu  e também o ex-Presidente Lula  em vários momentos tiveram e continuam tendo seus nomes mencionados como  coniventes no maior esquema criminoso que durante mais de uma década tem dilapidado a maior estatal brasileira e outros  setores da administração.

Com a prisão novamente do ex-ministro e ex-presidente do PT, José Dirceu, acusado como o chefe e mentor do esquema criminoso  que  está sendo desmontado pela  ação  eficiente do Ministério Público, da Polícia Federal sob  o commando do Juiz Federal  Sérgio Moro, um verdadeiro terror dos corruptos  enquistados na Administração pública e nas estatais, pelo aparelhamento comandado pelo PT   em associação com o PMDB, PP  e outros partidos da base aliada, aos poucos vai sendo demonstrado que o Brasil está sendo dominado por criminosos de colarinho branco travestidos de políticos, gestores e empresários.

Enquanto o povo aplaude cada ato que leva para a cadeia mais corruptos, o presidente atual do PT, Rui Falcão, emite uma nota pública, em que sequer cita  o nome do outrora importante “companheiro”  José Dirceu, que ao ser conduzido para a PAPUDA  levantava o punho cerrado como um grande vitorioso, mas que agora, coitado, anda cabisbaixo e esquecido pelo Palácio do Planaldo, por Dilma, por Lula, pelo PT e por muitos que o cortejavam atá há alguns anos, como o successor  de Lula.

Para variar Rui Falcão procura “bodes  expiatórios”  para justificar a desmoralização pela qual está passando o PT  e os Governos Lula e Dilma. Para ele tudo não passa de  uma trama, um  complô dos partidos de oposição, das forças conservadoras, retrógradas e golpistas de direita; da justiça e da mídia monopolista , também de direita.

Nas entrelinhas  também o PT acusa o Congresso Nacional, Câmara Federal e Senado, como forças que estão desestabilizando o Governo Dilma , que  foi eleita democraticamente, como se os deputados federais e senadores  também não tivessem sido eleitos democraticamente pelos  eleitores brasileiros.

Rui Falcão  ainda critica as forças que desejam criminalizar o PT, quando na verdade quem criminaliza o PT e outros partidos são dirigentes partidários, gestores e parlamentares corruptos que dilapidam os cofres publicos e os partidos que aceitam dinheiro sujo para financiarem  campanhas políticas. Afinal, caixa dois também e crime e todas as pessoas e  entidades que recebem dinheiro da corrupção estão praticando atos criminosos.

Partidos políticos, parlamentares e gestores que estejam envolvidos com corrupção devem ser punidos criminalmente! Já passou a hora de acabar com a impunidade dos criminosos de colarinho branco no Brasil. LAVA-JATO NELES E NELAS!

JUACY DA SILVA, professor  universitário, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia,  articulista de A Gazeta. Email professor.juacy@yahoo.com.br Blog www.professorjuacy..blogspot.com Twitter@profjuacy

sábado, 1 de agosto de 2015


ENTREVISTA DA SEMANA

 

Fonte Original Jornal Centro Oeste Popular, Cba e


 “Falta coerência e fidelidade aos políticos e partidos”

http://www.brasilnoticia.com.br/storage/webdisco/2014/04/14/335x251/cc099b2ef5ab38d1a02ad3dcdfcadd2a.jpg

Beatriz Girardi - Jornal Centro-Oeste Popular

JUACY DA SILVA é mestre em sociologia

“Falta coerência e fidelidade aos políticos e partidos”

Sociólogo, mestre em sociologia, professor fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT. Professor Juacy já ocupou os seguintes cargos e funções: Assistente Técnico da Delegacia do IND – Instituto de Desenvolvimento Agrário de MT; Delegado da CONTAG – Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura de MT, articular para a fundação da FETAGRI/MT; Coordenador de Extensão e Pesquisa da UFMT; Secretário de Planejamento e Gestão da Prefeitura de Cuiabá; Diretor Executivo do IPDU – Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Urbano de Cuiabá; Coordenador da Revisão do Plano Diretor de Cuiabá; Coordenador das Conferências das cidades de Cuiabá e Várzea Grande, Ouvidor Geral/Ombusdman da Prefeitura de Cuiabá; Membro do Corpo Permanente da ESG - Escola Superior de Guerra,  Diretor da Divisão de Pesquisa e Doutrina da ESG; integrante da Missão Brasileira na Junta Inter-Americana de Defesa (EUA), Chefe da Divisão de Assuntos Econômicos do Inter-American Defense College (EUA), articulador e coordenador Geral da Caritas Arquidiocesana de Cuiabá. Confira a entrevista exclusiva.

Beatriz Girardi -  Jornal Centro-Oeste Popular

Na sua opinião, as eleições deste ano em Mato Grosso sinalizam novidades políticas?

Juacy da Silva - Em parte sim e em parte não. As novidades políticas podem ser representadas pelas candidaturas do senador Pedro Taques, como nova força de oposição aos grupos que estão no governo. Todavia, o mesmo tem ao seu lado forças conservadoras e que já são bem conhecidas pelo eleitorado, como os integrantes do DEM, do PSDB e em  certo sentido o PPS. A outra novidade, dependendo das articulações do bloco que está no poder estadual, se conseguir emplacar a candidatura será o  ex-juiz  federal Julier. Tanto Pedro Taques quanto Julier, este mais ainda, terão que fazer acordos e alianças com grupos conservadores e os verdadeiros caciques que de fato mandam na política em nosso Estado, tanto os velhos caciques, quanto os novos como o senador Blairo Maggi, deputado Carlos Bezerra e outros mais. Desta forma, nem em relação aos candidatos e nem em relação aos futuros eleitos não vejo tantos sinais de renovação, principalmente em termos de ações de governo.

A eleição deste ano está atrelada ao grande evento Copa do Mundo?

Juacy - Em certo sentido sim, mas isto muito mais no plano federal. Se o Brasil for campeão, por exemplo, o governo Dilma, Lula e outras figuras de relevância no PT farão um grande esforço, um verdadeiro carnaval tentando “faturar” para o Governo Federal os louros da vitória. Se  perder, vão tentar jogar a culpa pelo fracasso na oposição ou em outros grupos. Em relação às eleições estaduais, em MT, como em Cuiabá só ocorrerão quatro jogos, da primeira fase, a COPA pouco influenciará no encaminhamento do pleito. Como certeza, tanto em MT quanto em todos os demais estados onde devem ser realizados jogos, as forças de oposição deverão colocar  na agenda política a questão dos gastos com a COPA e a situação do caos que existe nas áreas de saúde, saneamento, insegurança pública, educação, infraestrutura urbana, incluindo a incompetência , a  qualidade de várias obras, o superfaturamento e inclusive a corrupção que  sempre acaba vindo a público. Outro aspecto é a questão dos protestos  populares, a presença da violência e do crime organizado e as ações dos aparelhos de repressão do Estado (poderes constituídos) inclusive a utilização das forças armadas como forças policiais neste processo de repressão.

Na sua avaliação, o PT se dilacera no país ou segue sendo uma referência da esquerda brasileira?

Juacy - Em minha opinião, desde o momento em que Lula articulou sua vitória e depois de eleito aliou-se as forças que antes ele mesmo as considerava conservadoras, retrógradas e até mesmo corruptas, o PT  deixou de ser referência de esquerda. Um partido que tem uma linguagem de “esquerda” ou defende princípios socialistas, marxistas e às vezes até leninistas, com práticas stalinistas, e ao mesmo tempo tem como aliados políticos que serviram aos governos militares, usineiros, latifundiários, barões da indústria, do comércio e do agronegócio, aliado ao fato do envolvimento de vários de seus mais altos dirigentes que foram condenados e estão presos por corrupção, e outros que ainda estão sob investigação como ex-dirigentes da Petrobras, e mais recentemente o vice presidente da Câmara Federal, do PT do Paraná, que é acusado de envolvimento com um doleiro preso por práticas de lavagem de dinheiro. Um partido assim não pode ser referência pra ninguém, muito menos para a esquerda. Afinal, quando na oposição o PT defendia de unhas e dentes o princípio da ética na política. E nunca este princípio esteve tão distante do que a realidade da gestão do PT no Governo Federal.

O que mudou nas campanhas? Trata-se de uma campanha direcionada para a chamada “nova classe média”?

Juacy - O que mudou nas campanhas políticas é a presença de grandes somas de dinheiro, muitas vezes doações para caixa dois, fruto e estímulo a corrupção. A única novidade tem sido o uso dos meios de comunicação de massa, principalmente da internet, das redes sociais. No entanto, isto ainda está longe de ter um efeito que possa contrabalançar a influência dos grandes grupos e dos interesses ocultos, inclusive acima dos partidos.

Como compreender coligações entre partidos que têm históricos divergentes?

Juacy - Os partidos políticos no Brasil são constituídos não em função de princípios ideológicos, doutrinários ou programáticos, mas sim das conveniências dos caciques ou novos donos de partidos. Dai a existência do que popularmente tem sido denominado de partidos nanicos ou de aluguel, os quais têm baixa representatividade nacional, estadual e local.

As alianças são realizadas em função dos interesses dessas pessoas, verdadeiros donos de siglas que pouco representa para o povo. O que move tais alianças são interesses imediatos, de grupos ou segmentos, jamais o interesse nacional, estadual ou local. Falta coerência e fidelidade tanto aos políticos como indivíduos quanto aos partidos os quais se juntam em alianças momentâneas, pouco importando as incoerências que levam a tais alianças. O importante é vencer as eleições e depois poder participar do loteamento dos cargos e funções, acabando por aparelhar toda a administração pública.

Pode-se falar de uma crise dos partidos políticos, considerando as coligações partidárias?

Juacy - Não existe crise, principalmente de identidade ideológica nos ou entre os partidos. Longe dos embates ideológicos ou de modelos de desenvolvimento, nesses ajuntamentos, o que impera é o princípio de que inimigos ou adversários de ontem podem ser amigos ou correligionários de hoje ou vice versa. A grande maioria dos partidos e dos políticos procuram estar sempre junto a quem esteja  no poder. Durante o período militar havia um enorme contingente de políticos que faziam parte do governo, eram nomeados para cargos de ministros, de governadores, prefeitos, senadores biônicos e ocupantes de cargos de segundo escalão em Brasília ou nos Estados. Nos governos civis que sucederam aos militares (Sarney, Collor/Itamar; FHC e agora LULA/DILMA, muitos daqueles políticos continuam no governo. Os casos do PMDB, PTB, PDT e outros mais,  são emblemáticos.

Considerando o resultado das eleições municipais, já é possível vislumbrar alguma possibilidade para a eleição de governador agora em 2014?

Juacy - Muita gente acredita que prefeitos e vereadores sejam os grandes cabos eleitorais nas eleições gerais para Presidente da República, Senadores, Governadores, Deputados federais e estaduais. Penso que a eleição deste ano deve  levar em conta a questão da gestão pública, ou o que eu chamo de incompetência governamental; a realidade econômica e social do Brasil nesses próximos meses; a questão da corrupção. Creio que o povo anseia por mudanças verdadeiras e mais profundas que mexam com as estruturas do país, que possibilite um desenvolvimento com melhor qualidade de vida, com mais dignidade, mais transparência, onde o povo brasileiro que paga uma das mais altas cargas tributárias do mundo possa receber serviços públicos de qualidade e universais.  As eleições municipais recentes não são um indicador confiável de quem possa ser eleito governador em MT ou qualquer estado. O povo anda desiludido com a classe política. Boa parte comparece as urnas pelo fato do voto ser obrigatório e na verdade não tem grandes opções de escolha. Mais se parece trocar seis por meia dúzia!

A corrupção impregnada na política brasileira é uma “herança portuguesa. Mas a República parece que adotou a prática. Concordas?

Juacy - Não concordo. Não podemos condenar algo que já é passado por mais de dois ou três séculos. Na verdade a corrupção decorre da falta de pudor dos corruptos e corruptores, da lentidão dos processos investigatórios, da lentidão da Justiça em condenar os corruptos e  de outras práticas como a impunidade, o foro privilegiado, o segredo de justiça, a falta de celeridade dos organismos de controle e do compadrio que ainda existe entre os integrantes  das elites do e no poder. Podemos resumir dizendo que é o mesmo que deixar a cargo das raposas estabelecer as leis que devem defender as galinhas, ou ao vampiro regular o funcionamento do banco de sangue. O caso do Mensalão é,  na verdade, uma exceção. Afinal, tanto antes quanto durante e após tal escândalo inúmeros casos de corrupção foram denunciados, principalmente pela imprensa. Foram “investigados”, mas a grande maioria acabou em pizza. Falta seriedade e compromisso com a ética, a transparência e a decência no exercício das funções públicas no Brasil, tanto os cargos e funções  ocupadas por nomeação quanto resultado de eleições.

A corrupção independe dos partidos políticos?

Juacy - A corrupção é praticamente endêmica no Brasil, está  entranhada em todas as  camadas sociais, todas as instituições, inclusive nos partidos políticos. 

Existe uma consolidação do PT como o partido do proletariado, e do PSDB enquanto um partido da classe média?

Juacy -  Nem um e nem outro. Nem o PT representa o proletariado, e muito menos o PSDB representa a classe média. Ambos representam os interesses de seus dirigentes, seus donos e dos grupos econômicos e financeiros com os quais, como partidos que esteve ou esteja no poder.

Que papel no espectro ideológico está reservado ao PMDB?

Juacy - Estar sempre com quem estiver no poder como força coadjuvante e buscando o usufruto que as alianças possam oferecer aos seus caciques, dirigentes ou seus quadros, que também ajudam o PT a aparelhar  a administração pública brasileira, inclusive as estatais

Por que o PMDB está sempre se dividindo?

Juacy - A divisão é aparente, da mesma forma que as divisões que existem no PT, no PSDB ou em qualquer outro partido. É divisão muito mais em função do fisiologismo que marca os partidos e muito menos de ordem ideológica, filosófica ou doutrinária.

Em sua opinião, é possível acabar com a corrupção no Brasil?

Juacy - Como brasileiro, contribuinte e cidadão  eu gostaria de acreditar que um dia o Brasil poderá acabar com a corrupção. Mas em sã consciência, não acredito. Se pudesse faria minha a célebre frase de Rui Barbosa “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.