sexta-feira, 17 de abril de 2015


FATOS RELEVANTES

JUACY DA SILVA

No  desenvolvimento dos  estudos de futuro, para que os  cenários sejam ao mesmo tempo um  referencial para o planejamento politico  e  estratégico e  também um instrumento de acompanhamento da realidade, a  definição  e  estabelecimento dos “fatos  relevantes” ou fatos portadores de futuro, é  de fundamental   importância para  um projeto nacional.

Neste  aspecto, são  importantes  tanto a dinâmica  interna quanto  os acontecimentos mundiais e as repercussões dos mesmos nas  relações  internas. Este  é  um exercício que exige dos governantes  uma  visão  de  estadista, jamais o aprisionamento em questões de menor importância e nem a miopia da visão ideológica, que tanto prejudica as ações do governo quanto do empresariado  e da sociedade como um todo.

Esta é a diferença entre a dinâmica política institucional dos países do primeiro mundo e dos subdesenvolvidos e também dos emergentes. Todo e qualquer país que aspire por uma postura de independência, liderança regional ou atingir o nível de uma potência  emergente  ou potência mundial precisa ter um projeto nacional e seus governantes necessitam ter a habilidade e a  capacidade de construir um modelo de desenvolvimento de médio  e longo  prazos, ou seja,  desenhar os caminhos a seguir pelos próximos dez ou vinte anos, independente de que partido ou aliança  esteja no poder. Sem isto, o país  consegue  realizar apenas  os “voos  de galinha’  como dizem os analistas políticos e geopolíticos, jamais  uma  visão  de longo alcance.

O acompanhamento dos acontecimentos mundiais, seus desdobramentos, a organização de blocos econômicos ou de alianças políticas  e militares definem os grandes rumos no cenário internacional, cabendo a  cada país  defender  seus  interesses nacionais, jamais subordinando-os  ao crivo do partido ou aliança no poder, caso em que a mediocridade pode reduzir o peso politico e  estratégico nacional  no contexto internacional.

Governantes que confundem interesses nacionais com interesses de grupos  econômicos  ou políticos podem perder o bonde da história  e colocar seus países  de joelho perante as  grandes potências,  contribuindo assim para o agravamento da crise interna.  Parece que na  presente conjuntura Brasil, Argentina e  Venezuela são  exemplos típicos , na América  Latina, deste tipo de governos populistas, incompetentes, medíocres e corruptos e que estão jogando por terra o futuro de seus  países.

No contexto internacional alguns fatos relevantes  podem ser identificados  no  agravamento do conflito no oriente médio; o  avanço das negaciações para a criação do mega-bloco  econômico e politico-militar transatlântico,  entre União Européia e Estados Unidos, e, complementarmente pelo Canadá  e México, que   juntamente com os EUA, fazem parte do NAFTA; o reatamento das relações diplomáticas entre EUA e Cuba, com desdobramentos para as  áreas  econômica e política;  o lancamento da candidatura de  Hillary  Clinton como postulante `a  Casa Branca pelo Partido Democrata;  o acordo do  G7,  liderados pelos  EUA  com o Iran, em relação ao programa nuclear daquele país; o fortalecimento dos pactos  de defesa  entre  EUA  e países asiáticos  para neutralizer o avanço militar  da China  e, finalmente, o empenho dos EUA  para  fortalecer a OEA  como entidade representativa  dos países do continente Americano, enfraquecendo  sobremaneira a UNASUL  e  seu  projeto bolivariano, onde o Brasil adereiu de forma equivocada.

No Plano interno, podemos destacar  como fatos  relevantes  o aprofundamento das investigações da Operação Lava-Jato, incluindo esta 12a.  fase, com a prisão de Vacari, tesoureiro do PT    o que pode aprofundar ainda mais a crise política em que a Presidennte  Dilma e seu  partido  e aliados estão engolfados; o aprofundamento da crise econômica e a insegurança e indignacão que  este fato poderá  ter sobre a população ameaçada pela inflação, pela  deterioração da qualidade  dos serviços públicos, aumento acelerado do endividamento  das familias, o temor do desemprego  que está  crescendo a olhos vistos; a perda  da capacidade de articulação política e de governar  da Presidente, que aos poucos se  torna prisioneira do seu partido  e de seu grande aliado, o PMDB; dos equivocos  dos pacotes econômicos de seu novo ministro da fazenda; o aumento do poder de articulação, em  oposição ao Palácio do  Planalto,  por parte dos presidentes da Câmara Federal e do Senado. 

A continuar  neste rítimo dentro embreve Dilma  será  igual a Rainha da Inglaterra, que tem a pompa  do cargo mas não governa  nada. Estamos vivendo quase  um regime parlamentarista  de fato, enquanto a reforma política não o institui na prática.  O Poder do vice-Presidnte, que é do mesmo partido que os presidentes da Câmara e do Senado, projeta  um cenário complicado  para Dilma, o PT e o sonho de Lula retornar em 2018.

Outro  fator  relevante  são  as manifestações  populares que  estão  tomando conta  das ruas e praças  do país  inteiro, onde o povo expressa  tanto o FORA CORRUPTOS, quanto o FORA DILMA  e FORA PT, caso  este descontentamento seja  ampliado  e fortalecido pelo  aprofundamento da crise econômica, tanto o  Impeachment quanto uma possível renúncia de Dilma  serão fatos  relevantes  dentro  de pouco tempo. Vamos  acompanhar e ver o que vai acontecer nos próximos meses.

JUACY DA SILVA,  professor  universitário,  titular e aposentado UFMT,  mestre  em sociologia, articulista de A Gazeta.  Email professor.juacy@yahoo.com.br  Blog  www.professorjuacy.blogspot.com  Twitter@profjuacy

quinta-feira, 9 de abril de 2015


INSATISFAÇÃO GERAL

JUACY DA SILVA

Acada  dia e  ano que  passa, apesar de alguns indicadores estarem  apontando que o Brasil  de  hoje  é muito diferente e, para os donos do poder e classes  abastadas muito melhor do que há  décadas  ou séculos, o  fato concreto é que o povão e também a classe média  percebem  que a vida do brasileiro não está nada  fácil.

Existe uma cantilena  de que o atual governo “retirou “ 36 milhões  de pessoas da pobreza e da miséria,  como se isto fosse  uma  dádiva dos governantes,  quando todos sabemos que este  “resgate”  de milhões de famílias  tem sido feito com dinheiro públicos e de uma forma paternalista e assistencialista. Se por alguma  razão,  até  mesmo por uma crise financeira e orçamentária o governo tiver  que congelar tais programas, cujo símbolo maior é o “bolsa  família” ou até  mesmo a extingui-los, depois de 12  anos,   todas  essas pessoas que formam a famosa  “nova classe média”  voltariam de imediato `a condição de pobreza, ou seja, nenhuma mudança estrutural foi realizada,  a não ser   a propaganda oficial e as mentiras fabricadas pela  mídia  chapa  branca.

Todos os dias os meios de comunicação de massa, principalmente a televisão  que ainda é o veículo que mais impacta a  cabeça,,a mente e os corações das pessoas, mostram  cenas que chocam os  telespectadores e ajudam a incutir o  medo, o  desespero  e revolta de forma quase generalizada.

Cenas que mostram  pessoas sofrendo em filas de hospitais, prontos socorros,   mães  aflitas  que não conseguem atendimento para uma  criança que  está praticamente entre a vida  e a morte.  Pacientes  que precisam viajar  300 ou até mil km  para  conseguirem trataamento  de câncer, pessoas vítimas da  violência  no trânsito ou da fúria assassina  ficam deitadas em  corredores de unidades de saúde, gemendo e sofrendo.  Pacientes  com doenças crônicas  que precisam  ingressar  na justiça para conseguirem medicamentos, sem os quais acabarão vindo a óbito e as vezes nem mesmo  as decisões judiciais que, supostamente deveriam  garantir  direitos constitucionais que são a saúde e a vida,  acabam,como  sempre descumpridas pelos gestores públicos  e nada acontece. Enquanto isto os donos do poder  tem atendimento em hospitais de primeira linha, as custas do dinheiro público.

De forma  semelhante, reportagens cotidianas  ou especiais mostram  como são transportados os trabalhadores,  em alguns casos em condições piores do que animais, em ônibus  e  trens  em  precárias condições, sujos, super lotados  , um  verdadeiro sofrimento diário, quando esses  mesmos veículos de comunicação informam  que ministros e gente  importante dos  tres poderes  da Repúblicam usam jatinhos da FAB, para transportarem  um unico marajá a um custo absurdo, afora a afronta  que é  a manutenção   desses privilégios e mordomias `as custas do dinheiro público, quando todos sabemos que os salários e outros privilégios desses marajás  afrontam o trabalhador que ganha um salário mínimo de miséria , complementado pelo assistencialismo governamental.

Outro  fator  que provoca a insatisfação popular é a violência  generalizada que cresce  a  cada dia.Não bastasse  o terror  que o banditismo impõe  sobre a população com roubos, furtos, estupros, sequestros  e  assassinatos,  a população pobre que vive nas periferias urbanas e nas  favelas  ainda tem que conviver  com a violência policial que acaba levando mais  medo  e morte Pior  em tudo isto é  a impunidade, quase sempre nada acontece a não ser a dor de famílias que perdem seus  entes queridos por “balas perdidas”, eufemismo para justificar a violência  dos  agentes  do Estado, que em alguns  casos acaba  se confundindo com a violência dos bandidos e do crime organizado.

O que  falar  de pais, mães  ou estudantes que precisam  ficar nas filas  nas portas de escolas ou na frente de uma tela  de computador para  conseguir vaga para matricular  uma criança, adolescente ou jovem, em  estabelecimentos públicos de ensino ou para obterem crédito educativo, verdadeiras migalhas,  perante o que os  bancos oficiais concedem aos grandes grupos econômicos,  a juros subsidiados ou na forma de “incentivos fiscais” que ajudam, na verdade, a acumulação de capital nas  mãos das elites  econômicas, políticas e sociais.

Em  meio a tudo isso, a população  ainda tem que conviver com uma inflação que rouba  o poder aquisitivo dos salários,  juros extorsivos, verdadeira agiotagem apoiada pelo  governo  que está levando as famílias  a um endividamento impagável; aumentos dos preços de energia,  dos alimentos e serviços em geral.

A pá  de cal que sepulta as esperanças do povo e aumenta a insatisfação e revolta  das massas  são  as constantes denúncias  de corrupção  envolvendo  governantes, gestores públicos, partidos  políticos  e empresários  que formam  verdadeiras quadrilhas de colarinho branco para  roubarem os cofres públicos e a certeza de que a impunidade será a recompense para esses crimes.

Essas  e outras condições que marcam a atual conjuntura,  já vividas pela Venezuela e Argentina,  estão contribuindo para a insatisfação generalizada que caracteriza o atual momento nacional. Em tais circunstâncias não é difícil prever que dias piores  ainda  estão por vir.  A passagem da insatisfação  generalizada e difusa  para a violência política e a instabilidade institucional é de apenas  um passo. A primavera nos países árabes  e em outras partes do mundo bem  atestam esta dinâmica política  e social.

JUACY DA SILVA, professor universitário,  fundador, titular e aposentado UFMT,  articulista de A GAZETA,  mestre  em sociologia.  Email professor.juacy@yahoo.com.br  Blog  www.professorjuacy.blogspot.com Twitter@pofjuacy

 

segunda-feira, 6 de abril de 2015


DIA MUNDIAL DA SAÚDE 2015

JUACY DA SILVA

A  cada ano morrem mais  de dois milhões de  pessoas, principalmente  crianças  e idosas, em decorrência de doenças relacionadas com o consumo de alimentos contaminados por agrotóxicos, herbicidas, fungicidas, antibióticos  ou em estado de conservação impróprios ao consumo humano por conterem bactérias,virus, parasitas ou outros  vetores patogênicos.

Em  sua edição de março último  a Revista National  Geographic, destacou em uma matéria que mais  de dois milhões de pessoas nos EUA ficam doentes  a cada ano por consumirem alimentos de origem  animal (principalmente bovinos, suinos e aves)  impróprios, os quais  contém altas doses de antibioticos, tornando  as  bactérias  altamente resistentes. Em 2014  ocorreram 23 mil  mortes devido a doenças vinculadas  ao consumo de alimentos que não  estavam de acordo com os padrões e normas,  internacionais e dos EUA. O custo dessas doenças para  o Sistema  de saúde nos EUA   foi  entre 21  e 34  bilhões de dólares. Informa  também a reportagem  que 80%  de todos os antibióticos consumidos/comerializados no país  são utilizados na  criação  de animais voltados `a produção alimentar.

Em 1948, na primeira Assembléia da OMS (Organização Mundial de Saúde), organismo  especializado da ONU para  esta área, foi aprovada uma  Resolução instituindo o DIA MUNDIAL  DA SAÚDE, a  ser “comemorado” em 07  de Abril  de cada ano.  O primeiro DIA MUNDIAL  DA SAÚDE  foi em 1950 e  desde então, nesses 65  anos, a OMS  tem estimulado a  reflexão, análise e debates sobre  temas fundamentais para  a saúde.

O tema do DIA MUNDIAL DA SAÚDE  em  2015 é “Segurança  dos alimenntos”, e envolve  a discusão desde a produção,  `a industrialização, o armazenamento, o transporte, a distribuição ou comercialização e o consumo. Mais  de 200 tipos de doenças  são  causadas por alimentos que são produzidos ou comercializados  e consumidos fora  dos padrões  estabelecidos pela “ Codex  Alimentarius” uma  instância  da OMS  em parceria  com a FAO  e participação da União Européia, mais 49 organizações  inter-governamentais, 16 organismos  especializados da ONU, 150 ONGs  de vários países. Em  2015 nada menos que 186 países  haviam aderido a CODEX ALIMENTARIUS  e   a  mesma  desde 2012  tem o reconhecimento da Organização Mundial do Comércio  com instância para dirimir conflitos entre paises em relação as questões de alimentos e  também  o poder  de estabelecer normas  e padrões internacionais que todos os países  devem seguir para resguardar  a saúde  dos consumidores.

No momento em que o Brasil experimenta uma  verdadeira explosão na produção de “commodities”, sem que, todavia, muitas dessas normas sejam respeitadas, principalmente quanto ao uso de agrotóxicos, herbicidas, fungicidas, antibióticos e outros produtos nocivos `a  saude humana, é mais do que oportuno que possamos discutir este tema.

Outro aspecto  também importante nesta discussão é o papel da agricultura  orgânica ou agricultura sustentável ou agroecologia,  incluindo também pecuária  e os horti-fruti,  como alternativa ao Sistema mercantilista de produção.

Este é um grande desafio que todos os governos e também entidades não governamentais, incluindo as que representm  a agricultura familiar, a  economia solidária e também dos consumidores  devem  enfrentar. Os custos  para  os sistemas de saúde  e também para a qualidade de vida da  população estão diretamente relacionados com a qualidade e segurança dos alimentos, cabendo aos organismos publicos, nas tres  esferas de governo, fiscalizarem para que os alimentos consumidos  pela população atendam  a  essas normas estabelecidas pela OMS e objeto deste DIA MUNDIAL DA SAÚDE.

JUACY DA SILVA, professor universitário, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia, Email professor.juacy@yahoo.com.br  Blog  www.professorjuacy.blogspot.com Twitter@profjuacy

sábado, 4 de abril de 2015


MENSAGEM DE PÁSCOA ABRIL 2015

JUACY DA SILVA

AMIG@S BOM DIA. DESEJO A TOD@S UM ÓTIMO FINAL DE SEMANA, COM SAÚDE, PAZ, ALEGRIA E MUITAS REALIZAÇÕES.FELIZ PÁSCOA A TOD@S.QUE  A  RESSUREIÇÃO DE CRISTO POSSA  DESPERTAR  EM CADA PESSOA O ESPÍRITO DA JUSTIÇA, DO AMOR CRISTÃO  E  DA SOLIDARIEDADE.  ABS E FIQUEM COM DEUS, ESTEJAM SEMPRE FELIZES.

quarta-feira, 1 de abril de 2015


O CALVÁRIO DOS BRASILEIROS

JUACY DA SILVA

Para  os  cristãos,  tanto católicos  quanto  protestantes, a semana  santa marca  um momento especial na vida de Jesus e, ao mesmo  tempo, na  vida da igreja ao longo de séculos. A reflexão nesses dias nos conduz tanto `a dimensão transcendental e também `a  escatológica, ou seja, “se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé”, como disse o apóstolo São Paulo em sua primeira Carta aos Coríntios.

Para  avaliar o sofrimento de Cristo a Igreja destaca a via-sacra, via-crucis  ou via dolorsa, com os quinze momentos  que ficaram marcados entre a sua condenaçao `a morte na  cruz, do Pretório (Corte) até sua morte, sepultamento e ressurreição. Cabe a Igreja  e aos cristãos  também aproveitarem, de forma  especial, a semana santa e refletirem sobre o sofrimento do povo, principalmente das camadas mais pobres, os  excluídos, discriminados  , muitos dos quais morrem  literalmente por falta de atendimento médico, hospitalar ou vítimas da violência  generalizada em nosso país, incluindo  assassinatos e mortes no trânsito e acidentes de trabalho e outras formas.

Outra  reflexão  que podemos fazer nesta semana e ao longo de todos os dias é o calvário pelo qual o povo brasileiro vem passando nesses últimos anos, sofrimento e vergonha que vem se agravando `a medida que nossos governantes não conseguem ou não querem tomar  medidas e realizarem ações mais efetivas para encarar  tais desafios  e equaciona-los.

`A  semelhança  das 15  estações  da via dolorosa de Cristo,  também  podemos identificar as  estações ou paradas para reflexão que identificam o calvário do povo brasileiro,  como se  segue:

1a. Estação: inflação que ameaça  fugir ao controle do governo e acaba reduzindo os  salários e poder aquisitivo da população em geral  e dos mais pobres em particular;

2a. Estação: Corrupção desenfreada com inúmeros escândalos que demonstram que a adminnistração pública foi tomada de assalto por verdadeiras quadrilhas de colarinho branco em associação com empresários sem ética;

3a. Estação:  aumento do desemprego, associado ao sub-emprego, colocando em risco  a vida de milhões de famílias, gerando mais insegurança geral na população;

4a. Estação: Caos na saúde em geral  e na saúde pública em particular, com filas  intermináveis e falta  de respeito `a dignidade das pesoas e de seus direitos fundamentais, inclusive direito `a vida;

5a. Estação: Caos no transporte público e no trânsito, com aumento incontrolávelda violência, de mortes e acidentes, que  deixam suas marcas nas vítimas  e seus familiares para o resto da vida;

6a.Estação: Precariedade do saneamento básico, impondo a convivência  de milhões de famílias  com lixo, esgoto a céu aberto e doenças que poderiam muito bem ser  evitadas;

7a. Estação: Aumento acelerado do preço dos alimentos, dos combustíveis, da energia, dos transportes e dos impostos,  reduzindo o poder de compra das classes média e mais pobres, aumentando o endividamento das  famílias;

8a. Estação: Educação pública  de baixa qualidade, reforçando a  exclusão de milhões de crianças, adolescenets  e jovens, aumentando o fosso entre as elites e o resto da sociedade em termos de oportunidades de trabalho  e de mobilidade social;

9a. Estação: Persistência das desigualdades  setoriais, regionais e sociais, aumentando o nível de dependência da população mais pobre do assistencialismo governamental e da manipulação política e eleitoral;

10a. Estação: Excesso de burocratização e ineficiência da administração pública, abrindo caminho para o tráfico  de influência  e da corrupção;

11a. Estação: Impunidade  generalizada e cinismo oficial quando se trata da garantia  dos direitos do cidadão,  contribuindo para o aumento da violência e  da criminalidade;

12a. Estação: Morosidade do sistema judiciário, desestimulando a população na busca e garantia de seus direitos, tornando o acesso `a justiça extremamente caro e práticamente  impossivel a quem não dispõe de recursos para tal;

13a. Estação:  Aparelhamento das estruturas públicas, inclusive das Estatais, pelos partidos que estejam no poder, os quais imaginam que a administração pública e o dinheiro público lhes pertencem, ,gerando uma promiscuidade entre o público e o privado;

14a. Estação: Descrédito generalizado da população em relação as instituições públicas, aos governantes, gestores, enfim, um enorme pessimismo  quanto ao futuro de nosso país;

15a.Estação: Da mesma forma que Cristo venceu a morte e ressuscitou, também o povo brasileiro  através de manifestações de massa e de protestos, ocupando as ruas e praças do País  está demonstrando que inicia uma  ressureição política e social e que  tem condições de vencer todos esses desafios e  retomar  o poder que lhe pertence.

JUACY DA SILVA, professor universitário,titular e aposentado UFMT,  mestrre em sociologia.  Email professor.juacy@yahoo.com.br Blog www.professorjuacy.blogspot.com  Twitter@profjuacy

quarta-feira, 25 de março de 2015


A VOZ DO POVO

JUACY DA SILVA

Costuma-se dizer que “a voz dopovo é a voz de Deus”, no sentido de que a mesma  pode ser manifestada de diferentes maneiras, nos protestos de rua, em entrevistas, matérias  escritas, programas de radio  e de TV, nas conversas informais, nos botequins, em restaurantes de luxo, em  gabinetes de grandes empreas  ou de gestores públicos e, claro, de forma organizada  com representatividade para o total da população em pesquisas sérias e frequentes. Ou seja, cabe aos governantes saberem ouvir a voz do povo  e atenderem seus protestos, reivindicações e críticas. Afinal é o povo quem paga uma enorme carga tributária, para que o governo devolva este sacrifício com serviços e obras de qualidade e nunca montando esquemas para roubarem recursos  escassos e tão preciosos, seja nas grandes empresas como no caso da PETROBRÁS que foi assaltada por quadrilhas de criminosos de colarinho branco nomeados por Lula e Dilma, seja  em qualquer  setor da administração pública.

As últimas pesquisas de opinião pública, tanto as duas realizadas nesses primeiros meses de 2015 pelo Data Folha quando a última realizada pela CNT/MDA e divulgada há poucos dias demonstram como o povo está avaliando este re-início de Governo Dilma,  expressando  bem o que os  entrevistados, como amostra, e a população como um todo, avaliam tanto as  ações ou omissões do Governo Federal, o desempenho pessoal da Presidente da República e  também a voz do povo sobre os últimos acontecimentos nas áreas política, econômica e social do país. Um tema, que ainda não havia feito parte de pesquisas anteriores, mas que já  está    alguns meses na boca do povo, nos protestos nas ruas e em discussões públicas foi incluido. Este tema é o impeachment da  Presidente Dilma.

Mesmo que o Governo , o PT  e alguns outros partidos tentem desqualificar o tema, colocando-o  até mesmo como um golpe na democracia  ou o ressurgimento de um “terceiro turno”, o fato concreto é que o povo tem a Liberdade e a garantia constitucional de discutir e expresser seu pensamento e  caberá ao Congresso, no tempo oportuno, `a medida que as investigações  vão avançando, verificar até que ponto as denúncias de dinheiro sujo , desviado da PETROBRÁS  foram parar, mesmo com aparência  legal, nos cofres do PT e de outros partidos e se parte desse dinheiro  sujo ajudou no financiamento da campanha da Presidente Dilma, seja em 2010, cujo mandato já se findou seja em 2014, cujo mandato ainda está em curso.

O Brasil é  o único país do mundo,  cuja Constituição  blinda a figura do/a  Presidente quanto a invstigações de períodos anteriores ao exercício do mandato, todos os demais cidadãos  podem ter suas vidas vasculhadas,  pouco importa quando e em que condições tais pessoas possam ter cometido crimes.  Em sendo investigadas e comprovados os crimes, com certeza a Justiça terá que ser feita e a mesma pagará pelos crimes cometidos. Todas as pessoas, menos quem estiver no exercício da Presidência da República. Esses  aspectos tem muito a ver com a voz  das ruas  que tem emergido nas pesquias, inclusive nesta última da CNT/MDA.

Vamos  a alguns números desta pesquisa.  A avaliação positiva do Governo Dilma é o segundo mais baixo dos últimos 20 anos, apenas 10,8% enquanto a avaliação negativa é a pior do mesmo período  64,8%%; muito pior do que a avaliação média dos governadores que chega a 24,4% de positiva  e 26,7% de negativa e pior ainda do que dos prefeitos, cuja média foi de 26,8% positivo  e 41,8% negativa.  A avaliação do desempenho pessoal da Presidente  no aspecto positivo foi de 18,% e a negativa chegou  a 77,7%.

Em  todas as regiões, em todas  as faixas  de renda, níveis  educacionais,  sexo   e tamanho das cidades os resultados são muito mais desfavoráveis do que favoráveis tanto ao Governo quanto `a pessoa  da Presidente.  Por  exemplo, pelo fato de Dilma  ter sido ministra deMinas e Energia, Ministra chefe da Casa  Civil e Presidente do Conselho de Administração da PETROBRÁS, para 68,9% dos entrevistados ela é a culpada, juntamente com o ex-Presidente Lula (67,9%), na corrupção que está sendo desvendada pela operação lava-jato.   

Dilma  está muito desacreditada perante o povo. Para 81% dos entrevistados ela não está e nem vai cumprir suas promessas de campanha.  Para 57,4%  o Governo Federal não tem compromisso sério de combater a corrupção, isto significa que existe muito jogo de cena  quando na  verdade  o Governo Dilma  tem dificultado os trabalhos das CPIs  da Petrobrás, defende abertamente o PT  e outros partidos em relação ao uso de dinheiro sujo nas campanhas e está patrocinando “acordo de leniência”  para salvar as grandes empreiteiras, envolvidas até o pescoço  com a corrupção, não apenas na PETROBRÁS  mas em diversas obras de grande porte nos últimos doze anos.

Aí vem então a voz do povo. Nada menos do que 59,7% da população é a favor do impeachment, chegando a 60,5%  no meio urbano, enquanto apenas 34,7% são contra. Esta é a mesma  voz em todas as regiões, sexo, níveis de renda, de escolaridade e tamanho dos municípios.

Existe também um desencanto e um pessimismo generalizado na população em relação`as instituições  e ao futuro da economia, da política, enfim, com o futuro do Brasil.  Em  um clima desses não é difícil dizer que a situação nacional tende a piorar nos próximos meses, independente da propaganda e sacos de maldade ou bondade que o governo possa abrir.

JUACY DA SILVA, professor universitário,  titular  e aposentado  UFMT,  mestre  em sociologia,  articulista de A Gazeta.  Email professor.juacy@yahoo.com.br  Blog  www.professorjuacy.blogspot.com Twitter@profjuacy