quarta-feira, 8 de agosto de 2018


BARAFUNDA POLÍTICA E ELEITORAL

JUACY DA SILVA

Estamos há praticamente dois meses para a realização de uma eleição muito importante no Brasil, quando os eleitores, que, pretendemos, representam os anseios, desejos e expectativas do povo brasileiro, irão escolher um novo ou nova presidente da República, todos os governadores de estados, dois terços do Senado, toda a Câmara Federal e todas as Assembléias Legislativas. Enfim, serão escolhidos os novos governantes e, através da constituição de um “novo” corpo politico,  todos os gestores de primeiro, segundo, terceiro escalões da administração pública do país.

Na maioria dos países existem regras, regulamentos e legislação que permanecem por décadas a fio, facilitando a dinâmica politica e eleitoral, dando estabilidade ao processo e seguranca jurídica, diferente do que ocorre no Brasil, onde  tanto a legislação quanto os ritos e regras politicas quanto eleitorais são alteradas a cada pleito, de dois em dois anos e ainda, a incerteza e morosidade da justiça comum e da justica eleitoral.

As regras para as próximos eleições são totalmente diferentes das que vigoravam quando das eleicoes gerais de 2010 e 2014, incluindo as formas de financiamento eleitoral, a figura do caixa dois que sempre existiu e todo mundo, inclusive a justica eleitoral, fazia de conta que nada sabia, nada via e quando as denúncias eram apuradas os mandados já estavam praticamente no final ou já havia terminado, o tempo de propaganda eleitoral e outros detalhes mais.

Dois exemplos são patentes nesta barafunda, o caso da eleição suplementar, quando um novo governador e vice foram eleitos há poucos meses no Tocantins, para um mandato tampão até o final do que seria o mandato do governador e vice eleitos em 2014, cujo processo de investigação e cassação demorou anos.

O mesmo acontece em Mato Grosso, a cassação do mandato do senador Medeiros nesta semana, eleito como suplente de Pedro Taques que foi eleito em 2010 e renunicou em 2015, para assumir o cargo de governador de Estado. A denúncia de que teria havia fraude na ata da convenção, na ordem dos suplentes da chapa de Pedro Taques, quando o nome do atual senador Medeiros teria “pulado” de segundo para primeiro suplente, demorou varios anos e só agora a decisão foi tomada, possibilitando que tal fraude seja corrigida e o suplente que foi “passado para traz” possa ter seu mandato garantido por apenas poucos meses.

Muita gente, incluindo a grande mídia tenta massificar a idéia, errônea em minha opinião, de que os eleitores tem todo o poder do mundo e podem escolher os melhores candidatos, dar  cartão  vermelho para os politicos/candidatos corruptos, incompetentes, demagogos, ineficientes e espertalhões. Pesquisas indicam que a grande maioria dos atuais parlamentares, inclusive os investigados por corrupção serão eleitos ou reeleitos.

A realidade não é bem assim, quem escolhe os candidatos são os partidos e suas convenções e a quase totalidade dos partidos tem donos tanto no âmbito nacional, quanto nos estados e municipios, alguns que mandam e desmandam nos partidos por mais de duas ou tres décadas. A grande maioria dos partidos não cultiva a democracia interna, quando muito manipulam seus filiados que continuam encabrestados pelos donos dos partidos, vários dos quais utilizam as alianças e composições politicas para acomodarem seus quadros de maior expressão nos cargos em comissão, onde existe um verdadeiro balcão de negócios, inclusive excusos como as operação lava jato e outras investigações a niveis nacional, regional e local tem comprovado.

Outro aspecto que denigre e transforma o processo eleitoral em uma barafunda, uma verdadeira mixórdia politica, eleitoral e ideológica são as famosas composições, onde o que determina como serão construidos os “palanques” dos candidatos a Presidente, Governadores, Senadores, deputados federais e estaduais nos Estado não é a coerência doutrinária, ética ou de principios e muito menos as propostas ou planos de governo, mas sim  o tempo de TV, de rádio ou o montante do fundo partidário que cada partido possui, os interesses nacionais ou estaduais ou mesmo os interesses da populacao jamais são levados em conta.

Existem partidos que se aliam no âmbito nacional com diversas outros e não mantem a mesma aliança nos estados, disto resulta a eleição de deputados e senadores que irao “negociar” o apoio parlamentar com o/a presidente da República ou governadores de Estados, todo mundo sabe que isto acarreta a fragilidade de tais governos que acabam resvalando para práticas nada ética ou melhor, práticas corruptas para conseguir apoio parlamentar e poder governar.

Diante de toda esta balbúrida politica e eleitoral fica dificil imaginar que 2019 poderá ser um ano de transformação politica, econômica, social ou de governança em nosso país. Eleições em uma realidade como a que existe atualmente no Brasil não terão o poder de uma varinha de condão que possa alimentar as esperanças do povo. Vamos continuar convivendio com as mesmas figurinhas já carimbadas e bem manjadas que levaram o país e nossos estados a esta vergonha em que estamos vivendo.

JUACY DA SILVA,  professor universitário, UFMT, mestre em sociologia, articulista e colaborador de diversas veiculos de comunicacao. Email professorjuacy@yahoo.com.br Twitter@profjuacy Blog www.professorjuacy.blogspot.com

quarta-feira, 25 de julho de 2018


ELEIÇÕES E O MEIO AMBIENTE

JUACY DA SILVA

Muitas pessoas, incluindo a grande maioria dos candidatos aos cargos executivos e legislativos estaduais, federais e a grande mídia, acreditam que só existem tres grandes problemas ou desafios em nosso pais que são a violência que esta extremamente generalizada em todos os quadrantes do Brasil, a saúde publica que é uma vergonha e um caos que afeta e mata milhões de pessoas, desrespeitando um dos mais sagrados direitos humanos que é o DIREITO `A VIDA e `a dignidade do ser humano e também nossa educação pública que, além de um caos, também ostenta os mais baixos índices perante os demais países desenvolvidos e emergentes.

Todavia, existem dezenas de outros problemas extremamente graves e que vem sendo empurrados com a barriga, como costuma-se dizer, pelos nossos governantes que estão muito mais preocupados com seus esquemas de chegada `as estruturas ou manutemção do poder e a partir daí se locupletarem em associação com empresários corruptos, assaltando e roubando os cofres públicos, surrupiando, impunemente,  preciosos e vultuosos recursos econômicos e financeiros que tanto fazem falta para a implementação das politicas públicas que seriam necessárias para minorar o sofrimento do povo e proporcionar melhores niveis de vida,  de crescimento econômico e de desenvolvimento nacional.

Eu gostaria de destacar neste artigo/reflexão, de forma resumida, alguns aspectos relacionados com o meio ambiente que vem sendo neglicenciados tanto pelas autoridades, dos tres poderes, federais, estaduais e também municipais quanto pela população em geral.

Como exemplo temos a degradação ambiental em geral, incluindo a poluição urbana, o desmatamento e destruição dos biomas amazônia, cerrado, caatinga, pampas, pantanal e mata atlântica, destruindo a biodiversidade e afetando seriamente as águas das tres principais bacias do pais: Amazônica, Paraná/Paraguai, Paarnaiba e São Francisco. O desmatamento, aliado `as queimadas e o uso/abuso de agrotóxicos, além de afetarem ros ecossistemas e contribuirem para a produção de gases de efeito estufa e as mudanças climáticas, também afetam gravemente a saúde da população.

Outro problema/desafio extremamente grave é a questão do saneamento básico, incluindo a universalização de água tratada e,  principalmente, a coleta e tratamento de esgotos, condições necessárias para que exista uma boa saúde e qualidade de vida para a população e o Brasil possa honrar, até 2030, os compromissos que assumiu perante a ONU na implementação dos OBJETIVOS DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL.

Ainda existem mais 12 milhões de habitantes, principalmente nas periferias urbanas dos grandes centros urbanos e tambem nas pequenas e médias cidades que não tem acesso `a agua tratada, contribuindo para o agravamento da saúde publica.

Pior do que a falta de água tratada é o problema/desafio da falta de saneamento básico, a coleta e tratamento de esgotos, mais de 62 milhões de habitantes não tem acesso aos servicos de coleta de esgotos, chegando em alguns municipios e até mesmo capitais em que este deficit é superior a 95% da população.

Dos esgotos que são coletados, menos de 30% são tratados, ou seja, são lançados diretamente em valões, córregos, rios, lagoas e o oceano, tornando a paisagem brasileira em um mar de esgotos, como o que acontece em Cuiabá e Várzea Grande, o maior aglomerado urbano de Mato Grosso, cujos córregos e o proprio Rio Cuiabá que já se transformaram e irão se transformar no maior esgoto a céu aberto na regiao Centro-Oeste, destruindo de morte o Pantanal, um patrimônio do Brasil e da humanidade.

De acordo com os dados do último relatório do Instituto Trata Brasil de 2018, Cuiabá  tem apenas 51,4% de coleta de esgoto e deste total apenas 30,9% são tratados. A média anual de ampliação da coleta e tratamento de esgoto em relacao `a universalização deste serviço essensial tem sido de apenas 0,48% ao ano. Isto nos leva `a conclusão: para que a coleta de esgotos seja universalizada em Cuiabá serão necessários 101 anos e para a universalização do tratamento de esgotos nada menos do que 135 anos. Ou seja, só depois dos 400 anos de Cuiabá. Em Várzea Grande a situação também não é muito diferente, para universalizar a coleta serão necessários 59 anos e para universalizar o tratamento nada menos do que 122 anos.

Mesmo assim, nossos politicos e governantes, muitos dos/das quais já estao na vida publica há mais de duas ou tres decadas, ainda tem a coragem ou a cara de pau durante as eleições em andar pela periferia urbana o u rural prometendo grandes realizações, enganando a boa fé da população humilde que sofre ante tantos descasos. Parafraseando o Jornalista Boris Casoy “Isto é uma vergonha”, um verdadeiro descalabro, um acinte diante do sofrimento do povo.

JUACY DA SILVA, professor universitario, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia, articulista e colaborador de diversas veiculos de comunicacao. Email  professor.juacy@yahoo.com.br Twitter@profjuacy Blog www.professorjuacy.blogspot.com

quarta-feira, 18 de julho de 2018


O BRASIL QUE EU QUERO

JUACY DA SILVA

Ao longo dos últimos meses, diariamente, os diversos veiculos da Rede Globo de comunicação, principalmente a TV Globo, tem apresentado em todos os seus noticiários, as manifestações de milhares e milhares de pessoas do país inteiro, dizendo qual o Brasil que a população brasileira deseja para o futuro próximo e a longo prazo.

Com certeza, em algum momento, os patrocinadores desta grande “enquete” ou “pesquisa” de opinião pública, irão tabular, enfim, divulgar quais foram os dez, quinze ou vinte aspectos que poderiam resumir os sonhos do povo brasileiro. Enfim, um país em que todos nós poderiamos ter orgulho de pertencer e não esta mixórdia que tanto nos envergonha e que faz sofrer as camadas excluídas ou até mesmo as camadas medias da sociedade.

Vou aproveitar e pegar “carona” nesta pesquisa e escrever, já que não tenho celular para enviar minha mensagem dizendo qual o Brasil eu quero para o futuro, só que o farei de uma forma diferente, não irei dizer que desejo um país sem politicos, empresários e gestores públicos corruptos, não direi que desejo uma justiça mais transparente e ágil, que seja de fato igual para todos, não vou falar de um país sem os 13 milhões de desempregados, nem do caos vergonhoso na saúde pública, nem da violência que aterroriza a população e ceifa mais de 60 mil vidas a cada ano; nem da balbúrida que é o nosso Sistema de transporte e trânsito que tambem ceifa quase 50 mil vidas por ano e os assassinos do volante continuam protegidos sob o manto da impunidade, nem da vergonha que é a falta de saneamento básico e muito menos da baixa qualidade de nossa educação pública, não falarei dos privilégios que os marajás da República  gozam, além de salários nababescos, ainda auxílio moradia para integrantes dos poderes executivo, legislativo, judiciário e dos ministérios públicos e outras regalias, enquanto o povão, os trabalhadores  que pagam impostos,  sobrevivem com um salário minimo de fome.

O Brasil que um dia eu gostaria de ter ou ver, apesar de meus mais de 70 anos de idade, seria um país em que a elite do  poder, nossos governantes e altos executivos dos tres poderes da República,   do Ministério Público, dos tribunais de contas e tambem os marajás grudados nas estruturas do poder como carrapatos nos estados e municípios, fossem obrigados a viver, nem que fosse por um ano, com um salário minimo, que tivessem que colocar seus filhos, netos e demais parentes em escolas públicas da periferia, que tivessem que usar transporte público, ônibus e trens principalmente e pudessem ver como se desloca a população trabalhadora brasileira, que fossem obrigados a morar nas favelas, palafitas, com esgoto correndo a céu aberto e dominadas pelas milicias e pelo crime organizado; a serem obrigados a usarem o SUS e ficarem na fila por dias, semanas, meses ou anos para terem um atendimento de terceira categoria ou morrerem nas portas ou corredores de hospitais sucateados; que, ao serem condenados por algum crime, principalmente crimes de colarinho branco, tivessem que cumprir suas penas em regime fechado em penitenciárias como as de Pedrinhas, no Maranhao ou de Charqueadas, no Rio Grande do Sul ou Cariacica no Espírito Santo ou que mofassem nas cadeias públicas, mesmo que não tivessem sido sequer ouvidos por um juiz e nem condenados por crime algum, como acontece com 40% dos mais de 680 mil presos em nosso pais.

Talvez, vivendo, por apenas um ano, como o vivem os trabalhadores brasileiros ou enfim, o povão, ai poderiam perceber a importância de uma boa gestão dos gastos públicos e como isto poderia redundar em uma melhor prestação de serviços públicos decentes e de qualidade. Da mesma forma, como uma gestão eficiente, eficaz, transparente e sem roubalheira do dinheiuro público poderia resultar em obras públicas de qualidade, voltadas para atender as necessidades do povo e não como as obras do VLT de Cuiaba/Várzea Grande e milhares de obras paradas e superfaturadas por este Brasil afora.

O Brasil que eu quero, não apenas para meus netos ou tetranetos, mas para hoje, para os próximos quatro anos, é um Brasil em que a população tenha orgulho do país e de seus governantes, gestores publicos e empresários ,enfim, de sua elite do poder, um país realmente justo, com distribuição de renda que garanta a dignidade da população, onde as pessoas não  vivam sofrendo o tempo todo pela incúria de seus governantes, um país que possa se ombrear com as verdadeiras democracias do mundo e não este arremedo de democracia e um suposto estado de direito, onde os do andar de cima tem tudo e os dos andar de baixo nada tem, nada possuem e nada usufruem.

Será que isto é pedir demais? Será que isto é uma utopia ou um sonho que se esvai ao raiar do dia quando as misérias sociais, econômicas, politicas e culturais voltam a ser estampadas ao nosso redor?

É neste contexto que, dentro de menos de tres meses os eleitores e eleitoras irão escolher nossos futuros governantes, vamos transformar nossos sonhos, nossa indignação em voto consciente, dando cartão vermelho para os politicos fichas sujas, já bem manjados pela população.

JUACY DA SILVA, professor universitario, titular e aposentado, UFMT, mestre em sociologia. Email professor.juacy@yahoo.com,.br Blog www.professorjuacy.blogspot.com Twitter@profjuacy




terça-feira, 17 de julho de 2018


ELEIÇÕES E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

JUACY DA SILVA

A Assembléia Geral da ONU, realizada entre os dias 25 e 27 de setembro de 2015, aprovou o que passou a ser denominada de AGENDA 2030, um conjunto de 17 objetivos, 169 metas e 230 indicadores, na presença de 190 chefes de Estado e de Governo que se comprometeram a planejar e realizar acões que conduzam o mundo e cada país, suas regiões e localidades para o que passou a ser conhecido tambem como os OBJETIVOS DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL. Entre os países presentes e que se comprometeram com a AGENDA 2030 está o Brasil.

Estamos a menos de três meses para a realização das eleições gerais no Brasil, quando os eleitores estarão escolhendo os futuros governantes, conhecidos como parte da elite do poder, da qual também fazem parte integrantes do poder judiciário, organismos de contrlole e de repressão e os empresários.

Essas eleições devem acontecer em meio a uma longa e complexa crise politica, econômica, financeira, orçamentária, social e moral. Boa parte da atual elite do poder não goza da confiança da população, tanto pelos altos índices de corrupção que tem marcado o cenário politico,  administrativo e empresarial do país, em todos os níves de governo e grandes conglomerados econômicos, quanto pela incompetência por parte desta elite do poder em prover bens e serviços públicos que o povo requer e e faz jus e já paga na forma de uma elevada e escorchante carga tributária, uma verdadeira extorsão das camadas média e mais pobres da sociedade.

Em diversas artigos e reflexões temos defendido a “tese” de que não basta ser honesto, ou seja, para mim a honestidade não deveria ser uma característica para diferenciar os bons politicos, bons governantes, bons juizes, bons gestores, porquanto em uma sociedade justa, democrática e mais egualitária todas as pessoas deveriam ser e agir honestamente, desde o cidadão e, principalmente, as pessoas que ocupem cargos ou funções públicas.

Assim, a “régua” da honestidade deveria igualar todas as pessoas em uma sociedade. Ai sim, o que deveria diferenciar as pessoas, principalmente quem ocupada cargos e funções públicas, politicos,  gestores públicos e empresários, deveriam ser outros parâmetros como competência técnica, capacidade de gestão, visão estratégica, liderança, compromisso com o bem comum, defesa intransigente da soberania popular e nacional, ser transparente, eficiente e eficaz, dentre outros atributos.

Para que isto seja possivel, é importante que os candidatos apresentem ao povo, aos eleitores suas principais realizações se já ocupam ou ocuparam cargos e funções públicas e, claro, digam ao povo, apresentem de maneira formal, não de forma apenas discursiva, genérica e vazia, suas propostas para encarar ou enfrentar e resolver os grandes desafios nacionais, estaduais ou até mesmo locais que tanto afetam e angustiam o povo.

Para tanto, basta estudar um pouco, conhecer mais a fundo esses desafios e problemas, que já foram e continuam sendo diagnosticados por milhares e milhares de pesquisas e estudos, levados a cabo por entidades governamentais, universidades, organismos internacionais e inúmeras organizações não governamentais e a partir de um conhecimento mais aprofundado da realidade, apresentem suas propostas.

Se os candidatos, principalmente os que já detém mandatos e desejam continuar no poder, não para se locupletarem e dilapidarem os cofres publicos, mas sim, servirem ao povo e também os “novatos”, muitos dos quais  fazem parte das familias e grupos que estão nas estruturas do poder, realmente desejam mudar o país e os estados; deveriam, por exemplo, pelo menos levarem em consideração e incorporarem em suas propostas  os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, suas metas e indicadores, que o Brasil se comprometeu a realizar.

De forma resumida, apresento alguns desses objetivos do desenvolvimento sustentável, que devem balizar os rumos que nosso país deveria seguir pelos proximos 12 anos. Dentre esses: acabar com a pobreza, a fome e a desnutrição; asseguar a educação inclusiva, equitativa e de qualidade; assegurar a vida saudável  e promover o bem estar de todos; alcançar a igualdade de genero e empoderamento das mulheres; asseguar a disponibilidade de energia sustentável, água e saneamento para todos;  promover o  crescimento sustentável, o emprego pleno e trabalho decente para todos; construir infra-estrutura, industrialização inclusiva e a inovação; reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles; tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, resilientes e sustentáveis, assegurar padrões de produção e consumo sustentáveis; proteger e recuperar o uso sustentável dos ecossistemas; promover sociedades pacíficas, incluindo o acesso `a justiça para todos e construir instituições responsáveis em todos os niveis..

Será que nossos candidatos estão realmente `a altura desses desafios? Só assim, o povo poderá confiar em seus governantes. Chega de discursos vazios, demagógicos, mistificadores, belas mentiras, fisiologismo e corrupção.

JUACY DA SILVA,  professor universitario, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia, articulista e colaborador de diversas veiculos de comunicacao. Email professor.juacy@yahoo.com.br Twitter@profjuacy Blog www.professorjuacy.blogspot.com

sexta-feira, 13 de julho de 2018


ELEIÇÕES, ÉTICA E OUTROS PARÂMETROS

JUACY DA SILVA

Muita gente, mesmo que não seja a maioria ou a totalidade dos eleitores, define a escolha de seus candidatos levando em consideração a vida pregressa/passada dos memos, se tem ficha limpa ou ficha suja, se é honesto ou desonesto, imaginando que apenas o parâmetro ético seja a régua para medir a estatura politica e estratégica dos futuros governantes.

Desgraçadamente, tambem muita gente, com certeza a grande maioria quando vai votar não estabelece nenhum critério, mas apenas se o candidato é seu “amigo/a”, se é um bom despachante de luxo, que diz o tempo todo que quer ser eleito para “trazer” recursos de Brasilia ou das capitais dos estados para seus municipios, que vai fazer uma emenda ao orcamento destinando tais recursos para comprar uma ambulância (aquelas que ficaram conhecidas como a máfia das ambulâncias), ou para uma determinada obra, nem que for de fachada, como o VLT de Cuiabá ou milhares de obras paralisadas ou super faturadas, que alimentaram a corrupção que está sendo escancarada ultimamente por todas as investigações, como o MENSALÃO e a LAVA JATO, tem demonstrado, sobejamente.

A existência dos maus políticos e gestores incompetentes decorre desta forma de votar dos eleitores e de nosso Sistema político partidário, onde ladrões dos cofres públicos são eleitos e reeleitos/as a cada pleito, tendo como máxima o “rouba, mas faz”, como acontecia com o governador Ademar de Barros e tantos outros politicos corruptos que até este ano ainda fazem  parte de nosso cenário politico, os quais e as quais, deveriam mesmo é estar na cadeia, segregados do convívio social e politico.

Além do parâmetro ético, o Brasil como um todo, os estados e municipios precisam também que o eleitor leve em consideração, quando da definição de seu voto, os parâmetros da competência técnica, da visão estratégica, da capacidade de gestão, que deve ser transparente, eficiente, eficaz e efetiva, do parâmetro da impessoalidade e do compromisso com o bem comum, do respeito com o meio ambiente e da defesa intransigente da soberania nacional e popular.

Para administrar o bem público ou o dinheiro público, não basta ser honesto, dizer que é honesto, este requisito deve ser uma norma geral nas relações em sociedade, tanto na esfera política quanto na economica, social e cultural, nem deveria ser algo a diferenciar as pessoas. Não podemos ter politicos honestos mas medíocres na arte de governar, que só pensem em seus próprios interesses, que sejam eleitos com o voto da população pobre, miserável, dos excluidos e quando eleito, seja para cargos do poder executivo ou do poder legislativo coloquem seus mandatos a serviço dos grandes grupos econômicos, seja do agronegócio, dos setores industriais ou comerciais ou outros interesses excusos.

Para que o eleitor possa “conhecer” melhor os candidatos e definir seu voto, a própria Lei eleitoral exige que os candidatos aos cargos do poder executivo e, por extensão do poder legislativo, apresentem e até registrem seus planos de governos, suas propostas que deverão orientar seus mandatos, caso sejam eleitos.

É fundamental que os eleitores possam ter acesso com a devida antecedência  a esses planos de governo e propostas de ação politica para poder comparar os candidatos e decidir em quem votar, ai sim, levando também em consideração os demais parâmetros como a ética, a competência técnica, a transparência, a capacidade de gestão e outros mais que já tem sido bastante repisados nas discussões politicas , acadêmicas ou mesmo nas conversas de botequins.

Não é mais possivel os eleitores continuarem votando sempre nos mesmos, em politicos que já provaram que pouco ou nada fizeram por seus Estados e pelo Brasil. Seria bom que os eleitores dessem uma olhada na ficha corrida, na chamada “capivara” dos candidatos, muitos que não tem competência sequer para administrar seus empreendimentos/empresas individuais, que como empresários são sonegadores,  participam de esquemas para usufruirem das benesses que o Estado (ente publico) concede como juros subsidiados, renuncia fiscal ou outros favores e privilégios que a população jamais tem acesso ou usufrui.

Em novembro próximo os eleitores terão mais uma oportunidade de contribuirem para alguma mudança na composição da elite politica e governante, a chamada elite do poder em nosso país. Caberá aos eleitores darem cartão vermelho não apenas para os fichas sujas, os corruptos, mas também para os politicos demagogos, mistificadores, incompetentes, enganadores, sonegadores, oportunistas e exploradores da boa fé do povo brasileiro, só assim vamos poder iniciar uma transformação mais profunda que chegue `as reformas do Estado, a reforma tributária, a uma melhor distribuição do bolo tributário, com mais justica fiscal, respeito ao meio ambiente e politicas públicas que reduzam de fato os niveis vergonhosos de concentração de renda, de  pobreza, exclusão social e econômica que ainda existem em nosso país e, ai sim, acabar com os privilégios dos marajás da República que vivem de forma nababesca enquanto o povão padece com o caos e sucateamento dos servicos públicos,  com destaque para a vergonha em que se encontram a saúde pública, a educação, a segurança pública, o saneamento básico , a habitação e o meio ambiente em geral.

Só assim, podemos dizer que estamos vivendo em um “estado democratico de direito”,  caso contrário,a continuar como estão o cenário e a vida politica e administrativa, o povo não acredita mais em nada e em ninguém, conforme a avalanche de não comparecimento `as urnas , que, somados aos votos nulos e em branco a cada pleito representam mais do que a soma dos votos de todos os candidatos.

JUACY DA SILVA, professor universitario, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia, colarador e articulista de diversas veiculos de comunicacao. Email professor.juacy@yahoo.com.br Twitter@profjuacy Blog www.professorjuacy.blogspot.com

quinta-feira, 5 de julho de 2018

ALCOOLISMO, UM PROBLEMA MUITO SÉRIO


JUACY DA SILVA


Apesar de ser um produto legalizado, cuja comercialização deve obedecer a certos requisitos legais como idade do consumidor ou mesmo ser considerado um produto classificado como indústria da alimentação, as bebidas alcóolicas acarretam problemas sérios para população mundial, incluindo a população brasileira.


O álcool causa dependência em seus usuários transformando-os em alcóolatras, razão pela qual o alcoolismo é considerado uma doença crônica que afeta consideravelmente a saúde fisica e mental dos dependentes, com alterações neurológicas profundas, razão pela qual a Organização Mundial da Saúde (OMS) e diversas governos lançarem alertas para a gravidade do alcoolismo.
No mundo o alcoolismo atinge mais de 18,3% da população, causando anualmente a morte de 3,3 milhões de pessoas, em alguns países esta dependência atinge mais de 22% da população e tem consequências extremamente danosas para a economia, para os sistemas de saúde e para a vida das pessoas (dependentes) e seus familiares, incluindo o aumento da violência doméstica, da violência urbana e da violência no trânsito.


No Brasil a situação também não é diferente. O consumo de álcool tem aumentado de forma alarmante em nosso país, em rítmo muito maior do que o cresciemento da população, isto em todas as faixas etárias, incluindo criancas, adolescentes e jovens abaixo da idade minima exigida pela Lei para que uma pessoa possa adquirir e consumir livremente bebida alóolica , principalmente pela impunidade como a comercialização é feita em nosso país.


Os dados estatísticos relacionados com o alcoolismo no Brasil são extremamente subnotificados e, mesmo assim, alguns estudos indicam que o percentual de álcoolatras na população acima de 12 anos seja entre 7,5% a 10,0%, podendo chegar até mesmo até 12%, totalizando mais de 15 milhões de dependentes e mais de 160 mil mortes por ano.


De acordo com reportagem do jornal Folha de São Paulo, de 22 de janeiro último (2018) o consumo diario de álcool entre idosos (classificados como alcóolatras) já chega a 9% no Brasil. Isto significa que em 2018 para uma população de idosos na ordem de 32,5 milhões de pessoas, aproximadamente 2,9 milhões são dependentes do alcoolismo. Em 2030 estima-se que a população de idosos no Brasil será de 41,5 milhões, quando teremos só nesta faixa etária mais de 3,74 milhões de pessoas; se o percentual de alcoolismo entre idosos chegar a 11%, teremos mais de 4,5 milhões de idosos dependentes do álcool.


De acordo ainda com a OMS o consumo médio de álcool no mundo é de 6,2 litros per capita/ano e no Brasil esta média é bem superior chegando a 8,7 litros per capita/ano. Tendo em vista que o alcoolismo vem aumentando de forma significativa em nosso país, se nada for feito, ou seja, se o alcoolismo não for devidamente considerado como um problema muito sério para a saúde pública e para a segurança pública, dentro de poucos anos nosso país também será campeão mundial do alcoolismo, da mesma forma que caminhamos para sermos campeões da corrupção e da incompetência na gestao pública, na miséria e exclusão social. 


Os custos econômicos e financeiros do alcoolismo no Brasil representa 7,3% do PIB, incluindo os custos do absenteismo no trabalho, internações e atendimentos médico-hospitalares, indenizações,   acidentes de trânsito, aumento da violência, incluindo homicidios cometidos sob efeito do álcool e outros custos que recaem sobre as familias e os dependentes.


Em termos econômicos e financeiros esses custos chegaram a mais de R$372,5 bilhões de reais em 2014 e deverão representar mais de 9% do PIB dentro de poucos anos, superando em muito a soma dos orçamentos da saúde dos governos federal, estaduais e municipais, incluindo também da saúde complementar.


Uma última observação, enquanto tem sido constatado o aumento do alcoolismo na população idosa acarretando mais problemas relacionados com a demência , depressão e, inclusive, suicídios; diversos estudos vem indicando que também a idade de inicio do consumo de bebidas alcóolicas vem sendo reduzida a cada ano. No Brasil, metade dos dependentes (alcóolatras) informam que iniciaram este vício ou adição antes dos 15 anos e, geralmente, além do alcoolismo outras dependências químicas como o tabagismo e outras drogas ilícitas acabam tornado o problema mais sério ainda.


Como estamos em periodo pré-eleitoral seria de bom alvitre que os partidos e candidatos colocassem na pauta das discussões esta questão, para que a mesma viesse a fazer parte de seus planos ou propostas de governo e estivesse incluida na definição de politicas públicas, principalmente nas áreas da educação, da saúde e da segurança pública. 


Este problema, da mesma forma que tantos outros iguais ou mais graves, exigem ações concretas e não discursos eleitoreiros, a população já está farta de mentiras oficiais e de blá-blá-blá de politicos e gestores que gostam mesmo é de seus privilégios e de enganar o povo.


JUACY DA SILVA,  professor universitario, mestre em sociologia, articulista e colaborador de diversas veiculos de comunicação. Email professor.juacy@yahoo.com.br Twitter@profjuacy Blog www.professor.juacy@yahoo.com.br


quinta-feira, 28 de junho de 2018


TABAGISMO TAMBÉM MATA

JUACY DA SILVA

Todos os países, em maior ou menor grau, convivem com diferentes niveis e tipos de violência e, não por acaso, os meios de comunicação desempenham um papel fundamental, seja em termos de análise desta triste realidade ou na forma de estardalhaços ao noticiar a violência.

Na forma espalhafatosa ou com estardalhaço, no caso, por exemplo do Brasil, existem veiculos impressos que as pessoas costumam dizer “este ou aquele jornal, se expremer sai sangue”, ou seja, as noticias estampam fotos de cadáveres, pessoas mutildadas e outras fotografias que chocam a opinião pública e, ao veicular por dias seguidos as mesmas noticias acabam levando o pânico a população.

Com o advento da televisão e mais recentemente com a internet e as redes sociais esta forma , um tanto distorcida, podemos dizer, de informação ou divulgação ganhou mais velocidade e atinge em poucos minutos milhões de pessoas.  Não é por acaso que programas televisivos que fazem da divulgação da  violência seu carro chefe acabam transformando seus apresentadores em verdadeiros âncoras, os ou as quais, com grande frequência se tornam figuras publicas e tem nesses programas uma plataforma para alçar voos politicos e um acesso direto ao poder.

Com certeza que os índices de violência no Brasil são  terríveis e estão crescendo ano após ano, tendo chegado e mais de 62 mil em 2016 e com certeza deverão ultrapassar de 70 mil assassinatos neste ano de 2018. O mesmo se pode dizer das mortes no trânsito, que, pela sua evolução, se nada ou pouco for feito pelos nossos governantes, dentro de poucos anos deverá superar o número de assassinatos.

Todavia, existem outras formas crueis e também terriveis de mortes que pouca ou quase nenhuma atenção recebe por parte dos meios de comunicação. Neste ról podemos incluir as mortes decorrentes do alcoolismo e do tabagismo, drogas, cuja comercialização é legalizada na maioria dos países, incluindo o Brasil, onde o governo passa a ser sócio desta tragédia humana `a medida que tais drogas podem ser vendidas e compradas livremente, com poucas restrições, as quais também são burladas sem que os poderes públicos exerçam  seu papel de policia. Ao arrecadar impostos que incidem sobre tabaco e álcool, o governo se torna sócio da mortalidade decorrente das mesmas.

No mundo, segundo dados recentes do Organização Mundial da Saúde (OMS),  o tabagismo mata mais de 7 milhões de fumantes e mais 900 mil de fumantes passivos a cada ano, principalmente  familiares e trabalhadores que convivem com fumantes ao longo da vida, as vezes desde criancas.

No Brasil em 2015 ocorreram 256,2 mil mortes doencas decorrentes do tabagismo, principalmente doencas cárdiovasculares, de cancer de pulmao, respiratórias e outras mais.

Convenhamos este numero de mortes é varias vezes o total de mortes em guerras e conflitos armados e assassinatos que ocorrem no mundo a cada ano. Mas esta realidade praticamente não recebe a mesma cobertura dos meios de comunicação e nem entra na pauta ou agenda das autoridades, passando a ser apenas um drama pessoal ou familiar, jamais uma prioridade na definição de politicas publicas.

Só para se ter uma idéia da gravidade do tabagismo, dados tanto da OMS quanto do  Instituto Nacional do Câncer (INCA), quanto de diversas outras instituicoes de pesquisas e de saúde publica, como a Fundação Oswaldo Cruz e outras de  ambito internacional, indicam que 90% dos casos de cancer de pulmão decorrem do tabagismo e que a cada ano mais de 3 milhões de pessoas morrem no mundo em decorrencia de doencas cardiovasculares decorrentes do tabagismo.

Deste total, em 2015 no Brasil  mais de 50.700 mil pessoas que morreram em decorrencia de doencas cardiovasculares eram fumantes ou seja, o tabagismo foi o fator determinante dessas mortes. Estima-se que o tabagismo será responsável por mais de 3.7 milhões de mortes em doencas cardiovasculares e no Brasil este numero devera ser superior a 68.250 mortes, de um total de 350 mil mortes por doencas cardiovasculares.

A taxa de mortalidade por tabagismo entre homens no Brasil é de 83,0% e entre as mulhres de 64,8%. Cabendo aqui uma ressalva ou um destaque, mesmo com a queda do numero de fumantes o numero de pessoas que contraem doencas graves deocrrentes do tabagismo continuam sendo um peso muito grande tanto para os sistemas publico quanto privado de saúde e também para a sociedade, cujos custos vão mais além e incluem tratamentos caros, mortes, afastamento do trabalho, queda na produtividade do trabalho e da economia.

Em um próximo artigo, tentarei destacar as consequências do alcoolismo, uma doenca mental, como o tabagismo, que também mata muito mais do que a violência do dia a dia que tanto aterroriza a população brasileira. Estamos vivendo em meio a um verdadeiro genocídio, com sérias consequências para as pessoas, as familias, os países e o mundo em geral.

Apesar desta triste realidade, muita gente imagina que basta legalizar as drogas e o problema estará resolvido. Basta refletirmos para o caso do tabagismo, do alcoolismo e das drogas “controladas” que a cada ano faz mais vitimas, muito mais do que todas as drogas consideradas ilegais e que estejam relacionados com o crime organizado. O problema é mais complexo e merece uma analise mais profunda e menos passional ou meros discursos eleitoreiros.

Se legalizar a venda de drogas fosse a solução, não haveria esta tragédia decorrente do tabagismo e do alcoolismo.

JUACY DA SILVA, professor universitario, aposentado UFMT, mestre em sociologia, articulista e colaborador de diversas veiculos de comunição. Email professor.juacy@yahoo.com.br Twitter@profjuacy Blog www.professorjuacy.blogspot.com